Ele sumiu com
20 bi
Fundador
da Daewoo fugiu depois
de aplicar megagolpe
AFP
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| Kim
Woo Choong: antes exemplo para os jovens, agora foragido, foi
visto jogando golfe na Flórida |
Há dois anos, Kim Woo Choong era considerado o exemplo vivo
do milagre econômico da Coréia do Sul, um Tigre Asiático
que saiu das ruínas da guerra para se transformar numa potência
comercial. Fundador do conglomerado Daewoo, um império de
24 empresas e 320.000 funcionários
em 110 países, que fabrica de carros e navios a televisores
e chips de computador, Kim pretendeu ensinar em sua autobiografia,
Toda Rua É Pavimentada com Ouro, como ser agressivo
sem deixar de ser ético. "Quando os outros começam
a contar as impossibilidades, eu começo a contar as possibilidades",
escreveu. Na semana passada, no momento em que a polícia
invadiu as instalações da Daewoo Motors perto de Seul
para desalojar centenas de operários que se haviam entrincheirado
em protesto pelas demissões em massa, a presença de
Kim no local restringia-se a uma foto num cartaz de "Procura-se",
que oferecia uma recompensa de 500 dólares por informações
sobre seu paradeiro. Acusado de suborno, de apropriação
indébita de 20 bilhões de dólares e da maior
fraude contábil de que se tem notícia, Kim sumiu há
dezessete meses.
A
Daewoo faliu e deve ser vendida em leilão. As dificuldades
do segundo maior conglomerado sul-coreano começaram em 1997,
quando o país foi tragado pela crise econômica que
varreu os mercados asiáticos e atingiu os chaebol,
como são conhecidos os oligopólios favorecidos com
crédito fácil e outros privilégios pelo governo
sul-coreano, entre eles a Daewoo. A história de Kim era lendária.
Em 1967, ele fundou uma pequena corretora em Seul, com pouco dinheiro
e cinco funcionários. Com aval oficial, durante anos comprou
empresas a preço de banana até transformar a Daewoo
num mastodonte. Famoso por sua ética de trabalho, era um
modelo para os jovens. Kim ignorou a crise asiática e manteve
o pé no acelerador, comprando toda empresa falida que viu
pela frente. Com dificuldades crescentes em obter empréstimos
externos, Kim armou um golpe, com a ajuda de 34 altos executivos,
que consistia em forjar os números contábeis do conglomerado,
inflacionando o faturamento em até 40 bilhões de dólares.
Com isso, encobria o buraco no caixa e ainda podia reivindicar mais
empréstimos. A Daewoo faliu no final de 2000, com 80 bilhões
de dólares em dívidas. Kim sumiu sem deixar rastro.
AP
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| Polícia
invade fábrica ocupada: operários oferecem recompensa
por Kim |
Os
credores assumiram o controle do conglomerado e estão se
preparando para a venda com severos cortes nos custos. Na última
leva, mais 1 750 demissões fizeram com que os operários
ocupassem a fábrica no porto de Inchon. Foi, à moda
dos protestos coreanos, uma verdadeira batalha. Os operários
resistiram à ação da polícia com empilhadeiras,
coquetéis molotov e porretes. Acostumados, como todos os
asiáticos, a devotar fidelidade à empresa em que trabalham,
os funcionários da Daewoo não vêem Kim Woo Choong
apenas como um mau patrão, mas também como um traidor.
"Vamos caçá-lo no mundo inteiro até que ele
seja preso, deportado e punido", prometeu um dos líderes
sindicais. Kim, que está com 65 anos, foi visto numa mansão
em Nice, na França, e jogando golfe na Flórida. Decididos,
os líderes sindicais sul-coreanos chegaram a enviar uma "força-tarefa"
a Paris para tentar seqüestrá-lo. Em vão. O fundador
da Daewoo tem facilidade em desaparecer na mesma proporção
em que aplica golpes.
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