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Especial Quando
o cérebro é o médico... ...e o monstro
O impacto das emoções e dos transtornos psíquicos sobre
a saúde orgânica é muito maior do que se supunha. A psique
é tão importante quanto a genética e o estilo de
vida no desenvolvimento e no tratamento das mais diversas doenças
 Anna
Paula Buchalla e Paula Neiva Otavio
Dias
 | EMOÇÕES
DESTRUTIVAS Por meio de sessões de psicoterapia,
a psicóloga brasiliense Lívia Borges descobriu que dificuldades
de relacionamento desencadearam uma disfunção da glândula
tireóide |
Durante
exames de rotina, em 1998, a psicóloga Lívia Borges, de 39 anos,
descobriu que os níveis dos hormônios de sua tireóide estavam
abaixo do normal. Foi um susto e uma surpresa. "Eu não me sentia doente",
lembra. Na consulta com um endocrinologista, veio o diagnóstico: hipotireoidismo.
Sua glândula funcionava num ritmo muito lento, e Lívia teria de tomar
remédios para o resto da vida. Foram cinco anos à base de hormônios
sintéticos. "Em 2003, resolvi fazer psicoterapia, porque minha vida não
estava nada boa", conta ela. Depois de seis meses de sessões, tudo começou
a ficar mais claro: "Eu me sentia constantemente agredida nos relacionamentos
pessoais. Eu entregava muito mais do que recebia, e essa troca desigual não
me fazia bem. Era assim no meu casamento, nas minhas amizades e na minha família".
Desvendados os mecanismos psíquicos que a levavam a comportar-se dessa
maneira, Lívia resolveu parar com os medicamentos. Hoje, sua tireóide
vai muito bem e sua cabeça idem. O hipotireoidismo era, como se costuma
dizer, de fundo emocional. Já se sabe que pelo menos 150 doenças
podem ser desencadeadas pelas aflições psicológicas de seus
portadores: das alergias de pele à bulimia, da infertilidade ao infarto,
do diabetes tipo 2 às disfunções glandulares, como aquela
que afligiu Lívia. Explicar o peso dos conflitos íntimos na gênese
e no tratamento dos mais diversos distúrbios representa um desafio. Desafio
que, agora, une médicos e psicólogos, lados antes muito conflitantes.
O reconhecimento, por parte dos primeiros, de que desequilíbrios de ordem
psíquica podem, sim, ter um impacto direto na saúde ampliou bastante
o campo de investigação da medicina psicossomática, a disciplina
que procura estabelecer uma relação de causa e efeito entre o que
vai pela mente e pelo corpo. O número de
pessoas que sucumbem fisicamente às suas próprias emoções
é enorme. De cada dez pacientes que procuram um médico pela primeira
vez, três apresentam queixas inexplicáveis na aparência, sem
nenhuma causa orgânica. Tais sintomas, esclarecem os psicólogos,
surgem exatamente para chamar a atenção para o sofrimento psíquico.
"Quando são apenas sinais, diz-se que o paciente está somatizando",
explica o psicanalista Roque Magno de Oliveira, professor da Universidade de Brasília.
O correto, então, é encaminhá-lo à psicoterapia e
pronto. Mas pode ocorrer de esse processo de somatização, detectável
durante uma consulta médica mais acurada, já ter causado males verificáveis
por exames clínicos e laboratoriais. Nesse caso, está diagnosticada
uma "doença de origem psicossomática", que precisa ser curada por
meio de remédios e tratamentos convencionais. O encaminhamento a um psicoterapeuta,
aqui, deve ser feito em paralelo. Não raro a atenção aos
transtornos psíquicos não só previne o surgimento de doenças
como ajuda no combate aos males orgânicos instalados por eles. Fotos
AP
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AUSTRÍACO E O INGLÊS Com os fundamentos
da psicanálise, Freud forneceu as bases para a estruturação
da medicina psicossomática, enquanto o físico Francis Crick (abaixo),
com suas pesquisas sobre a consciência, ajudou a desvendar o funcionamento
do cérebro |  |
A MENTE ABRE AS PORTAS PARA A DOENÇA É
um erro, porém, atribuir todos os males a origens psicossomáticas.
Essa visão equivocada é fruto de um certo "fundamentalismo psicológico"
e foi denunciada pela escritora americana Susan Sontag, que morreu em dezembro
de 2004, vítima de câncer. Na década de 70, quando recebeu
o diagnóstico de que tinha um tumor maligno no seio, Susan ouviu de muita
gente que o câncer era uma doença típica de pessoas com personalidade
cinzenta, que reprimiam suas emoções ou não as demonstravam
a contento. Os pacientes viam-se obrigados a arcar, assim, com um duplo peso:
o do próprio tumor e o da "culpa" por tê-lo criado em virtude de
um caráter pouco expansivo tese sem nenhum respaldo científico.
Inconformada, a escritora lançou-se a uma pesquisa histórica e constatou
que, antes de ser descoberto o bacilo deflagrador da tuberculose, essa infecção
pulmonar, um verdadeiro flagelo até o início do século XX,
era também creditada a um dado de personalidade: gente romântica
demais estaria mais afeita a contraí-la. Contra esse tipo de baboseira,
Susan escreveu um livro belíssimo, A Doença como Metáfora.
O que a ciência tem como certo é que
os transtornos psíquicos, sejam eles circunstanciais ou definidores da
personalidade, podem aguçar a propensão genética,
ambiental a determinadas doenças e distúrbios. Se 15% das
mulheres portadoras de genes mutantes como o BRCA 1 e o BRCA 2, diretamente associados
ao surgimento do câncer de mama, não desenvolvem a doença,
isso ocorre, segundo os especialistas, porque elas contam com uma espécie
de imunidade mental. "As experiências clínicas já mostraram
que, se existe uma predisposição genética, a doença
se manifestará em pacientes com maior instabilidade emocional", diz o psicanalista
Rubens Marcelo Volich, autor do livro Psicossomática de Hipócrates
à Psicanálise. Uma das perturbações
de ordem psicossomática mais comuns é a infertilidade feminina.
Muitas mulheres se angustiam (e a seus maridos) por não conseguir engravidar
tão rapidamente como amigas suas. Acossadas pela angústia, de forma
inconsciente tornam a concepção ainda mais difícil. O resultado
é que, depois de anos de tentativas e tratamentos infrutíferos,
boa parte delas desiste e parte para a adoção e eis que,
passado algum tempo no papel de mães adotivas, recebem a notícia
de que estão finalmente grávidas. Prova-se, dessa forma, que a dificuldade
tinha menos a ver com os ovários do que com o cérebro. "Exerço
a medicina há trinta anos e a cada dia me convenço mais do poder
da mente sobre a saúde", diz o ginecologista Paulo Serafini, do Huntington
Centro de Medicina Reprodutiva. A PSICOTERAPIA
E OS GOLS DE RONALDO
Antonio
Scorza/AP
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CÉREBRO VENCEU O TALENTO Ronaldo Fenômeno: a
pressão para brilhar na Copa do Mundo fez o corpo adoecer |
Recentemente,
o Brasil acompanhou apreensivo um processo que, tudo indica, é
de somatização. Pouco antes do primeiro jogo do Brasil na Copa do
Mundo que está em curso, o jogador Ronaldo reclamou de muita tontura. Entrou
em campo, teve uma atuação pífia contra a Croácia
e, na saída, continuou a queixar-se de tontura. Depois da partida, o camisa
9 foi submetido a uma endoscopia, para a detecção de uma eventual
gastrite. Os exames não acusaram nada. Aparentemente só há
uma explicação plausível para o piripaque de Ronaldo: pressão
demais. Não foi a primeira vez. Na Copa de 1998, na noite anterior à
final com a França, o jogador teve contrações nos músculos,
suou muito, sofreu uma convulsão e desmaiou sem que houvesse uma
justificativa orgânica para tanto. Casos como o de Ronaldo foram descritos
há mais de um século pelo austríaco Sigmund Freud, o pai
da psicanálise. Em um texto de 1895, Freud elencou os sintomas de uma perturbação
nervosa que chamou de neurose da angústia: ataques de suor, de bulimia
e de asma. Tremores, convulsões, tonturas. Palpitações, arritmias,
taquicardia e "até graves estados de debilidade do coração,
difíceis de diferenciar de uma doença orgânica", escreveu
Freud. Ronaldo deveria, portanto, procurar um psicoterapeuta.
Ao longo da história, vários autores relataram a influência
das emoções positivas e negativas sobre a saúde
(veja
quadro). A maior ou menor importância que se deu ao tema
variou conforme o pensamento e as descobertas científicas e tecnológicas
de cada período, num vaivém constante. O psiquiatra alemão
Johann Christian Heinroth defendeu no livro Desordens da Alma, de 1818,
a idéia de que as paixões sexuais contribuíam para o aparecimento
da tuberculose, da epilepsia e do câncer. Aliás, é dele o
termo "psicossomático" do grego psyché, mente, e sôma,
corpo. Foi somente a partir da década de 70, no entanto, que a aproximação
entre a medicina e a psicologia se estreitou, e a área psicossomática
começou a ganhar reconhecimento científico. O "fundamentalismo psicológico"
denunciado por Susan Sontag atrasou o progresso de um campo da medicina que só
agora reclama sua posição no mundo científico. As evidências
físicas do entrelaçamento de mente e corpo são extraordinárias.
Sabe-se, por exemplo, que as vísceras (coração, pulmões,
rins, fígado e estômago) e todas as glândulas são comandadas
por feixes de nervos dos sistemas simpático e parassimpático. Eles
devem conviver em equilíbrio constante. Ou seja, quando um é estimulado,
o outro é desestimulado. Os sintomas dessa concertação são
conhecidíssimos por todos, médicos e leigos. O estímulo do
sistema simpático mobiliza o organismo, aumentando a respiração,
a freqüência dos batimentos cardíacos e a pressão arterial.
Como conseqüência dessa excitação, o sistema inibe outras
funções, em especial a digestão. Por essa razão, os
exercícios físicos extenuantes são um risco depois de fartas
refeições. O exemplo acima é de funcionamento normal do sistema.
Ocorre que uma sobrecarga de emoções constantes ou de stress diário
pode submeter o sistema de nervos a um ritmo de ajustes que ele não consegue
acompanhar. Resultado: doenças digestivas provocadas por causas externas.
Sabe-se também que diversas neuroses de baixa intensidade são acompanhadas
de distúrbios físicos dos órgãos comandados pelos
sistemas simpático e parassimpático.
O PODER DAS PALAVRAS SOBRE A SAÚDE O trabalho dos
americanos Bob Ader e Nick Cohen foi fundamental para elucidar ainda mais essas
inter-relações. Eles mostraram que, mediante um estímulo
externo, o sistema imunológico pode ser "ensinado a se anular". Ader e
Cohen misturaram sacarina a um remédio anticâncer, que naturalmente
baixa as defesas do organismo, e administraram o coquetel em ratos de laboratório.
Depois de repetir o procedimento diversas vezes, eles ofereceram apenas sacarina
às cobaias. Pois bem, mesmo sem a adição do medicamento,
elas registraram uma baixa no sistema imunológico. Seu cérebro obedeceu
a uma sugestão, obtida por meio de condicionamento. A conclusão
dos pesquisadores: se algumas conexões de neurônios podem enfraquecer
as defesas do corpo, existem aquelas que também servem para aumentá-las.
Com esse experimento, explicou-se, por via inversa, o efeito placebo, descrito
pela primeira vez cerca de três décadas antes. O efeito placebo é
a melhora do paciente tratado à base de remédios inócuos.
"Uma série de fatores propicia o efeito placebo. De todos eles, o mais
importante é a expectativa do paciente", disse o médico canadense
Grant Thompson, professor da Universidade de Ottawa e autor do livro The Placebo
Effect and Health, em entrevista à repórter Giuliana Bergamo.
"Não é uma pílula de farinha ou de açúcar que
faz um paciente melhorar, e sim o que esse paciente espera dela. Diversos estudos
já mostraram que, quando se acredita na eficácia do tratamento,
ele funciona muito mais." Uma pesquisa fascinante
acerca das benesses das emoções positivas sobre a saúde orgânica
foi conduzida por estudiosos da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos.
Por quinze anos, eles acompanharam 678 freiras, com idade acima de 75 anos. Interessados
em estudar a doença de Alzheimer, avaliaram a história pessoal e
médica de cada uma delas. Ao analisarem diários escritos pelas religiosas
quando elas eram bem jovens, os pesquisadores perceberam que as que utilizavam
em seus relatos uma maior quantidade de palavras ligadas a emoções
positivas como felicidade, amor, gratidão e esperança
haviam chegado com mais saúde à velhice do que as que costumavam
usar grande número de vocábulos com significados negativos
como tristeza, indecisão e vergonha.
O "EU INTERIOR" APAGADO NO LABORATÓRIO Para o reconhecimento
da psicossomática, deu-se um passo decisivo na década de 90, com
o surgimento de máquinas capazes de flagrar o cérebro em pleno funcionamento.
Graças a esses aparelhos, conseguiu-se verificar que as emoções
e as sensações são fenômenos físicos, que ocorrem
em lugares específicos do cérebro. Para desilusão dos metafísicos,
a ligação mente/corpo não é etérea, mas quase
palpável. Na década de 90, o físico inglês Francis
Crick (1916-2004), o gênio da dupla Crick-Watson que descobriu a forma de
hélice do DNA, deu um passo gigantesco na aproximação de
corpo e mente. Crick classificou os pensamentos e emoções de acordo
com as ondas cerebrais que produziam. A alegria e a tristeza, o doce e o amargo,
o claro e o escuro são sensações que produzem registros de
ondas cerebrais tão distintas quanto as impressões digitais. De
todas as medidas de Francis Crick, a mais estupenda foi a da freqüência
da onda que o cérebro dos seres humanos utiliza para definir a consciência
ou seja, a individualidade, o dom de saber que você é você
e o outro é o outro. A autoconsciência, descobriu Crick, é
expressa por ondas cerebrais de 40 hertz. Em experimentos de laboratório
Crick conseguiu algo antes inimaginável. Com a ajuda de eletrodos, o gênio
do DNA banhou o cérebro de alguns voluntários com ondas de 40 hertz
de picos invertidos. As ondas simétricas que os eletrodos de Crick injetaram
no cérebro dos voluntários anularam as ondas da autoconsciência.
Resultado: os voluntários continuaram com as mesmas habilidades mentais
que possuíam (jogar xadrez ou falar idiomas, por exemplo), mas não
mais sabiam quem eram. Seu "eu interior", com toda a riqueza de amores, emoções
e auto-estima, foi momentaneamente anulado por um mero impulso elétrico
externo. Os pesquisadores estão empenhados
agora em deslindar melhor as relações entre o sistema nervoso central
e o imunológico e endocrinológico. Eles não têm mais
dúvidas de que a comunicação de hormônios, moléculas
e células de defesa pode sofrer influência direta da psique. Erros
nessa comunicação podem levar ao surgimento de doenças auto-imunes,
como alergias, e infecções de todos os tipos. Também podem
causar fobias, pânico e depressão. "Nós estamos começando
a entender a relação de interdependência entre o cérebro
e o sistema imunológico como eles ajudam um ao outro a se manter
equilibrados e como o mau funcionamento entre ambos produz doenças", disse
a VEJA a médica americana Esther Sternberg, uma das principais pesquisadoras
em medicina psicossomática, autora do livro The Balance Within: the
Science Connecting Health and Emotions (em português, algo como O Equilíbrio
Interno: a Ciência Conectando a Saúde e as Emoções).
Entre as alternativas psicológicas que comprovadamente
ajudam a evitar doenças e aceleram a recuperação física
estão a psicanálise, a meditação e as terapias cognitivas
comportamentais. Estas últimas sofreram impulso nos últimos anos,
pelo fato de proporcionarem bem-estar de maneira rápida. O que importa,
para seus seguidores, é ensinar o paciente a evitar a cadeia de reações
emocionais que leva o corpo a responder com sintomas físicos. A meditação,
por sua vez, visa a acalmar a mente das atribulações cotidianas.
O estudo mais recente nesse campo submeteu pacientes cardíacos à
técnica e comprovou que eles se beneficiaram de uma redução
da pressão sanguínea. A hipótese é que a meditação
modula a resposta do sistema nervoso ao stress. Nenhuma dessas duas técnicas,
no entanto, age na raiz dos problemas psíquicos ou seja, a história
pessoal de cada um e os conflitos causados por ela. Esse papel cabe à psicanálise,
que demanda tempo, disposição e dinheiro para que o paciente se
aventure na tortuosa via do autoconhecimento. O
caminho para a psicossomática está aberto em definitivo, graças
à associação entre médicos e psicólogos. Mas,
apesar de todas as descobertas, ainda há muito por trilhar. Uma doença
não é um episódio único. É fruto de uma história
de vida. Sabe-se que há fatores ambientais e genéticos que são
decisivos no aparecimento de uma doença entre eles, idade, fumo,
obesidade, sedentarismo. Qual o peso, contudo, de um luto no sistema imunológico
de uma pessoa? Como medir quanto uma separação conjugal debilita
o organismo? O poder da sugestão mental sobre a saúde foi objeto
de uma frase famosa do escritor francês Stendhal, autor do clássico
O Vermelho e o Negro. Ele afirmou que "nomear uma doença é
apressar-lhe o progresso". O contrário nomear uma cura para que
a saúde se restabeleça é uma hipótese que pertence
tão-somente ao terreno da religião. O que os cientistas acreditam
é que, num futuro não tão distante, será possível
auscultar o cérebro para evitar que doenças atravessem a alma e
desintegrem o corpo.
E O BEBÊ CHEGOU Otavio
Dias de Oliveira
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"Eu e Sylvio estávamos casados havia dez anos e eu
não conseguia engravidar de jeito nenhum. Fiz vários tratamentos
de fertilidade, mas acabei tendo uma gravidez tubária de gêmeos.
Passei por duas cirurgias por causa desse problema. Decidimos, então, adotar
uma criança. Meu desejo de ser mãe sempre foi muito grande. No dia
em que fui levar os papéis da adoção para a Justiça,
percebi que estava com a menstruação atrasada. Eu estava grávida!
E sem ter feito nenhum tratamento. Quando meu primeiro filho, o Sylvio, chegou,
eu já estava grávida de cinco meses do Rafael. Os dois hoje têm
a mesma idade. Um ano depois, veio a Thais, também de uma gravidez natural.
Lembro-me de ter ouvido do meu médico na época: 'Olha só
o poder que tem a mente!'." Ana Lucia
Neves de Oliveira, 42 anos, funcionária pública,
de São Paulo, com o marido, Sylvio, e os filhos Sylvio, Rafael e Thais
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ALÍVIO NA PSICOLOGIA As
técnicas que comprovadamente minoram os sintomas psicossomáticos
e serenam as emoções Psicanálise
O método criado pelo neurologista austríaco Sigmund Freud (1856-1939)
requer um paciente disposto a mergulhar em sua história pessoal. De todos
os métodos para o tratamento das perturbações psicossomáticas,
a psicanálise é a que vai mais fundo na exploração
dos conflitos íntimos. Por isso, também é a mais longa (geralmente
se estende por anos) e a que exige mais disponibilidade do paciente. Já
se mostrou que, depois de alguns anos de sessões, a psicanálise
é capaz de alterar a química cerebral, assim como os remédios
Meditação A prática
regular da meditação reduz os sintomas somáticos, medos e
fobias por meio do controle da ansiedade. Estudos recentes mostram que a meditação
afeta diretamente a função e a estrutura do cérebro, com
repercussão no resto do organismo a melhora do sistema imunológico,
por exemplo. Meditar reduz o consumo de oxigênio, regula a respiração,
desacelera os batimentos cardíacos e diminui a pressão arterial
Terapia Cognitivo-Comportamental Também
chamada de terapia breve, é uma espécie de tratamento psicológico
de choque. Ganhou força nos anos 90, com o sucesso no tratamento de fobias.
De lá para cá, passou a ser aplicada para o tratamento de sintomas
específicos causados sobretudo por reações de stress, como
taquicardia, tonturas e falta de ar. Essa terapia não se destina ao autoconhecimento,
como a psicanálise. Seu objetivo é apenas cancelar a cadeia de reações
físico-mentais que são sintomas de somatização. Em
casos de ansiedade generalizada, sua eficácia é de 80% Coaching
É a última novidade no tratamento dos sintomas psicossomáticos.
Parte do princípio de que a duração e o grau de severidade
de um sintoma podem ser mudados com alterações no estilo de vida
e no modo de pensar do próprio paciente. Um psicólogo age como um
treinador, estabelecendo metas a serem cumpridas e desafios a serem vencidos.
É uma espécie de adaptação dos conselhos de auto-ajuda
para a prática psicoterápica
Fontes: José Roberto Leite, psicólogo, e Rubens Volich, psicanalista
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PENSAMENTO E AÇÃO Duke
University/Jim Wallace/AP
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BRASILEIRO NICOLELIS: estudo com macacos que comandaram
braços robóticos usando ondas cerebrais |
Em 2004, o neurocientista paulista Miguel Nicolelis foi eleito pela Scientific
American, a revista de divulgação científica mais importante
do mundo, um dos cinqüenta líderes mundiais da ciência. Seu
feito: conseguir que macacos controlassem braços mecânicos usando
apenas ondas cerebrais. Não há nada de paranormal no experimento
de Nicolelis. A equipe do brasileiro, que dirige o laboratório de neurofisiologia
da Universidade Duke, nos Estados Unidos, usou impulsos elétricos do cérebro
dos primatas para mover as próteses. Uma delas estava no laboratório.
A outra estava a quase 1 000 quilômetros de distância, no Instituto
de Tecnologia de Massachusetts, em Boston. Para conseguir isso, Nicolelis implantou
eletrodos no cérebro dos animais e registrou num computador a atividade
elétrica nas áreas responsáveis pelos movimentos de seus
braços. Os macacos ficavam ligados a esse computador por fios com diâmetro
menor que o de um fio de cabelo. Quando eles moviam os braços, a prótese
mecânica, também conectada ao computador, realizava movimentos semelhantes.
A máquina estava conectada via internet à outra, instalada em Boston.
Dessa forma, quando os macacos se mexiam, também acionavam o segundo braço.
O estudo que alçou o brasileiro ao estrelato
do mundo científico foi publicado no ano 2000. Há dois anos, fez-se
uma experiência semelhante com humanos. Os cientistas desenvolveram um processo
capaz de captar o conjunto de sinais emitidos por centenas de neurônios,
simultaneamente, no momento em que uma pessoa realiza um movimento. Comandos feitos
por meio de ondas cerebrais são a esperança sobretudo dos deficientes
incapazes de movimentar partes do corpo. Num futuro não muito distante,
espera-se, eles poderão mover braços e pernas robóticos por
meio desse expediente. Compreender os mecanismos
que determinam os movimentos e buscar uma forma de codificá-los em linguagem
digital é apenas uma das muitas frentes da ciência no esforço
de decifrar o funcionamento do cérebro. Muito se tem avançado nesse
campo nos últimos anos. Tamanho é o interesse pelo cérebro
que é comum ver as mais diferentes áreas trabalhando juntas
da física e da engenharia à psiquiatria e à neurologia. O
experimento na Universidade Duke é um exemplo dessa conjugação
de esforços. | | |