Só
com tratamento de choque
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| Capas
de VEJA sobre criminalidade e segurança: o assunto não
morre |
As
pessoas assustam-se ao ver os bandidos pressionando uma
arma contra o pescoço de um refém nas rebeliões
que aparecem na TV, mas o problema acaba esquecido quando
o motim é dominado. Na semana passada, o país
foi apresentado a um tipo de movimentação
ainda mais pavorosa: a rebelião coletiva desencadeada
simultaneamente em 29 presídios do Estado de São
Paulo. Como ela foi gigantesca, o assunto vai demorar um
pouco mais para desaparecer até porque ficou
no ar o temor de que, numa próxima vez, os presidiários
talvez tentem algo mais ousado, como uma fuga em massa.
A "questão penitenciária" faz parte de um
problema maior ligado à segurança pública
e à criminalidade, assuntos aos quais VEJA vem dedicando
atenção constante. Na revista, o assunto não
morre quando os ecos de uma bravata presidiária se
desvanecem. Nos últimos dois anos, publicamos incontáveis
reportagens sobre o tema, tendo cinco delas merecido o destaque
de capa das edições em que apareceram. Nessas
reportagens, VEJA procura sistematicamente aliar o relato
dos acontecimentos a uma reflexão sobre suas causas.
Busca-se ainda apontar soluções para o problema
da criminalidade, que já se tornou um dos maiores
pesadelos dos brasileiros.
A criminalidade crescente e o colapso do sistema prisional
chegaram a um ponto em que imitam um câncer em processo
de metástase. Como no caso da doença, a polícia
e a Justiça perderam o controle sobre a onda de crimes
e a falência dos presídios. A situação
é tal que as prisões do país já
são comparadas às piores da América
do Sul, como as da Bolívia e do Paraguai. Na esfera
mundial, rivalizam com o sistema carcerário de países
como Burundi, Camarões e Gâmbia, na África.
A solução existe, como VEJA tem repetido sempre
que trata da criminalidade no Brasil, mas as saídas
só aparecerão quando as autoridades
e a sociedade finalmente se conscientizarem de que
o remédio não pode mais limitar-se a paliativos.
É preciso aplicar um tratamento de choque. Veja
reportagem.