Edição 1851 . 28 de abril de 2004

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Pobreza
Os países que estão
vencendo a pobreza

O Banco Mundial revela que a proporção
de pessoas que vivem com menos de 1 dólar
por dia caiu pela metade em vinte anos


Lucila Soares


NESTA EDIÇÃO
Mapa da pobreza mundial

Entre 1981 e 2001, o Leste da Ásia tirou da pobreza extrema 480 milhões de pessoas. No mesmo período, na África Subsaariana, agregou ao batalhão de miseráveis do planeta 150 milhões de seres humanos. Esses dois extremos são os destaques do relatório do Banco Mundial sobre o desenvolvimento, divulgado na semana passada. Mas é da América Latina que emerge uma das questões mais interessantes do documento, cujos pontos mais importantes estão no quadro. Não é difícil entender que a redução da pobreza no Leste da Ásia esteja associada a um crescimento econômico que triplicou a renda per capita (na China, quintuplicou). Também não espanta que, abandonada à própria sorte, a África Subsaariana não tenha rompido o ciclo de guerras, epidemias e fome que a vem destruindo desde os anos 60. Difícil é compreender por que a América Latina não reduziu a pobreza extrema, tendo a mais alta renda per capita entre as regiões em desenvolvimento e uma proporção de gente que vive com menos de 1 dólar por dia inferior a 10%. Pior, no entanto, é constatar que a região faz um diagnóstico terrivelmente equivocado de suas mazelas. Outra pesquisa, da ONU, também divulgada nos últimos dias, mostrou que mais da metade dos latino-americanos aceitaria um regime autoritário que resolvesse os problemas econômicos.

Os dois relatórios mostram a América Latina numa perigosa encruzilhada. Como os governos democráticos não têm conseguido responder aos anseios por crescimento e emprego, a população desesperançada da região afirma que toparia retomar a rota do autoritarismo. Uma falsa e perigosa solução – que preocupa os democratas e assanha os que, à direita e à esquerda, são saudosos de regimes de força. O diretor do Banco Mundial para o Brasil, Vinod Thomas, lembra que a América Latina teve grandes avanços a partir dos anos 90, quando domou a inflação e promoveu reformas que melhoraram sua inserção na economia global. Agora está na hora de agregar à estabilidade macroeconômica medidas para retomar o crescimento – como investimentos em infra-estrutura e apoio às pequenas e médias empresas. Além disso, é preciso investir pesadamente na educação, que foi o grande trunfo dos países asiáticos. As regiões mais pobres, entretanto, precisam de apoio dos países ricos. Ao divulgar o relatório, o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, orçou em 1,3 bilhão de dólares a necessidade de ajuda internacional, entre defesa, agricultura e ajuda humanitária. "Se não tratarmos dessas coisas fundamentais, estaremos todos em apuros", alertou.

 
 
 
 
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