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Barriguinhas de luxo

Jóias e tatuagens enfeitam o espaço
cada vez mais vasto entre o cós
da calça e o top curtinho

Silvia Rogar

André Schiliró


Repare só: de tanto que a cintura baixou nos últimos tempos, é missão impossível atualmente encontrar nas butiques uma calça, saia ou short que cubra totalmente o umbigo feminino. Abaixo dele, são em geral quatro dedos de barriga à mostra. Modismo que, como diz o nome, deveria ser passageiro, a onda da barriguinha de fora persiste há várias temporadas e faz sucesso em todas as tribos: as modelos magérrimas, cujo epítome é Gisele Bündchen, patricinhas, moderninhas, popozudas como Carla Perez, as "cachorras" do funk. "Para mim, quanto mais baixo, melhor. Minha barriga é linda e adoro exibi-la", gaba-se a esbelta modelo e apresentadora Luciana Gimenez. De tanto ficarem à mostra, as barriguinhas criam até modas sucessivas em matéria de adereços. A última são os piercings com pedras preciosas, que entram no circuito para dar um toque de luxo nos umbiguinhos.

A descida íngreme do cós começou há três anos, nas passarelas internacionais, mas foi no Brasil que a cintura baixa, no começo uma reedição das calças saint-tropez da década de 70, encontrou seu paraíso. Em marcas tradicionais de jeans, como a Levi's, a calça de cintura baixa, que aqui é mais baixa do que em qualquer outro país, responde por 85% das vendas femininas. "Como tudo o que é justo e curto, é uma moda que combina muito com a brasileira", diz a consultora de moda Gloria Kalil. Nos jeans da Zoomp, o gancho – a parte da frente da calça que compreende o zíper e o cós – diminuiu entre 6 e 10 centímetros. "Nas últimas coleções as cinturas foram baixando tanto quanto a inflação", brinca o dono da grife, Renato Kherlakian. A Levi's desenvolveu dois modelos para as brasileiras, sendo que o mais baixo, o 518, tem gancho 6 centímetros mais curto que seu jeans mais tradicional, o 535. A economia de material (linha, zíper, tecido) é de 25% em relação ao modelo de cintura mais alta, ou seja, a cada quatro calças a Levi's economiza o equivalente a um par inteiro. Nem por isso o preço baixou – fica em torno de 80 reais.

 
Selmy Yassuda
Ricardo Fasanello
Gisele, a grande propagadora, e os detalhes: desenho de mentira e piercing, de ouro, de verdade

Em vez de aço, ouro – Cintos são acompanhamentos quase obrigatórios nas calças e saias de cintura baixa – os largos, de couro (apropriadamente apelidados de "Gisele", em honra a sua grande propagadora), substituíram em grande parte os fininhos, de cristal, que fizeram furor no ano passado. A vastidão de pele à mostra pode ser ressaltada por tatuagens (de hena, por favor) ou por um toque de purpurina. No umbigo, todas carregam um piercing, adereço que, com o advento da cintura baixa, saltou do circuito alternativo para cair nas vitrines das joalherias. Nada de aço cirúrgico: o piercing de festa leva material nobre, como ouro, pedras e brilhante, tem preço de jóia e é consumido por madames. "Vendo para o mesmo público que compra minhas outras peças, inclusive mulheres com mais de 40 anos", diz a joalheira Carla Amorim, que há seis meses começou a produzir piercings a pedido das clientes. Seu colega Antonio Bernardo descobriu o filão há três anos, mas só agora viu a coisa deslanchar. Neste ano, dobrou a produção. A rede de joalherias H. Stern só fornece sob encomenda – no ano passado, foram mais de 200, cada um, em ouro e brilhante, ao preço de cerca de 650 reais. Já a margaridinha de topázio e ouro de Carla Amorim custa 460 reais e a bolinha toda de ouro, 220 reais. "É preço de jóia mesmo", diz ela.

 

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