O dono
da bola
Bodenheimer,
presidente da ESPN,
acha alto o custo do esporte, mas
afirma que as novas tecnologias
vão salvar o negócio
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| Bodenheimer:
"As expectativas de lucro têm de ser mais racionais" |
Aos
42 anos, o americano George Bodenheimer comanda uma rede de
televisão cuja audiência chega a 1 bilhão
de pessoas em todo o mundo. É um dos personagens mais
influentes no universo dos esportes. Ele é presidente
do conglomerado ESPN, a famosa emissora transmitida no Brasil
pelas redes de televisão a cabo TVA, do Grupo Abril,
e NET, da Globo. Acostumado a números superlativos,
Bodenheimer se assusta com o custo crescente dos eventos esportivos,
dos salários do superatletas, com a transformação,
enfim, do esporte num sistema de estrelas com uma dinâmica
muito parecida com a de Hollywood. Nas últimas Olimpíadas,
realizadas em Sydney, na Austrália, a rede americana
NBC desembolsou cerca de 1 bilhão de dólares
pelos direitos de cobertura dos jogos. Como o fuso horário
obrigou que as transmissões ao vivo fossem feitas de
madrugada, o resultado foi um fracasso tanto como espetáculo
quanto pelo aspecto financeiro.
"A
única maneira de acomodar essa questão do ponto
de vista do esporte é fazer retroceder os preços.
Isso só acontecerá se as pessoas envolvidas
nessas transações forem mais racionais em suas
expectativas de lucro com as transmissões esportivas",
diz ele.
Com o custo crescente, fica cada vez mais difícil para
as emissoras pagar suas despesas. Para que a conta feche é
preciso buscar anunciantes dispostos a abrir a carteira. Os
direitos de transmitir o jogo final da NFL, a liga de futebol
americano, foram comprados pela rede CBS por um preço
não divulgado. Sabe-se, porém, que ela conseguiu
vender comerciais ao preço quase inimaginável
de 73.000 dólares o segundo.
Isso é um preço trinta vezes mais alto do que
a inserção mais cara da televisão brasileira,
que é cobrada pela Rede Globo para comerciais nos intervalos
do Jornal Nacional. Exceto eventos excepcionais, como
a final americana, dificilmente as redes e os clubes podem
arrecadar tanto. Além do fato de que começa
a incomodar os espectadores ver jogadores não tão
espetaculares ganhando fortunas. Essa é uma questão
menor, na visão de Bodenheimer. "Os torcedores certamente
têm opiniões inflamadas sobre os salários
dos atletas no topo da pirâmide salarial, como o jogador
de basquete Shaquille O'Neal, em relação a seus
colegas 'mais pobres'", diz Bodenheimer. "Mas essa disparidade
tem-se repetido ao longo dos anos e a indústria do
esporte continua a florescer."
O presidente da ESPN aposta no casamento da televisão
com o computador não apenas para baixar custos, mas
para tornar a experiência dos telespectadores mais rica.
"Os torcedores terão um leque imenso de oportunidades
para curtir os esportes mais ligas, mais modalidades
esportivas e formatos de mídia, com cada vez mais opções
de canais de TV, estações de rádio, websites,
jornais e revistas", diz ele. As novas tecnologias, segundo
Bodenheimer, vão tornar os jogos mais interativos.
Uma das possibilidades será escalar um time ideal pela
internet. Essa brincadeira, chamada de "Jogos Fantasia", já
vem sendo feita pela ESPN nos Estados Unidos com o futebol
americano, o basquete, o baseball e o hóquei. No caso
do futebol, o torcedor poderá escalar num mesmo time,
para um campeonato fictício, jogadores como Rivaldo,
Ronaldo e Zidane. As regras são assim: uma turma de
amigos se reúne e cada um faz a escalação
do que considera o time ideal. O computador monta então
um placar com base no desempenho dos jogadores na rodada do
fim de semana. A turma que tiver escalado os jogadores com
melhor desempenho é declarada vencedora.
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