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Economia Com injeção
extra de 100 bilhões de reais, o BNDES
A nova investidura do BNDES tem virtudes e embute alguns riscos. O primeiro é o de desviar a atenção dos reais problemas estruturais do país. Essa montanha de dinheiro, apesar de permitir um bem-vindo alívio financeiro, não significa melhora real na vida das empresas. Elas se beneficiariam muito mais de medidas que vêm sendo sistematicamente adiadas, como a redução da carga tributária e trabalhista, além da queda nos juros básicos e de mercado. "A injeção de recursos nas empresas via BNDES vai estimular a economia, mas o governo perderá uma oportunidade histórica de trabalhar com juros mais próximos ao padrão internacional", diz o economista Armando Castelar, analista da Gávea Investimentos. O segundo é o risco fiscal da transferência de recursos do Tesouro para o banco. Pelas contas de Castelar, os 100 bilhões de reais equivalem a 9% de todo o crédito disponível no país e serão aplicados sem a transparência nem o controle externo que deveriam pautar a utilização de dinheiro público. A falta de transparência nos critérios é a principal crítica que se faz ao apoio que o BNDES deu à compra da Aracruz pelo Grupo Votorantim. Anunciada na semana passada, a operação resultará na maior empresa do mundo no setor de celulose e contará com recursos do banco de até 2,4 bilhões de reais. Mas envolve duas companhias que tiveram grandes prejuízos em 2008 no especulativo mercado de derivativos cambiais o que remete inevitavelmente ao velho hospital. José Júlio Senna, sócio da MCM Consultores, um dos críticos da operação, lembra que o BNDES trabalha com subsídios, o que cria a necessidade de racionar os recursos disponíveis. Diz ele: "Isso torna a instituição excessivamente poderosa para escolher ganhadores".
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, informa que, para 2009, o banco já tem desembolsos previstos de 92 bilhões de reais em todas as áreas da economia. Segundo ele, o que está em curso é um esforço transitório. "A crise bancária está se estendendo por mais tempo do que se imaginava", diz. "Por isso, o banco tem de suportar provisoriamente os investimentos das empresas. Queremos que o mercado retome esse papel e que o banco possa se retirar desse lugar." Espera-se que o futuro confirme essa intenção. Ela confere ao BNDES o papel adequado, de funcionar como um instrumento que os economistas definem como anticíclico ou seja, que entra em ação para compensar a retração de recursos privados para investimento e se recolhe quando a situação se normaliza. Isso já aconteceu no passado recente. Em 2006, o mercado de capitais tornou-se o maior financiador do setor produtivo, investindo mais que o dobro do crédito proporcionado pelo BNDES. É um cenário que não se verificará tão cedo. Mas é vital que as medidas tomadas para enfrentar a crise não criem o ambiente propício para a perpetuação de um intervencionismo que já se mostrou nefasto.
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