Noite
infeliz
Aprenda
a contar ao médico seus
distúrbios do sono
Angela
Nunes
Uma
noite maldormida costuma deixar qualquer um parecendo um trapo durante
todo o dia, com mau humor, apatia ou dificuldade de concentração.
Já a presença contínua de distúrbios
do sono pode debilitar as defesas do organismo da pessoa e abrir
caminho para hipertensão, stress, depressão, gastrite,
asma, dores de cabeça, falta de desejo sexual e problemas
do coração. É pouco? Certamente não,
mas, apesar do estrago provocado pelas noites maldormidas na saúde,
muitos médicos nem sequer perguntam aos pacientes sobre seus
hábitos noturnos. Uma recente pesquisa realizada pela National
Sleep Foundation (NSF), uma organização não-governamental
americana especializada no tema, revelou que nada menos que 96%
dos clínicos gerais americanos só discutem esses problemas
quando o próprio cliente toca no assunto. Poucos deles sabem
que mais da metade dos adultos americanos têm dificuldades
para dormir ou sofrem de insônia de cada cinco entrevistados,
quatro disseram não ter conhecimento suficiente sobre as
doenças ligadas ao sono.
Sob os lençóis do cliente, a situação
não &eacuttilde;o se dão conta
de que estão dormindo tempo insuficiente ou que padecem de
algum distúrbio do sono. "A relação de causa
e efeito não é clara e isso complica o quadro", explica
o neurologista Flávio Alóe, do Centro do Sono do Hospital
das Clínicas. Na crença de que os pacientes não
devem ficar de boca fechada, a NSF aconselha a cada indivíduo
que tome a iniciativa de apresentar um relato pormenorizado ao seu
médico. Para isso, elaborou uma lista de itens que podem
ajudá-lo a melhorar a capacidade de observação
sobre sua sofrida guerrinha contra o travesseiro (leia
uma adaptação das indicações).
O neurologista Sérgio Tufik, diretor do Instituto do Sono
da Universidade Federal de São Paulo, explica que cada pessoa
precisa de tempos diferentes para um repouso saudável. "Mais
importante que a duração, porém, é a
qualidade do sono", afirma Tufik. Da próxima vez, não
se acanhe em aborrecer seu médico com relatos de noites de
pesadelos só porque ele não é da turma do divã.
Foto Egberto
Nogueira
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