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Férias? Nem pensar

Uma nova doença é estudada pelos
médicos: a síndrome do lazer

Cristina Poles

Rogério Voltan
Neves: ele se diverte é no trabalho


A medicina acaba de descrever uma nova doença: a síndrome do lazer. O distúrbio ataca homens e mulheres com obsessão pelo trabalho e, como indica o seu próprio nome, se manifesta nos fins de semana e feriados prolongados ou nas férias. Nos momentos de folga, as vítimas são acometidas de crises de ansiedade, dores de cabeça e musculares, náuseas e fadiga. Ficam doentes porque estão longe de seus afazeres profissionais. Coube a especialistas da Universidade Tilburg, na Holanda, dimensionar o problema. Em um congresso realizado recentemente nos Estados Unidos, eles apresentaram os resultados de um estudo feito no ano passado com quase 2.000 pessoas. A conclusão é que a doença atinge até 5% da população economicamente ativa.

O padrão de comportamento de quem sofre da síndrome é bem definido. São indivíduos perfeccionistas e inseguros, que costumam trabalhar mais de dez horas por dia e vivem sob stress constante. "Eles simplesmente não conseguem se desligar nas horas livres", diz o psicólogo Ad Vingerhoets, um dos coordenadores do estudo. Os períodos de férias são os piores. Longe do batente, sem poder influir sobre os rumos dos acontecimentos na esfera profissional, a tensão redobra. O organismo passa a produzir grandes quantidades de cortisol, o hormônio do stress, intensificando os sintomas da síndrome e enfraquecendo o sistema imunológico – o que faz com que a pessoa fique mais propensa a contrair viroses.


Claudio Rossi
Andrea: no máximo, uma semana longe do batente


Como as folgas representam um pesadelo, muitos portadores da síndrome simplesmente não tiram férias. Ou, quando o fazem, é sempre por pouco tempo. Carlos Alberto Carvalho das Neves, operador da Bolsa de Valores de São Paulo, segue essa linha. A dentista Andrea Nahssen, também. "As minhas últimas férias eram para durar dez dias. Não agüentei permanecer mais do que uma semana longe do consultório", diz ela. Nos fins de semana, Andrea invariavelmente tem enjôos e dores pelo corpo. Neves, por sua vez, concede-se quinze dias de férias por ano – mas divididos em duas etapas, "para não ficar nervoso". E o que faz ele nas folgas? Trabalha. "O celular e a internet me mantêm informado sobre as cotações e a situação geral do mercado", entusiasma-se o operador.

O estudo holandês mostra que o melhor caminho para a cura é procurar ajuda psicológica. Afinal de contas, a síndrome do lazer faz parte do rol das doenças mentais (o que não significa, evidentemente, que seus portadores sejam malucos de carteirinha). O tratamento com um psicanalista ou um psicoterapeuta pode demorar para surtir efeito. Nesse meio tempo, há como atenuar os sintomas. Os especialistas aconselham que, na semana anterior a uma folga prolongada, a pessoa se submeta a sessões de massagem e relaxamento. A ordem é relaxar antes para conseguir relaxar depois.

 

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