|
|
Turismo Europa
sobre duas rodas Viagens de bicicleta combinam
exercício, hotéis de luxo e gastronomia 
Ariel Kostman
Divulgação  |
| Passeio de bicicleta pela Borgonha: castelos, aldeias
típicas e ótimos vinhos | | |
A paulistana Isabel Azzi, 46 anos, passou quatro dias pedalando pela região
da Provence, na França, com o marido, em maio deste ano. Os dois não
se hospedaram em albergues nem passaram à base de pão com queijo
como fazem os mochileiros. Ao contrário, dormiram em hotéis de luxo
e comeram em ótimos restaurantes. Como Isabel, muitos brasileiros descobriram
que é possível fazer passeios turísticos de bicicleta que
combinam exercício, cultura e alta gastronomia. Os países mais procurados
pelos brasileiros são França e Itália, entre maio e outubro,
quando o clima ameno é propício para atividades ao ar livre. Com
um relevo plano e 5.600 quilômetros de rotas
para ciclistas, a França é o que recebe maior quantidade de visitantes.
Os mais bem preparados fisicamente podem arriscar aventuras de mountain biking
nos Alpes franceses. Há também passeios na América do Sul.
A partir de novembro, por exemplo, é possível pedalar na Argentina,
entre as cidades de Mendoza e San Rafael, visitando vinícolas e bodegas.
O percurso tem 175 quilômetros e demora sete dias para ser completado.
Os
viajantes pedalam em torno de três horas diárias para percorrer 30
a 40 quilômetros. Não é cansativo para quem no restante do
ano freqüenta academia de ginástica com regularidade. O esforço
pode ser excessivo, contudo, para quem tem uma vida sedentária e se põe,
de uma hora para outra, a pedalar. Os roteiros levam em conta a beleza da paisagem
quase todos são por estradas secundárias, entre campos floridos
e alamedas de árvores e a facilidade de acesso com bicicleta a locais
que valem a pena ser vistos. São atrações como ruínas
romanas, castelos medievais, feiras regionais, vinícolas ou lugarejos com
vielas estreitas demais para a circulação de carros. O almoço
é muitas vezes um piquenique, com patês, queijos e vinhos comprados
pelo caminho. "De bicicleta, você pode ver todos os detalhes da região
e entrar em contato com a cultura do local", diz Isabel Azzi.
Álbum de família  |
| A paulistana Isabel Azzi em férias na Provence:
"De bicicleta, você não perde nenhum detalhe" |
As bicicletas usadas são modernas, com 21
marchas e amortecedores. Os turistas são acompanhados por guias e por uma
caminhonete de apoio. Quando cansam de pedalar, eles e as bicicletas são
transportados ao destino final. O mesmo veículo cuida de levar as bagagens
de um hotel a outro. Não são viagens baratas, se comparadas às
do turismo convencional. Um pacote na Provence de nove dias da agência paulistana
Highland sai por cerca de 4.000 dólares por
pessoa, mas sem a passagem aérea. A agência Special Trip oferece
dois roteiros: Provence (dez dias) e Vale do Loire (oito dias). Cada um custa
3.500 dólares, só para a parte terrestre.
Uma opção mais econômica é acertar o pacote diretamente
com agências de turismo francesas. Por 700 dólares é possível
viajar durante uma semana pela Borgonha, com bicicletas, guias, transporte de
apoio e hospedagem. Mas as refeições não estão incluídas
e os hotéis são bem mais simples.
Viagens sobre duas rodas são feitas em ritmo mais lento que as convencionais
e evitam os roteiros turísticos mais explorados. "De carro, você
passa pelos lugares, mas só vê as coisas rapidamente pela janela.
De bicicleta, você sente os aromas, pára para conversar com as pessoas
e tem muito mais liberdade para fazer sua programação", diz o carioca
Rogério Marins, engenheiro que já fez três viagens de bicicleta
na Europa. Esteve na Toscana, na Itália, e na Borgonha e Provence, na França.
Nas três vezes Rogério viajou com a operadora canadense Butterfield
& Robinson, especializada em ciclismo com luxo. São mais de oitenta
roteiros em todo o mundo. De mosteiros isolados no Butão a pedaladas ao
lado de zebras e antílopes na África do Sul. No ano passado, 300
brasileiros embarcaram para viagens de bicicleta com a operadora canadense, número
três vezes maior que o de cinco anos atrás. "Nossos turistas são
pessoas que abominam excursões e querem ter autonomia para fazer as coisas
que quiserem, na hora em que quiserem", diz Márcia Lucas, representante
da Butterfield no Brasil. |