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Pobreza
Os
países que estão
vencendo a pobreza
O
Banco Mundial revela que a proporção
de pessoas que vivem com menos de 1 dólar
por dia caiu pela metade em vinte anos

Lucila
Soares
Entre
1981 e 2001, o Leste da Ásia tirou da pobreza extrema 480
milhões de pessoas. No mesmo período, na África
Subsaariana, agregou ao batalhão de miseráveis do
planeta 150 milhões de seres humanos. Esses dois extremos
são os destaques do relatório do Banco Mundial sobre
o desenvolvimento, divulgado na semana passada. Mas é da
América Latina que emerge uma das questões mais interessantes
do documento, cujos pontos mais importantes estão no
quadro. Não é difícil entender que
a redução da pobreza no Leste da Ásia esteja
associada a um crescimento econômico que triplicou a renda
per capita (na China, quintuplicou). Também não espanta
que, abandonada à própria sorte, a África Subsaariana
não tenha rompido o ciclo de guerras, epidemias e fome que
a vem destruindo desde os anos 60. Difícil é compreender
por que a América Latina não reduziu a pobreza extrema,
tendo a mais alta renda per capita entre as regiões em desenvolvimento
e uma proporção de gente que vive com menos de 1 dólar
por dia inferior a 10%. Pior, no entanto, é constatar que
a região faz um diagnóstico terrivelmente equivocado
de suas mazelas. Outra pesquisa, da ONU, também divulgada
nos últimos dias, mostrou que mais da metade dos latino-americanos
aceitaria um regime autoritário que resolvesse os problemas
econômicos.
Os
dois relatórios mostram a América Latina numa perigosa
encruzilhada. Como os governos democráticos não têm
conseguido responder aos anseios por crescimento e emprego, a população
desesperançada da região afirma que toparia retomar
a rota do autoritarismo. Uma falsa e perigosa solução
que preocupa os democratas e assanha os que, à direita
e à esquerda, são saudosos de regimes de força.
O diretor do Banco Mundial para o Brasil, Vinod Thomas, lembra que
a América Latina teve grandes avanços a partir dos
anos 90, quando domou a inflação e promoveu reformas
que melhoraram sua inserção na economia global. Agora
está na hora de agregar à estabilidade macroeconômica
medidas para retomar o crescimento como investimentos em
infra-estrutura e apoio às pequenas e médias empresas.
Além disso, é preciso investir pesadamente na educação,
que foi o grande trunfo dos países asiáticos. As regiões
mais pobres, entretanto, precisam de apoio dos países ricos.
Ao divulgar o relatório, o presidente do Banco Mundial, James
Wolfensohn, orçou em 1,3 bilhão de dólares
a necessidade de ajuda internacional, entre defesa, agricultura
e ajuda humanitária. "Se não tratarmos dessas coisas
fundamentais, estaremos todos em apuros", alertou.
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