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Sociedade
Quanto
custa um escândalo
Celebridades
em apuros precisam
assumir o erro e contar com o
perdão; ou a conta fica cara

Roberta
Salomone
Bob P./Robinson Estrasulas/Zero Hora/AE
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MARCELLO
ANTONY
Flagrante de posse de maconha e noite na cadeia em Porto Alegre
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A enrascada
em que Marcello Antony se meteu na madrugada do último dia
17 não é exatamente uma novidade no mundo dos famosos.
Flagrado comprando maconha, o ator de 39 anos passou uma noite na
cadeia, em Porto Alegre. Antony desceu à calçada de
seu hotel com um cheque de valor suficiente para pagar por 200 gramas,
virou-se para trocá-lo quando soube que o pacote continha
metade da quantidade presumida e, nesse momento, foi preso pelos
policiais que havia horas grampeavam o traficante. O Ministério
Público agora vai decidir se denuncia o ator por posse ou
por tráfico. Um dos mais belos rostos masculinos da televisão,
Antony vivia uma fase de elogios no campo profissional e de felicidade
na vida doméstica com a chegada de Francisco, adotado no
final do ano passado por ele e pela mulher, a atriz Mônica
Torres. Abalado, tentando esconder-se atrás do boné
na pose clássica de tantos detidos, ele fechou-se em copas.
Na mesma madrugada, em Londres, onde declaradamente "passeava com
o cachorro", o ator americano Kevin Spacey, com o rosto machucado,
primeiro deu queixa de roubo e agressão numa delegacia, depois
recuou com uma história mal contada disse que caiu
no golpe de emprestar o celular a um desconhecido, o sujeito fugiu,
ele foi atrás, tropeçou e, pimba, rachou a cabeça.
Eternamente empenhado em exercer o direito de não assumir
a homossexualidade, Spacey, que atualmente dirige o teatro londrino
Old Vic, ainda reclamou: "Levar o cachorro para passear no parque
é uma coisa perfeitamente normal, mas agora ficam perguntando
'o que ele estava fazendo lá às 4 da manhã'".
A semana das celebridades em apuros com a lei se completou com mais
uma etapa da novela Michael Jackson: cinco meses depois de ser preso
e fichado numa delegacia da Califórnia, ele foi indiciado
por abuso sexual de menor. A acusação contra o cantor
induzir um menino de 12 anos que sofre de câncer terminal
a praticar modalidades sexuais é incomparavelmente
mais grave do que as outras encrencas. Em comum, no entanto, os
três casos têm o fato de que profissionais experientes,
com anos de vida pública, bons assessores e ótimos
advogados, se enrolam todos quando pegos em situações
complicadas e, além das contas com a Justiça,
podem terminar pagando um preço em prestígio e rendimentos.
AP
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KEVIN
SPACEY
Incidente de madrugada num parque de Londres |
O tamanho do estrago depende muito da atitude imediata do artista.
Ao optar pelo silêncio e depois admitir em depoimento à
polícia ser usuário de maconha, Antony contrariou
um dos mais consagrados mandamentos nessa situação.
"Fugir do problema é um erro grave. Uma pessoa pública
deve se explicar sobre seus atos", afirma o consultor de imagem
Mário Rosa, autor dos livros A Síndrome de Aquiles
Como Lidar com as Crises de Imagem e A Era do Escândalo.
Especialista no tema, o consultor americano James Lukaszewski, da
Universidade de Nova York, desenvolveu um roteiro de comportamento
em casos do gênero. Em primeiro lugar, é vital assumir
o erro e dispor-se a reparar algum prejuízo. Explicar-se
e pedir desculpas também são atitudes importantes.
Ao contrário dos políticos, artistas têm a seu
favor uma enorme predisposição do público para
desculpá-los. A atriz Vera Fischer teve um casamento conturbadíssimo
com Felipe Camargo, brigou publicamente com uma babá, passou
por várias internações para tratar de dependência
química, perdeu a guarda do filho Gabriel e foi afastada
das gravações da novela Pátria Minha
por causa dos atrasos. Em cada situação difícil,
o público, num primeiro momento, torceu o nariz para tanta
encrenca; num segundo, admirou-se de vê-la ressurgir, eternamente
bela, e, no seu caso, sem nunca, jamais pedir desculpas. Assumir
a escorregada, com uma resignada e britânica dose de humor
autodepreciativo, também ajudou a salvar da eterna execração
pública o ator Hugh Grant, preso em flagrante em 1995, na
Califórnia, por contratar uma prostituta para fazer sexo
oral. Na Inglaterra, o episódio foi tratado na galhofa, mais
como uma excentricidade da legislação americana do
que como prova de perversão do ator. Famosos que se envolvem
com bebidas, drogas e sexo não convencional não chegam
a surpreender o público. Em determinadas situações
socioculturais, podem até reforçar a aura de libertários,
como aconteceu com os Beatles e o hoje ministro da Cultura Gilberto
Gil, presos por posse de maconha numa época em que isso era
visto como desafio ao establishment.
Em
quaisquer circunstâncias, silêncio e mentira só
prejudicam os envolvidos. "O fã não acredita de imediato
na história que ouve, e fica esperando uma satisfação",
diz Rosa. "Um tropeço nessa hora pode provocar um estrago
irreversível." O cantor Belo, nome artístico de Marcelo
Pires, 29 anos, há dois anos teve uma conversa comprometedora
com um traficante gravada pela polícia. Apesar do flagrante,
tentou negar a história e ficou foragido por mais de um mês.
Sua carreira ruiu. Belo está proibido de sair do Rio de Janeiro,
foi dispensado pela gravadora e não faz mais de cinco apresentações
por mês no auge do sucesso, eram vinte. Fora do Brasil,
Robert Downey Jr., que chegou a ser indicado ao Oscar de melhor
ator pela atuação no filme Chaplin, perdeu
inúmeros trabalhos depois das três prisões consecutivas
por uso e porte de drogas. Winona Ryder, flagrada furtando roupas
numa loja de departamentos, tentou negar, alegou perseguição
e, mesmo tendo ajustado as contas com a Justiça, não
conseguiu ainda outro papel importante. Nada, porém, se compara
à alegação apresentada por Dominique Ambiel,
assessor do primeiro-ministro francês, Jean-Pierre Raffarin.
Preso na segunda-feira passada no Bois de Boulogne, em Paris, com
uma prostituta romena de 17 anos, disse que a garota tinha se enfiado
à força no carro dele, parado num sinal e ainda
insultou os policiais. Detalhe: Ambiel, que renunciou três
dias depois, era assessor de comunicação.
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