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Estados
Unidos
Bush decidiu sozinho
Presidente
não consultou seus
ministros sobre ir à guerra,
diz um novo livro

Diogo
Schelp
Um
dos mistérios a respeito da invasão do Iraque é
por que, exatamente, o presidente George W. Bush decidiu ir à
guerra. Ele estava obcecado por Saddam Hussein? Acreditava realmente
no perigo das armas de destruição em massa que, no
fim das contas, os iraquianos não tinham? Algumas questões
ficam mais claras com a leitura do novo livro do jornalista americano
Bob Woodward, Plan of Attack (Plano de Ataque), lançado
na semana passada nos Estados Unidos. Um dos mais conceituados jornalistas
dos Estados Unidos, ele revela os bastidores da Casa Branca nos
dezesseis meses que antecederam a guerra. O que conta é que
Bush mandou preparar os planos de invasão do Iraque pouco
depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, mas só tomou
a decisão final dois meses antes do início do ataque.
Em nenhum momento, dizem as fontes do jornalista, o presidente pareceu
se preocupar com o que poderia dar errado no Iraque depois da queda
de Saddam Hussein.
A
única pessoa a quem ele perguntou sobre se deveria ou não
fazer a guerra foi a conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza
Rice. Ela disse sim. Bush não precisou ampliar as consultas,
diz Woodward, pois já sabia o que pensavam outros membros
do governo como o vice-presidente Dick Cheney, o maior defensor
da guerra, ou o secretário de Estado, Colin Powell, que era
contra. O presidente preferia decidir com seus botões, sem
muita discussão, na maioria das vezes com base em informações
sofríveis. Foi o caso do relato que George Tenet, diretor
da CIA, fez a Bush dizendo que não havia dúvida sobre
a existência de armas de destruição em massa
no Iraque. Segundo Woodward, inicialmente Bush achou fracas as provas
apresentadas por Tenet. Depois se convenceu. O suposto arsenal de
Saddam, até hoje não encontrado, foi o principal argumento
a favor da guerra. Já o secretário de Estado, Colin
Powell, era ignorado sumariamente por Bush. O momento mais humilhante
para Powell, relatado por Woodward, foi quando Bush lhe contou,
em uma reunião de apenas doze minutos, que decidira invadir
o Iraque quanto antes. Ou seja, o chefe da diplomacia americana
foi o último a saber. Até o embaixador da Arábia
Saudita, o príncipe Bandar bin Sultan, havia sido avisado
dois dias antes.
Reuters
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| De
volta para casa: cenas do transporte de soldados mortos foram
divulgadas pela primeira vez |
Woodward
é um dos jornalistas de maior credibilidade nos Estados Unidos.
Em 1972, fez com o repórter Carl Bernstein a série
de reportagens para o jornal Washington Post que derrubou
o presidente Richard Nixon, no caso conhecido como Watergate. Para
escrever o livro Plano de Ataque, Woodward entrevistou todos os
homens do presidente, desde o secretário de Defesa Donald
Rumsfeld até o vice-presidente Cheney. O jornal Washington
Post revelou, na semana passada, que o próprio Bush,
que também concedeu entrevista a Woodward, insistiu para
que os membros do seu gabinete colaborassem com o autor do livro.
O fato é que as revelações não prejudicaram
em nada sua imagem pública. Bush aparece no livro como um
líder decidido, ainda que mais instintivo do que racional.
Seu índice de aprovação até aumentou.
"Há uma espécie de admiração por ele
ter se comportado de maneira tão firme nas decisões
da guerra", disse a VEJA o cientista político Paul Bracken,
professor da Universidade Yale, nos Estados Unidos. É difícil
dizer se isso vai continuar assim. Na semana passada, pela primeira
vez, a imprensa americana divulgou imagens de dezenas de caixões
com soldados mortos no Iraque sendo enfileirados dentro de aviões.
Foram imagens como essas, de soldados mortos, que viraram a opinião
pública contra a Guerra do Vietnã.
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