Edição 1851 . 28 de abril de 2004

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Cinema
Pior que a morte

Assim era a vida sob o regime
do
Talibã, diz Osama


Isabela Boscov

Trailer do filme

Num país que ainda nem começou a se reerguer de seus escombros, como o Afeganistão, é surpreendente que se consiga mobilizar recursos para rodar um filme – e é essa singularidade a principal recomendação de Osama (Afeganistão/Irlanda/Japão, 2003), que estréia nesta sexta-feira no país. O drama do diretor Siddiq Barmak se passa no momento em que os fanáticos do Talibã tomam o poder e, entre outras coisas, proíbem as mulheres de sair à rua desacompanhadas de um homem da família. Com seu irmão e seu marido mortos – o primeiro na guerra com os russos, o segundo pelos extremistas –, uma enfermeira não vê outra saída que não vestir sua filha de garoto, para que ela possa trabalhar. Rebatizada de Osama, a menina vive dias de terror: não tem a menor idéia de como um homem deve se comportar e está sempre na iminência de ser desmascarada – e, portanto, executada. O que o diretor quer mostrar é que existem destinos piores do que a morte em países sufocados pelo extremismo religioso. O resultado, ainda que competente, tem um quê de oportunista e também de artificial, na sua cópia do cinema iraniano. Lembra muito o recente Baran, também sobre uma moça nessa contingência, mas sem o lirismo e a agudeza que tornam a cinematografia do Irã tão vigorosa.

 
 
 
 
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