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Copa
O desafio africano
No primeiro mata-mata,
o Brasil pega a única boa
surpresa do futebol africano

Carlos Maranhão
e André Fontenelle, de Dortmund
Fotos Mike Hewitt/Getty
Images e Timothy A. Clark/AFP
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O espanhol Raúl (à esq.),
possível adversário do Brasil nas quartas-de-final, e os ganenses
Pimpong (19) e Appiah (10): os cruzamentos poderiam ser piores
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Desde que a Copa do Mundo passou
a ter o atual formato, só uma vez o Brasil enfrentou nas
oitavas-de-final um adversário de primeira grandeza. Foi
em 1990, quando teve a infelicidade de cruzar com a Argentina. Perdeu
por 1 a 0 e retornou para casa, vítima de uma jogada de Maradona
que deixou o artilheiro Caniggia na cara do gol. Nas outras ocasiões,
pegou times médios nas oitavas e derrotou todos: Polônia
em 1986 (4 a 0), Estados Unidos em 1994 (1 a 0 sofrido), Chile em
1998 (4 a 1) e Bélgica em 2002 (2 a 0).
Desta vez, depois de escapar
da Itália, a seleção voltou a ser contemplada
pela sorte no primeiro mata-mata. Bem, ao menos em teoria. A seleção
de Gana, que enfrenta o Brasil na terça-feira, 27, em Dortmund,
não é um bicho-papão. Foi treinada por Carlos
Alberto Parreira nos distantes anos de 1967 e 1968, quando os dois,
Parreira e Gana, eram iniciantes no futebol. Quatro vezes campeã
africana, Gana neste ano foi eliminada na primeira fase do torneio
continental. Seu técnico é o sérvio Ratomir
Dujkovic, 60 anos, que cruzou duas vezes o caminho brasileiro no
passado. Em 1971, era o goleiro reserva da extinta Iugoslávia
na despedida de Pelé da seleção, no Maracanã.
Em 1993, como técnico da Venezuela, tomou duas goleadas do
Brasil nas eliminatórias da Copa do Mundo. "Nós somos
fortes e não temos medo de ninguém", afirma Dujkovic.
Seu time tem de fato bons jogadores, preparo físico e uma
defesa sólida. "Acompanhamos o jogo deles contra a República
Checa e temos de ter todo o cuidado", diz o volante brasileiro Gilberto
Silva. Para a felicidade de Parreira, a estrela do time, Michael
Essien, do Chelsea londrino, foi suspensa por cartões amarelos
e não jogará. Mas estarão em campo outros dois
talentosos meio-campistas, Stephen Appiah e Sulley Muntari. Se passar
por Gana, a seleção brasileira enfrentará o
vencedor do confronto entre Espanha e França. Os favoritos
são os espanhóis, uma das sensações
da fase inicial, com um time que alia craques experientes.
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