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O dono do cavalo

Quem é o misterioso senhor que pagou
300 000 reais pelo cavalo de Figueiredo

Adriano Ceolin

 
Claudio Rossi
Divulgação
Lírio Parisotto: Portinari, Di Cavalcanti, no acervo de 10 milhões de reais O cavalo arrematado: "don't worry, be happy"

O leilão das 218 peças do acervo do ex-presidente João Figueiredo, ocorrido na semana passada no Rio de Janeiro, teve duas grandes atrações. Uma foi o cavalo de bronze que Figueiredo ganhou do presidente americano Ronald Reagan. A peça tinha lance mínimo estipulado em 1.000 reais. Acabou arrematada por 300.000 reais. A outra atração do leilão foi a pessoa que adquiriu o cavalo, o empresário gaúcho Lírio to. Dono da Videolar, maior fabricante nacional de fitas e CDs, Parisotto é um antigo colecionador de obras de arte. No apartamento de 1.000 metros quadrados onde mora, em São Paulo, possui mais de 200 obras, entre elas telas de Portinari, Di Cavalcanti e Anita Malfatti. Comenta-se no mercado que seu acervo vale algo como 10 milhões de reais.

Parisotto tornou-se uma atração no leilão porque estava em companhia de um amigo com quem trocou algumas palavras em inglês. No outro dia, reportagem extensa no Jornal do Brasil relatava que a estatueta fora aparentemente comprada por americanos, conforme os boatos que surgiram durante o leilão. Parisotto é loiro, tem 1,90 metro de altura, mas é tão gaúcho como o chimarrão. A reportagem do Jornal do Brasil chegou a especular sobre a intenção dos supostos americanos, que teriam até mesmo ligação com a Embaixada dos Estados Unidos. A partir dessa versão, circulou uma segunda: de que os compradores estariam tentando resgatar a peça que o presidente Ronald Reagan deu de presente a seu colega brasileiro, João Figueiredo. Por causa dos comentários, Parisotto foi abordado na saída do evento por um representante do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. O funcionário se aproximou e, em inglês, avisou o empresário que a peça não poderia sair do Brasil. "Eu respondi em inglês: don't worry, be happy (não se preocupe, seja feliz)."

Passado o leilão, a equipe jurídica do Iphan argumenta ter direito de ficar com o cavalo, baseando-se na Lei nº 8394, de 1991, que trata do acervo dos presidentes da República. Um dos artigos da lei diz que, em caso de leilão, a União tem preferência de compra. O instituto já havia reclamado o direito de ficar com a peça, mas o leiloeiro Roberto Haddad conseguiu na Justiça do Rio uma liminar que garantisse a venda. O Iphan pretende entrar com recurso. "Nós seguiremos na briga", disse Luciano Ramos, chefe de gabinete da presidência do Iphan.

Parisotto diz não estar preocupado. "Farei o que a Justiça determinar." Neto de italianos, nascido em Nova Bassano, na região da Serra Gaúcha, o empresário viveu até os 11 anos com os pais, que eram pequenos produtores agrícolas. Em seguida, ingressou num seminário em Caxias do Sul, mas desistiu de ser padre aos 19 anos. Formou-se em medicina, mas preferiu ser comerciante. Abriu um videoclube no Rio Grande do Sul e uma pequena loja de eletrodomésticos em 1980. O negócio deu certo. Oito anos depois mudou-se para São Paulo e criou a Videolar. A intenção de Parisotto é, no futuro, montar uma galeria de arte com acesso gratuito. O cavalo de bronze será a primeira peça exposta. A partir de agora, estará no hall de entrada de sua empresa, nas cercanias de São Paulo.

 

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