Floresta
on-line
Internet e telefone dão fim
ao
isolamento na mata
Christian
Schwartz
Arquivo do Amapá
 |
Arquivo do Amapá
 |
| O
barco do Projeto Navegar no Amapá: computadores
a bordo |
As
distâncias na Floresta Amazônica ainda são
medidas em dias de barco ou horas de avião. Mas não
se pode mais falar em isolamento no meio da selva. Assim como
os cabos telefônicos cruzam as cidades grandes e médias
da região e as torres dos celulares já competem
com a copa das árvores perto dos aglomerados urbanos,
formas mais sofisticadas de comunicação permitem
que, mesmo nos pontos mais distantes, algumas pessoas comecem
a ter acesso ao mundo via computador.
No Arquipélago do Bailique, composto de oito ilhas
situadas na foz do Rio Amazonas, no Amapá, 8.500 ribeirinhos
estão a doze horas de barco de Macapá, mas parte
deles já experimentou a sensação de ter
o mundo na ponta dos dedos. De agosto do ano passado até
agora, a comunidade foi visitada cinco vezes pelo Projeto
Navegar, uma embarcação recheada de computadores
ligados à internet e posta à disposição
dos moradores do arquipélago. O projeto também
vai servir para que eles mostrem sua região numa página
da internet, atiçando turistas a conhecer um dos pontos
mais remotos do Brasil.
No barco do empresário Moacir Fortes, que leva turistas
estrangeiros em passeios a partir de Manaus, a vedete é
um telefone portátil ligado a um sistema de 52 satélites.
Desde o final do ano passado, mais de 1 000 desses telefones
foram vendidos na região, segundo a empresa operadora,
Globalstar. Muitos estrangeiros alugam aparelhos em seus países
e viajam com eles para a mata. Numa expedição
recente, havia sete telefones portáteis no barco de
Fortes.
A TV alcança faz tempo todos os pontos da floresta.
Onde há um gerador na Amazônia, vê-se uma
antena parabólica ao lado dele. Agora avançam
as miniparabólicas das TVs por assinatura. Só
a assistência técnica da Sky em Parintins, quase
na divisa do Amazonas com o Pará, instalou cerca de
500 delas nos últimos dois anos. A mensalidade chega
a 100 reais, um quinto da renda familiar do comerciante Janderson
Maia, da cidade amazônica de Barreirinha. "Mas vale
a pena", ele diz. "Quero saber das coisas na hora em que elas
acontecem."
|