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Televisão
O
Big Brother sou eu
O
carioca Boninho se firma como
o guru dos reality shows no país

Marcelo
Marthe
Oscar Cabral
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Divulgação
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| Boninho
e as participantes do último Big Brother: quem
não obedece fica de castigo |
Se
depender do carioca J.B. de Oliveira o Boninho, diretor do
Big Brother Brasil , uma tarefa aguarda os participantes
da próxima edição do programa: eles serão
obrigados a ler o livro 1984, do inglês George Orwell,
que inspirou o nome da atração. Na obra, há
uma entidade conhecida como Grande Irmão, que tudo vê
e a todos controla. "Quero deixar claro que há um Grande
Irmão no comando do programa", diz Boninho. Como uma de suas
atribuições é vigiar, dar ordens e reprimir
os concorrentes desde os bastidores, quem desempenha esse papel
no pedaço, claro, é o próprio diretor. Hoje,
o domínio desse Grande Irmão se estende para além
da casa do Big Brother. Boninho tornou-se referência
na Rede Globo quando o assunto é reality show. "O segredo
é incentivar o tempo todo a participação do
público, pois o brasileiro adora isso, e dar um ar de novela
às tramas que surgem durante o programa", diz Boninho. Filho
de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-todo-poderoso
da Globo, o novo guru dos reality shows se criou nos corredores
da emissora. Mas sua carreira deslanchou mesmo há
quatro anos, quando produziu o primeiro sucesso desse gênero
no país, No Limite. Boninho amargou, é verdade,
um fracasso no ano passado: O Jogo, uma mistura insossa de
dramaturgia e reality show. Mas Big Brother eclipsou a derrapada,
e manteve seu cacife em alta. Ele acaba de receber uma nova missão:
dirigir a terceira edição da gincana musical Fama
e implementar várias mudanças no formato da atração,
que deve estrear em junho.
Como
diretor do Big Brother, Boninho comanda duas etapas cruciais
na criação do reality show: a escolha dos concorrentes
e a seleção do que vai ao ar. Boninho jura que certos
detalhes picantes sobre o elenco da recém-encerrada quarta
versão do programa eram ignorados pela produção.
Por exemplo, a detenção da participante Juliana na
adolescência, por porte de drogas, e o fato de que a argentina
Antonela teria em seu currículo uma peça pornô.
"Se a participante fosse honesta o suficiente para dizer que
é garota de programa ou que foi presa por causa de entorpecentes,
é claro que ela não entraria no Big Brother",
afirma ele. Em vez de investigar esse tipo de coisa, a seleção
se concentra em outros tópicos: os candidatos passam por
uma bateria de exames que inclui teste de HIV. Quanto à edição,
o diretor não se abala com as acusações dos
eliminados que se dizem prejudicados pela forma como são
mostrados. "Esse papo de perdedor é clássico. Se as
pessoas nas ruas identificam fulano como chato ou sicrana como barraqueira,
vamos realçar isso", diz.
O
elenco do último Big Brother se destacou pelo pendor
para a baixaria. Sabe-se que isso incomodou a cúpula da Globo
em pelo menos um momento: foi solicitado a Boninho mais pudor ao
mostrar os amassos entre Juliana e o lutador Marcelo. "O nosso Big
Brother é fichinha perto da versão alemã,
que é pura fornicação", comenta o diretor.
O elenco também se destacou pela rebeldia. Em várias
ocasiões, Boninho, o Grande Irmão, teve de entrar
em cena. Durante uma aparição no programa, a apresentadora
Ana Maria Braga propôs aos participantes o desafio de colocar
um ovo cozido numa garrafa. "A Ana Maria falou mais do que devia",
diz o diretor. Irritado, ele pediu que os participantes esquecessem
a história do ovo. Eles não esqueceram. Às
3 e meia da manhã, botavam fogo numa garrafa cheia de álcool.
Boninho ordenou que a brincadeira acabasse e anunciou, como castigo,
o cancelamento de uma festa. "Os senhores são malucos incendiários",
ralhou.
Em
sua adolescência, no fim dos anos 70, Boninho já dirigia
clipes para o Fantástico. "Ser filho do Boni me permitiu
pular etapas", reconhece. No trabalho, colecionou desafetos como
o diretor Daniel Filho. É atribuída a este último
a frase "O Boni fez muita coisa boa, mas também fez o Boninho".
A antipatia é uma via de mão dupla. Quando seu pai
se desligou da Globo, em 1997, o diretor passou por sua fase mais
difícil na emissora, que incluiu um período na geladeira.
Com o sucesso de No Limite, isso começou a mudar.
Boninho casou-se pela primeira vez, aos 21 anos, com a socialite
Narcisa Tamborindeguy. A união durou pouco e ele não
gosta de falar no assunto. "Se Narcisa tem mágoa de mim,
que guarde para ela", diz. O diretor tem uma filha de 19 anos com
ela e um filho de 8 anos de seu segundo casamento. Aos 42, está
casado pela terceira vez, com a atriz Ana Furtado. O stress do Big
Brother teve um efeito visível sobre sua silhueta: no
último programa, ele engordou 10 quilos atualmente,
pesa 97. Alguém vai encarar o Grande Irmão?
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De
ambulante a superprodutor
Nenhum produtor personifica o sucesso dos reality shows
como Mark Burnett. Esse inglês de 43 anos, radicado
na Califórnia, conquistou um latifúndio
na TV americana. Até quinze dias atrás,
duas das três maiores audiências do país
tinham sua grife: The Apprentice, estrelado pelo
bilionário Donald Trump e cuja final foi ao ar
no dia 15, e Survivor: All-Stars. Esse último
é o oitavo de uma série que se iniciou
em 2000 com Survivor, primeiro grande sucesso
do gênero nos Estados Unidos. Matriz do brasileiro
No Limite, é uma gincana disputada num
lugar selvagem. Burnett que já ganhou
a vida como vendedor ambulante de camisetas numa praia
californiana figura na lista das 100 pessoas
mais influentes do mundo recém-publicada pela
revista Time. É tido como uma usina de
idéias e conhecido pelo poder de persuasão.
Exemplo: abordou Trump pela primeira vez mesmo sem conhecê-lo,
aproveitando a deixa de uma gravação numa
de suas propriedades. O empresário, que já
dissera não a outras propostas de reality shows
sobre sua vida, rendeu-se a suas idéias. "Burnett
é um visionário", diz Trump.
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