Vampiros
emocionais
Psicólogo
americano ensina a lidar com
os vários tipos
que sugam sua energia
no amor e no trabalho
Maurício
Oliveira
Desde
que o lendário conde Drácula ganhou vida na literatura
e no cinema, reconhecer e identificar um vampiro passou a ser um
esporte estimulante e divertido, já que sua pálida
figura de dentes caninos salientes não se reflete em espelhos
nem se deixa flagrar durante o dia. O psicólogo americano
Albert Bernstein se esforçou para dar sua contribuição,
e o resultado pode ser conferido a partir desta semana, com o lançamento
do livro Vampiros Emocionais pela editora Campus, tradução
da obra lançada no final do ano passado nos EUA. Consultor
de empresas, ele se especializou em dar conselhos sobre como lidar
com pessoas difíceis. Esse mesmo tema transformou dois de
seus livros anteriores Dinosaur Brains (Cérebros
de Dinossauro, 1989) e Neanderthals at Work (Neandertais
no Trabalho, 1992) em best-sellers do segmento de auto-ajuda
nos Estados Unidos. Agora, ele rastreia a presença de morcegos
em forma de gente na vida da sociedade atual, particularmente nas
relações amorosas e corporativas, trazendo diretrizes
bem-humoradas para você sair ileso do convívio com
pessoas que, segundo o psicólogo, possuem sérios distúrbios
de personalidade.
De
dia ou de noite, o mundo continua a ter uma boa cota de habitantes
mesquinhos, invejosos ou inescrupulosos, no lar, no bar, no clube
ou no escritório. Bernstein descreve com detalhes os cinco
tipos mais comuns de vampiro, alertando para suas características
específicas e sugerindo estratégias de convivência
segura. Um deles é o vampiro inconstante, aquele que não
assume compromisso com ninguém e com nada, namora todo mundo
e vive trocando de emprego. O narcisista se acha o máximo,
obviamente, e adora pisar nas pessoas. Outros tipos são o
teatral, o obsessivo e o paranóico, numa adaptação
livre dos termos empregados pelo autor (confira
no quadro). Assim como os vampiros do cinema recuam
diante de crucifixos, alho ou água benta, os vampiros emocionais
sentem-se ameaçados por experiências comuns, como o
tédio, a incerteza e a responsabilidade, Bernstein define.
Todo
mundo tem um pouco de vampiro, mas o problema começa quando
vários atributos comprometedores se concentram numa mesma
pessoa. O autor criou testes para ajudar o leitor a descobrir se
está convivendo com criaturas das trevas. Há pessoas
que se enquadram de imediato num dos tipos descritos. Outras são
híbridas misturam atributos de duas ou mais espécies.
Um alerta decisivo é que não adianta tentar mudar
o jeito de ser dos dráculas, porque eles possuem traços
psicológicos muito arraigados. O máximo que se consegue
é domesticá-los. E, ainda assim, convém manter
aberto um dos olhos durante a noite. A única forma de torná-los
inofensivos é sintonizar as próprias necessidades
com as deles. Nesse caso, podem até se transformar em trabalhadores
exemplares e companheiros amorosos. Mas a vigilância precisa
ser constante. Basta que as necessidades entrem em ligeiro conflito
para que tudo mude.
Uma
característica freqüente entre os vampiros emocionais
é o poder de sedução. Nos primeiros contatos,
sempre parecem mais interessantes que as pessoas comuns. São
bons de papo e gentis, mas, quando se sentem impelidos a saciar
a sede por sangue, são capazes de avançar no pescoço
da própria mãe e de quem mais estiver por perto. A
descrição de Bernstein vale tanto para o colega de
trabalho que se acha o sujeito mais inteligente do mundo quanto
para aquela vizinha que sorrateiramente vigia cada um de seus passos.
Como as crianças de colo, os vampiros imaginam que os outros
existem apenas para suprir as suas necessidades. Parecem adultos
por fora, mas continuam bebês por dentro. "As estratégias
mais bem-sucedidas no trato com os vampiros emocionais são
precisamente as mesmas a que você recorreria com uma criança
de 2 anos para definir limites", ensina Bernstein. Com a diferença
de que os bebês não têm caninos afiados para
enterrar em sua jugular.
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