Aquele
fio de cabelo comprido
Americana
usa DNA para provar
traição
e cobrar pensão do marido
Álbum de família
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| Nanette
com Richard, nos bons tempos: cabelo estranho e outros
indícios comprovam adultério |
Desconfiada
de que o marido a traía, em julho de 1999 a americana
Nanette Bailey fez a jogada clássica: chegou sem avisar
à casa de campo onde Richard passava férias.
Foi direto para a suíte do casal. No banheiro, achou
uma camisola de renda que não era sua, uma escova de
dentes idem e, velha como a própria traição,
a prova das provas: um fio de cabelo comprido castanho e estranho
na pia. Na cama, Nanette, uma loira hoje com 57 anos, encontrou
mais fios escuros; nos lençóis, manchas suspeitas.
Nanette berrou, chorou, armou o barraco, como qualquer mulher
normal? Nada disso. Com notável presença de
espírito, pôs tudo em sacos plásticos
e mandou os pacotes para testes de DNA em um laboratório.
O resultado não tardou: as manchas no lençol
eram fluidos seminais ("muito provavelmente" de Bailey) e
vaginais. Nem estes nem os fios de cabelo pertenciam a Nanette.
Com base nessas conclusões, que um juiz da Flórida
aceitou como provas em dezembro, ela pediu o divórcio
e exige uma pensão vitalícia de 16.000 dólares
por mês. Se ganhar, Nanette estabelece um precedente
de dar calafrios em qualquer marido infiel: o da indenização
por adultério.
Os Bailey são ambos ricos, habitués da alta-roda
de Boston, onde mantinham sua casa principal. Casaram-se em
1993, ele pela quarta vez, ela pela segunda, depois de acertar
os termos do inevitável contrato pré-nupcial:
em caso de separação, o autor do pedido levaria
um naco de 20% da fortuna do outro a dele, diretor
aposentado de uma financeira, avaliada em 11 milhões
de dólares; a dela, em 2,7 milhões. Em 1998,
quando Richard tinha 71 anos e precisou colocar um marcapasso,
Nanette, que é sobrinha-neta do escultor Alexander
Calder, dos móbiles, propôs alterar o acordo
o que de fato foi feito pelos dois na Flórida,
sem nenhum advogado da família presente. Do documento
de quatro páginas consta a chamada "cláusula
do menino levado", que estabelece a pensão em caso
de traição comprovada (que Richard praticou,
segundo detetives contratados por Nanette, com a terceira
ex-mulher). Richard e os cinco filhos de casamentos anteriores
esperneiam. De acordo com os advogados, ele sofre do mal de
Alzheimer e não sabia o que fazia quando assinou a
alteração no contrato pré-nupcial. Ela,
argumentam, é uma notória interesseira que no
primeiro divórcio espremeu tudo que pôde do ex-marido.
Uma audiência marcada para junho definirá se
Richard assinou o documento ciente de sua atitude. Em caso
positivo, abre-se o caminho para Nanette fazer história,
tornando-se a primeira mulher a ganhar pensão por ter
sido traída. Outras virão, com certeza
até a bela Catherine Zeta-Jones, 31 anos, enfiou uma
cláusula dessas no acordo pré-nupcial que firmou
com o ator e mulherengo Michael Douglas, 56. No Brasil, por
enquanto, cônjuges que pulam a cerca podem permanecer
tão tranqüilos quanto possível na sua situação:
o Direito Civil aqui não reconhece acordos pré-nupciais
com cláusulas de indenização por atos
praticados. "A ocorrência de traição pode
influir na definição sobre o uso do nome ou
a guarda dos filhos", explica o advogado Sérgio Marques
da Cruz, especialista no assunto. "Mas não há
meio legal de preestabelecer uma indenização
caso um dos cônjuges venha a cometer adultério."
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