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Educação
Equações,
futebol e forró
Um
sergipano de 19 anos é o mais
jovem doutor em matemática do país

Jerônimo
Teixeira
Oscar Cabral
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| Carlos
Matheus: entediado, ele pensou em deixar a escola |
O matemático francês Henri Poincaré (1854-1912)
acreditava no talento congênito. "Matemáticos nascem;
eles não são feitos", afirmou. O sergipano Carlos
Matheus Silva Santos está aí para confirmar essa tese.
Aos 19 anos, ele concluiu neste mês seu doutorado em uma área
inaugurada pelo próprio Poincaré o estudo dos
sistemas dinâmicos, ramo da matemática cujas aplicações
vão da previsão do tempo às cotações
da bolsa de valores. Carlos Matheus é o mais jovem doutor
já formado pelo Instituto Nacional de Matemática Pura
e Aplicada (Impa), do Rio de Janeiro. O feito é tão
mais notável porque o sistema educacional brasileiro não
costuma ser ágil para identificar talentos precoces, tampouco
facilita seu progresso acadêmico. "Ao contrário do
que acontece nas universidades americanas, que têm mais flexibilidade
para acolher casos excepcionais, no Brasil as regras são
rígidas", diz Marcelo Viana, orientador de Carlos Matheus
no Impa. Especialmente na matemática, a valorização
dos jovens prodígios é essencial, pois as grandes
"sacadas" costumam ocorrer cedo: elas demandam do cérebro
um poder de processamento de informações que tende
a se esgotar com a idade, como as ciências neurológicas
começam a demonstrar. Não à toa, meninos prodígios
como Gauss e Galois (veja
quadro) são personagens centrais na história
da disciplina.
O
talento de Carlos Matheus quase foi desperdiçado. Filho de
dois professores da rede pública de Aracaju, ele descobriu
cedo o prazer dos números. A escola, no entanto, era uma
experiência entediante. "Antes do meio do ano eu já
sabia todo o conteúdo dos livros de matemática. Não
me sentia desafiado", lembra o rapaz. Na 8ª série ele
havia atingido o auge do desânimo e quase deixou a escola.
Foi então que seus pais recorreram à universidade.
O professor Valdenberg Araújo da Silva, então chefe
do departamento de matemática da Universidade Federal do
Sergipe (UFS), testou o menino e ficou espantado com suas habilidades
lógicas. "Comecei a lhe ensinar matemática avançada",
diz Valdenberg. Com 14 anos, Matheus mudou-se para o Rio de Janeiro
e ingressou no Impa, onde fez mestrado e doutorado. Os pais fizeram
sacrifícios para mantê-lo na cidade e se revezavam
para visitá-lo. Apesar do título de doutor, Carlos
Matheus ainda não concluiu os estudos de graduação.
Como a lei brasileira prevê que o título de pós-graduação
só vale quando concluído o grau anterior, o doutorado
de Carlos Matheus terá validade apenas no ano que vem, quando
ele receber seu diploma de matemática pela UFRJ. O rapaz
planeja então seguir para um pós-doutorado em Paris,
para o qual já está pleiteando uma bolsa. Carlos Matheus
tem traços de personalidade que batem com o estereótipo
dos prodígios acadêmicos: é tímido e
bastante introspectivo. Mas não dispensa o futebol com os
amigos. E arrasa no forró.
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