Edição 1877 . 27 de outubro de 2004

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Turismo
Europa sobre duas rodas

Viagens de bicicleta combinam exercício,
hotéis de luxo e gastronomia


Ariel Kostman

Divulgação
Passeio de bicicleta pela Borgonha: castelos, aldeias típicas e ótimos vinhos
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DA INTERNET
Butterfield & Robinson
Highland
Special Trip
AuroraEco


A paulistana Isabel Azzi, 46 anos, passou quatro dias pedalando pela região da Provence, na França, com o marido, em maio deste ano. Os dois não se hospedaram em albergues nem passaram à base de pão com queijo como fazem os mochileiros. Ao contrário, dormiram em hotéis de luxo e comeram em ótimos restaurantes. Como Isabel, muitos brasileiros descobriram que é possível fazer passeios turísticos de bicicleta que combinam exercício, cultura e alta gastronomia. Os países mais procurados pelos brasileiros são França e Itália, entre maio e outubro, quando o clima ameno é propício para atividades ao ar livre. Com um relevo plano e 5.600 quilômetros de rotas para ciclistas, a França é o que recebe maior quantidade de visitantes. Os mais bem preparados fisicamente podem arriscar aventuras de mountain biking nos Alpes franceses. Há também passeios na América do Sul. A partir de novembro, por exemplo, é possível pedalar na Argentina, entre as cidades de Mendoza e San Rafael, visitando vinícolas e bodegas. O percurso tem 175 quilômetros e demora sete dias para ser completado.

Os viajantes pedalam em torno de três horas diárias para percorrer 30 a 40 quilômetros. Não é cansativo para quem no restante do ano freqüenta academia de ginástica com regularidade. O esforço pode ser excessivo, contudo, para quem tem uma vida sedentária e se põe, de uma hora para outra, a pedalar. Os roteiros levam em conta a beleza da paisagem – quase todos são por estradas secundárias, entre campos floridos e alamedas de árvores – e a facilidade de acesso com bicicleta a locais que valem a pena ser vistos. São atrações como ruínas romanas, castelos medievais, feiras regionais, vinícolas ou lugarejos com vielas estreitas demais para a circulação de carros. O almoço é muitas vezes um piquenique, com patês, queijos e vinhos comprados pelo caminho. "De bicicleta, você pode ver todos os detalhes da região e entrar em contato com a cultura do local", diz Isabel Azzi.


Álbum de família
A paulistana Isabel Azzi em férias na Provence: "De bicicleta, você não perde nenhum detalhe"

As bicicletas usadas são modernas, com 21 marchas e amortecedores. Os turistas são acompanhados por guias e por uma caminhonete de apoio. Quando cansam de pedalar, eles e as bicicletas são transportados ao destino final. O mesmo veículo cuida de levar as bagagens de um hotel a outro. Não são viagens baratas, se comparadas às do turismo convencional. Um pacote na Provence de nove dias da agência paulistana Highland sai por cerca de 4.000 dólares por pessoa, mas sem a passagem aérea. A agência Special Trip oferece dois roteiros: Provence (dez dias) e Vale do Loire (oito dias). Cada um custa 3.500 dólares, só para a parte terrestre. Uma opção mais econômica é acertar o pacote diretamente com agências de turismo francesas. Por 700 dólares é possível viajar durante uma semana pela Borgonha, com bicicletas, guias, transporte de apoio e hospedagem. Mas as refeições não estão incluídas e os hotéis são bem mais simples.

Viagens sobre duas rodas são feitas em ritmo mais lento que as convencionais e evitam os roteiros turísticos mais explorados. "De carro, você passa pelos lugares, mas só vê as coisas rapidamente pela janela. De bicicleta, você sente os aromas, pára para conversar com as pessoas e tem muito mais liberdade para fazer sua programação", diz o carioca Rogério Marins, engenheiro que já fez três viagens de bicicleta na Europa. Esteve na Toscana, na Itália, e na Borgonha e Provence, na França. Nas três vezes Rogério viajou com a operadora canadense Butterfield & Robinson, especializada em ciclismo com luxo. São mais de oitenta roteiros em todo o mundo. De mosteiros isolados no Butão a pedaladas ao lado de zebras e antílopes na África do Sul. No ano passado, 300 brasileiros embarcaram para viagens de bicicleta com a operadora canadense, número três vezes maior que o de cinco anos atrás. "Nossos turistas são pessoas que abominam excursões e querem ter autonomia para fazer as coisas que quiserem, na hora em que quiserem", diz Márcia Lucas, representante da Butterfield no Brasil.

 

 
 
 
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