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Riqueza
O
bilionário russo que
conquistou a Inglaterra
Roman
Abramovich, dono
de time
de futebol
inglês, está
saindo de
fininho
da Rússia

Diogo Schelp
AP
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| O
magnata na província de Chukotka, onde é governador:
a atividade mais importante lá é a criação
de renas |
Os torcedores do Chelsea costumavam ser dos mais violentos e nacionalistas
da Inglaterra, verdadeiros hooligans. O comportamento mudou nos
últimos meses. As tradicionais canções xenófobas
foram substituídas, durante as partidas, por uma música
popular russa, a Kalinka, cantada com a embromação
natural de quem não sabe nada da língua. Em seguida,
os fãs gritam em uníssono: "Estamos cheios da grana!"
O responsável por essa transformação é
o bilionário russo Roman Abramovich, de 37 anos, o homem
mais rico da Inglaterra, segundo o ranking divulgado na semana passada
pelo jornal Sunday Times. Abramovich, um oligarca do setor
petrolífero com patrimônio pessoal de 13,5 bilhões
de dólares, desbancou o duque de Westminster, nobre que liderava
a lista havia três anos. Apesar de não ser inglês,
ele entrou no ranking porque, desde que comprou o Chelsea por 250
milhões de dólares, em julho de 2003, passou a viver
a maior parte do tempo na Inglaterra. No início, os torcedores
desconfiaram daquele estrangeiro jovem, podre de rico e com a barba
sempre por fazer. Depois que ele gastou 200 milhões de dólares
para montar uma boa equipe e conseguiu colocar o Chelsea no topo
do campeonato inglês, a desconfiança virou admiração.
O
time de futebol é uma parcela minúscula dos negócios
de Abramovich. Dono de empresas de petróleo, alumínio
e automóveis, seu patrimônio cresce a uma taxa de 785
milhões de dólares por ano, ou 89.000
dólares por hora. É um dos poucos bilionários
da Rússia os oligarcas, como são chamados pelos
russos poupados da ira do presidente Vladimir Putin, que
vem promovendo uma verdadeira campanha contra os super-ricos do
país. No ano passado, o empresário do petróleo
Mikhail Khodorkovsky, o homem mais rico da Rússia, foi preso
por fraude e evasão fiscal. A prisão foi uma represália
política a Khodorkovsky, que financiou a oposição
a Putin. Em 2000, o magnata Boris Berezovsky já havia sido
obrigado a fugir para a Inglaterra depois de ter sua prisão
decretada sob a acusação de crimes fiscais. Com o
controle que possuía sobre os principais meios de comunicação
da Rússia, ele ameaçava o poder de Putin. Outros dois
oligarcas russos vivem no exílio pelo mesmo motivo. Diferentemente
deles, Abramovich adotou a tática sensata de não contrariar
o todo-poderoso presidente russo. Mas ele sabe que um dia o vento
pode deixar de soprar a seu favor. Por isso, está tratando
de colocar a salvo seu patrimônio investindo no exterior.
AFP
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| Beckham
com a camisa do Real Madrid: 30 milhões de dólares
por ano |
No ano passado, Abramovich vendeu parte de suas empresas na Rússia
e transferiu o dinheiro para a Inglaterra. A jornalistas ingleses,
ele admitiu que se preocupa com as incertezas políticas na
terra natal. "O problema é que nós não vivemos
em um país livre. Aqui não se permite às pessoas
gastar seu dinheiro do jeito que elas querem", disse Abramovich.
O magnata encontrou na Inglaterra um bom país para usufruir
sua fortuna. Comprou um Boeing para uso particular, um iate de 128
milhões de dólares, um apartamento no bairro mais
luxuoso de Londres e uma propriedade no campo com um haras de 100
cavalos, onde passa os momentos de descanso com a esposa, Irina,
e os cinco filhos. Inspirados em seu exemplo, outros ricaços
russos estão se mudando para Londres. No ano passado, de
cada quinze imóveis de mais de 700.000
dólares vendidos na capital inglesa, um teve como comprador
um cidadão russo.
Abramovich
tem não só dinheiro, mas também tempo de sobra.
Além de assistir pessoalmente à grande maioria das
partidas do Chelsea e de cuidar de seu enorme patrimônio,
exerce o cargo de governador da depauperada província Chukotka,
nos confins orientais da Sibéria. Lá vivem apenas
75.000 pessoas, na maioria criadores
de rena ou caçadores de morsa. Foi eleito com 92% dos votos.
O oligarca tirou 200 milhões de dólares do próprio
bolso para construir escolas e centros culturais para a população
e conseguiu facilidades fiscais para as empresas que se instalassem
ali. O consórcio petrolífero do qual é acionista,
o Sibneft, é um dos favorecidos pelas isenções
de impostos. Foi com malandragens como essa que Abramovich enriqueceu.
Filho
de ucranianos, ficou órfão aos 4 anos e foi criado
por um tio. Começou a carreira aos 21 com uma empresa que
produzia bolas e patinhos de plástico. Em seguida, passou
a negociar com derivados de petróleo na recém-aberta
bolsa de valores russa. Nessa época, foi interrogado sobre
o roubo de 55 vagões de trem repletos de petróleo.
Os investigadores não conseguiram estabelecer uma ligação
dele com o crime. Em 1995, com a ajuda do oligarca Berezovsky, ficou
amigo do presidente Boris Ieltsin e fez parte do grupo de empresários
que comprou a preço de banana as principais empresas estatais
da ex-União Soviética. A maior parte da população
russa odeia seus oligarcas justamente pela maneira como enriqueceram.
Por isso, Abramovich está preparando seu refúgio no
Ocidente, caso a caça aos super-ricos se intensifique. "Ele
é o único bilionário na Rússia que vendeu
mais propriedades do que comprou, nos últimos tempos", diz
o economista russo Yakov Pappe, especialista em oligarquia pós-soviética.
Enquanto estiver usando seu dinheiro para investir no futebol, os
torcedores do Chelsea estarão felizes.
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No
ranking dos clubes de futebol mais valiosos do mundo,
preparado pela revista americana Forbes, só
dá Europa. A lista foi elaborada com base no
patrimônio do clube somado a sua capacidade de
gerar renda. Não leva em conta as dívidas
existentes. As ligas e os clubes europeus faturam não
só com a venda de jogadores e de ingressos, mas
principalmente com a venda dos direitos para transmissão
de jogos pela televisão e com o licenciamento
de produtos, a fonte de renda que mais cresce. Com torcedores
até na China, times como o inglês Manchester
United o número 1 entre os clubes milionários
ganham para colocar sua marca em garrafas de
uísque, cuecas, motocicletas, perfumes e centenas
de outros produtos. O espanhol Real Madrid já
vendeu mais de 1 milhão de camisas com o nome
de David Beckham, o meia inglês contratado no
ano passado. Beckham, que fatura 30 milhões de
dólares ao ano em salários e patrocínios,
é o jogador mais bem pago da atualidade. "Desde
que o futebol se transformou em indústria do
entretenimento, o desafio dos times passou a ser conseguir
um equilíbrio entre o bom desempenho financeiro
e o sucesso dentro de campo", disse a VEJA o americano
Franklin Foer, autor do livro Como o Futebol Explica
o Mundo: uma Improvável Teoria da Globalização,
que será lançado em julho nos Estados
Unidos.
Os
clubes brasileiros ainda não conseguiram transformar
o torcedor em consumidor, por isso não aparecem
na lista dos mais valiosos. Existe no Brasil a crença
de que futebol é um bem público. O torcedor
resiste em pagar mais pelos ingressos ou pelos produtos
oficiais. O futebol nacional sofre com a má gestão
dos clubes e gasta mais do que arrecada. Esse problema
se repete mesmo nos times mais ricos do mundo. Na Itália,
os gastos com jogadores ultrapassam em 25% o total arrecadado
em uma temporada. Resultado: o futebol italiano, que
movimenta por ano o equivalente a 3,5 bilhões
de reais, tem uma dívida total de 7 bilhões
de reais. O Roma, 14º da lista dos mais valiosos
da Forbes, por exemplo, está afundado
numa dívida de 300 milhões de dólares.
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