Edição 1962 . 28 de junho de 2006

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Copa
O desafio africano

No primeiro mata-mata,
o Brasil pega a única boa
surpresa do futebol africano


Carlos Maranhão
e André Fontenelle, de Dortmund


Fotos Mike Hewitt/Getty Images e Timothy A. Clark/AFP
O espanhol Raúl (à esq.), possível adversário do Brasil nas quartas-de-final, e os ganenses Pimpong (19) e Appiah (10): os cruzamentos poderiam ser piores

Desde que a Copa do Mundo passou a ter o atual formato, só uma vez o Brasil enfrentou nas oitavas-de-final um adversário de primeira grandeza. Foi em 1990, quando teve a infelicidade de cruzar com a Argentina. Perdeu por 1 a 0 e retornou para casa, vítima de uma jogada de Maradona que deixou o artilheiro Caniggia na cara do gol. Nas outras ocasiões, pegou times médios nas oitavas e derrotou todos: Polônia em 1986 (4 a 0), Estados Unidos em 1994 (1 a 0 sofrido), Chile em 1998 (4 a 1) e Bélgica em 2002 (2 a 0).

Desta vez, depois de escapar da Itália, a seleção voltou a ser contemplada pela sorte no primeiro mata-mata. Bem, ao menos em teoria. A seleção de Gana, que enfrenta o Brasil na terça-feira, 27, em Dortmund, não é um bicho-papão. Foi treinada por Carlos Alberto Parreira nos distantes anos de 1967 e 1968, quando os dois, Parreira e Gana, eram iniciantes no futebol. Quatro vezes campeã africana, Gana neste ano foi eliminada na primeira fase do torneio continental. Seu técnico é o sérvio Ratomir Dujkovic, 60 anos, que cruzou duas vezes o caminho brasileiro no passado. Em 1971, era o goleiro reserva da extinta Iugoslávia na despedida de Pelé da seleção, no Maracanã. Em 1993, como técnico da Venezuela, tomou duas goleadas do Brasil nas eliminatórias da Copa do Mundo. "Nós somos fortes e não temos medo de ninguém", afirma Dujkovic. Seu time tem de fato bons jogadores, preparo físico e uma defesa sólida. "Acompanhamos o jogo deles contra a República Checa e temos de ter todo o cuidado", diz o volante brasileiro Gilberto Silva. Para a felicidade de Parreira, a estrela do time, Michael Essien, do Chelsea londrino, foi suspensa por cartões amarelos e não jogará. Mas estarão em campo outros dois talentosos meio-campistas, Stephen Appiah e Sulley Muntari. Se passar por Gana, a seleção brasileira enfrentará o vencedor do confronto entre Espanha e França. Os favoritos são os espanhóis, uma das sensações da fase inicial, com um time que alia craques experientes.

 
 
 
 
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