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Música
Prince
está de volta à Terra
O
cantor deixa de lado as excentricidades
e retoma a boa forma no CD Musicology

Sérgio
Martins
Boa
notícia: aos 45 anos, Prince voltou à Terra. Depois
de perder uma década numa espécie de universo paralelo,
cheio de excentricidades, o cantor americano dá mostras de
querer recuperar o espaço de destaque que ocupou por tanto
tempo no mundo pop. A reentrada na atmosfera ocorreu em fevereiro,
durante o Grammy, o maior prêmio da indústria fonográfica
americana. Prince subiu ao palco com a cantora Beyoncé, grande
musa do soul na atualidade, e fez uma apresentação
eletrizante. Agora, novamente associado a uma gravadora internacional
algo que não acontecia desde que ele rompeu um contrato
de 100 milhões de dólares com a Warner, em 1996 ,
Prince lança o CD Musicology (Sony). Com canções
bem-acabadas como havia muito tempo ele não gravava, o disco
faz lembrar por que Prince já foi campeão de vendagens,
e aclamado como um dos músicos mais inventivos da história
do pop.
Prince
começou a desgarrar-se em meados dos anos 90, em meio a sua
briga com a Warner. O ponto central na querela foi o fato de a gravadora
rejeitar um projeto megalomaníaco do cantor: lançar
simultaneamente 450 músicas. Enquanto tentava rescindir seu
contrato, Prince surgia em público com a palavra "slave"
(escravo) pintada no rosto. Além disso, ele substituiu o
nome por um símbolo, obrigando a imprensa a chamá-lo
de "artista anteriormente conhecido como Prince". Na vida íntima,
uma tragédia aconteceu. Prince teve um filho que morreu logo
após o nascimento. A perda destruiu seu casamento com a dançarina
Mayte Garcia-Nelson. Depois disso, Prince abandonou-se a maluquices,
como submeter as namoradas a "sessões de telepatia". Enquanto
isso, o músico perdia contato com o público. Seus
discos já não tinham o mesmo vigor e ele deixou de
emplacar sucessos. Houve quem dissesse que competia com Michael
Jackson pelo posto de artista mais perturbado dos Estados Unidos.
Uma comparação injusta, é claro. Os desatinos
de Jackson fizeram com que deformasse o rosto e, na quarta-feira
passada, com que fosse indiciado por pedofilia pela Justiça
da Califórnia. As loucuras de Prince sempre foram inofensivas
e, vê-se agora, mantiveram intacta sua capacidade de criar
e entreter.
Na
canção Life 'O' the Party, de Musicology,
Prince responde àqueles que o compararam a Jackson. "Minha
voz está cada vez melhor, e eu nunca fiz plástica
no nariz", canta ele. O álbum não está repleto
de novas idéias como Purple Rain (1984) ou Sign
O' the Times (1987), mas tem sons empolgantes o bastante para
explicar por que ídolos jovens como os do duo OutKast reverenciam
Prince. Nas letras, uma diferença é sensível:
o teor sexual baixou. É que Prince se tornou testemunha-de-jeová,
daqueles que pregam de porta em porta o que ele fez recentemente
em sua cidade natal, Minneapolis. Por causa da conversão,
ele substituiu as letras que falavam sobre masturbação
e sexo casual pelas que falam sobre casamento. É o caso de
Reflection, com um dos versos mais singelos da carreira do
cantor: "Será que lembramos de aguar as plantas hoje?"
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