Anjinho
cabeça
Sem um pingo de músculos, o sensível
Caio Blat
faz sucesso em Um Anjo
Caiu do Céu
Ricardo
Valladares
Selmy Yassuda
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Blat:
francês com
a gata, sucesso
com as
gatinhas
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Caio Blat caiu do céu para a novela das 7 da Globo.
Depois da trupe de marmanjos rudes e musculosos que atuou
em Uga Uga, ele apela para o público feminino
que curte o modelo oposto de galã, de traços
suaves e jeito sensível. Nas asas do personagem central
de Um Anjo Caiu do Céu, esse ator paulistano
de 20 anos parece feito sob medida para encarnar o querubim
Rafael, anjo da guarda do personagem de Tarcísio Meira.
Curiosamente, ele não foi a primeira escolha. "Queriam
que o papel fosse de Fábio Assunção ou
de Rodrigo Santoro", diz o autor da novela, Antonio Calmon.
"Briguei para ter o Caio, porque o primeiro era muito velho
e o segundo, sem humor. Eu estava com a razão." Bastou
um mês de exibição da novela, que de resto
está demorando a engatar, para que Blat se convertesse
em um dos campeões de correspondência da Globo:
são cerca de oitenta mensagens endereçadas a
ele todas as semanas, a grande maioria de crianças
e garotas de cabecinhas povoadas por sonhos românticos
com aqueles cachinhos negros e o ar maroto. Recebendo hoje
um salário de 7.000 reais, o ator deve ver em breve
seus rendimentos se multiplicarem. Uma fábrica de brinquedos
pretende lançar o Angel Game, réplica do aparelhinho
que Rafael utiliza para se comunicar com o Paraíso
(ou "diretoria geral", como se diz na novela). Blat vai faturar
com o merchandising. Além disso, está sendo
negociada a estréia de sua página de internet
no portal Globo.com.
Blat é adepto do visual "novo hippie". Gosta de envergar
camisetas e calças largas, sandálias de couro
e bolsas a tiracolo. Os cachos angelicais que exibe na novela
são apliques, mas ele está deixando o cabelo
crescer e em breve poderá dispensá-los. Costuma
completar o figurino papo-cabeça com um livro grosso
embaixo do braço sua forma preferida de levantar
peso. Tudo, realmente, coisa da pesada: pode ser um romance
do russo Dostoievski ou do franco-argelino Albert Camus, o
Fausto de Goethe, ou uma peça teatral. Ele tem
um pendor para línguas: só conversa em francês
com seu bicho de estimação, a gata "Renata".
Até dois anos atrás, Caio Blat organizava saraus
literários com seus amigos. "Bebíamos cerveja,
fumávamos maconha e discutíamos a filosofia
de Nietzsche", lembra ele, que diz não usar mais nenhum
tipo de droga menos potente do que os pensamentos do alemão.
Os saraus terminaram, mas não o interesse por literatura.
"Eu não assisto à televisão em casa",
afirma ele. "Isso me deixa tempo livre para ler, o que é
muito melhor."
A boa lábia e o jeito de príncipe encantado
lhe rendem conquistas ecléticas. Durante três
anos ele namorou a belíssima Mariana Ximenez, que interpretava
Bionda em Uga Uga. Depois engatou um romance com Preta
Gil, filha do compositor Gilberto Gil. Acabou em meados do
ano passado. "Não deu certo, tínhamos projetos
de vida diferentes", diz Blat. Traduzindo: Preta queria casar
e ter um filho, mas ele não achava que fosse a hora
certa. No momento, o galã está sozinho. Correm
boatos sobre um namoro secreto entre ele e a atriz Débora
Falabella, que interpreta a personagem Cuca em Um Anjo
Caiu do Céu. Blat nega veementemente. "Ela está
com meu melhor amigo, o ator Daniel de Oliveira", afirma.
"Além disso, eu e ela trabalhamos juntos e trabalho
para mim é sagrado." Filho de pai cardiologista e de
mãe dentista, ele fez as primeiras pontas como ator
aos 9 anos de idade. Hoje, conta com 200 comerciais, seis
peças teatrais e seis novelas no currículo.
Blat também está envolvido num projeto ambicioso:
dirigir o espetáculo Extase, do dramaturgo Walcyr
Carrasco. Garante que não se sente inseguro e talvez
não precise mesmo de supervisão de um adulto.
Tudo indica que ele tem um ótimo anjo da guarda.
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