Edição 1877 . 27 de outubro de 2004

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Ladrões de ficção

O novo livro de García Márquez
foi pirateado. Mas com final errado

Autor de sucessos como Cem Anos de Solidão e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1982, o colombiano Gabriel García Márquez figura entre os grandes escritores latino-americanos. Agora, ele acaba de engrossar uma estatística melancólica: a dos profissionais do ramo que se tornaram vítimas da pirataria. Na semana passada, os editores de García Márquez resolveram antecipar em uma semana o lançamento de Memórias de Minhas P... Tristes, seu primeiro romance em dez anos, em todos os países de língua espanhola. A razão disso é que, dias antes da chegada do livro aos pontos-de-venda, milhares de cópias ilegais já estavam em circulação na Colômbia. Alterar o cronograma de um lançamento dessa magnitude envolve enorme esforço logístico: para anular os efeitos do comércio ilegal, uma tiragem de nada menos que 1 milhão de exemplares teve de ser distribuída às pressas. Na guerra contra os piratas, contudo, "Gabo" contou com um lance de sorte. Segundo seus editores, ele decidiu alterar na última hora detalhes do capítulo final do romance, que narra a história de um jornalista nonagenário que acalenta o desejo de fazer amor com uma adolescente virgem. As obras postas à venda pelos camelôs de Bogotá, a capital colombiana, pelo equivalente a 12 reais, teriam sido feitas antes dessas alterações. Quem comprou essa versão leu um texto não finalizado. Os piratas foram rápidos no gatilho – mas o tiro saiu pela culatra.

 
 
 
 
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