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Livros
Ladrões de ficção
O novo livro de García Márquez
foi pirateado. Mas com final errado
Autor de sucessos como Cem Anos de Solidão
e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1982, o colombiano
Gabriel García Márquez figura entre os grandes escritores
latino-americanos. Agora, ele acaba de engrossar uma estatística
melancólica: a dos profissionais do ramo que se tornaram
vítimas da pirataria. Na semana passada, os editores de García
Márquez resolveram antecipar em uma semana o lançamento
de Memórias de Minhas P... Tristes, seu primeiro romance
em dez anos, em todos os países de língua espanhola.
A razão disso é que, dias antes da chegada do livro
aos pontos-de-venda, milhares de cópias ilegais já
estavam em circulação na Colômbia. Alterar o
cronograma de um lançamento dessa magnitude envolve enorme
esforço logístico: para anular os efeitos do comércio
ilegal, uma tiragem de nada menos que 1 milhão de exemplares
teve de ser distribuída às pressas. Na guerra contra
os piratas, contudo, "Gabo" contou com um lance de sorte. Segundo
seus editores, ele decidiu alterar na última hora detalhes
do capítulo final do romance, que narra a história
de um jornalista nonagenário que acalenta o desejo de fazer
amor com uma adolescente virgem. As obras postas à venda
pelos camelôs de Bogotá, a capital colombiana, pelo
equivalente a 12 reais, teriam sido feitas antes dessas alterações.
Quem comprou essa versão leu um texto não finalizado.
Os piratas foram rápidos no gatilho mas o tiro saiu
pela culatra.
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