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Cinema
Pior
que a
morte
Assim
era a vida sob
o regime
do Talibã,
diz Osama

Isabela
Boscov
Num
país que ainda nem começou a se reerguer de seus escombros,
como o Afeganistão, é surpreendente que se consiga
mobilizar recursos para rodar um filme e é essa singularidade
a principal recomendação de Osama (Afeganistão/Irlanda/Japão,
2003), que estréia nesta sexta-feira no país. O drama
do diretor Siddiq Barmak se passa no momento em que os fanáticos
do Talibã tomam o poder e, entre outras coisas, proíbem
as mulheres de sair à rua desacompanhadas de um homem da
família. Com seu irmão e seu marido mortos
o primeiro na guerra com os russos, o segundo pelos extremistas
, uma enfermeira não vê outra saída que
não vestir sua filha de garoto, para que ela possa trabalhar.
Rebatizada de Osama, a menina vive dias de terror: não tem
a menor idéia de como um homem deve se comportar e está
sempre na iminência de ser desmascarada e, portanto,
executada. O que o diretor quer mostrar é que existem destinos
piores do que a morte em países sufocados pelo extremismo
religioso. O resultado, ainda que competente, tem um quê de
oportunista e também de artificial, na sua cópia do
cinema iraniano. Lembra muito o recente Baran, também
sobre uma moça nessa contingência, mas sem o lirismo
e a agudeza que tornam a cinematografia do Irã tão
vigorosa.
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