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Estilo Já
tem? Então veja estas As
grifes que vendem acessórios caríssimos criam uma nova categoria de
produtos: os mais
caros ainda
 Bel
Moherdaui Fotos
divulgação
 |  | Louis
Vuitton 12 500 dólares (no
Brasil, 47500 reais) | Prada 5
950 dólares |
Somadas,
as etiquetas das bolsas que ilustram estas páginas chegam perto dos 90.000
reais, o equivalente a um carro importado de porte médio ou um apartamento
de dois quartos coisas que a provável consumidora dessas preciosidades
em couro ou já tem, ou nem cogita ter, ou não vai ter jamais porque
gasta tudo o que possui em bolsas de grife. São modelos exclusivíssimos,
caríssimos, exemplares típicos de uma nova classe de produtos: o
luxo do luxo. Com eles, as marcas mais poderosas estão atingindo um novo
patamar em sua incessante escalada rumo a artigos cada vez mais caros. Procuram,
assim, recuperar a aura de exclusividade ligeiramente tisnada pela disseminação
das grifes de luxo mas sem perder de vista a consumidora média (para
esses padrões, claro), que já se acostumou a pagar em prestações
a bolsinha de 2.000 dólares que hoje "todo mundo tem". Há situações
em que o acessório, de tão raro, ultrapassa em valor, e aura fetichista,
jóias de qualidade. Tome-se o caso da bolsa Alberta, da Louis Vuitton.
Só para recobrir cada mimo desses com couro de jacaré, flores de
visom e organza, pedras, cristais e madrepérolas, os artesãos levam
doze horas. Resultado: produção ultralimitada e preço na
estratosfera. Para o Brasil virão menos de dez, a 47.500 reais cada uma
(na Europa e nos Estados Unidos saem mais em conta 12 500 dólares).
Perto dela, fica até acanhada a bolsinha New Look, da Christian Dior, de
cetim com aplicação de contas de cristal, que custa 3.130 dólares
no exterior e mais de 10.000 reais na loja da grife em São Paulo, onde
as dez primeiras estão prometidas para a semana que vem.  |  |
Gucci 4 500
dólares | Dior 3
130 dólares (cerca de 10 000 reais no Brasil)
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Os
sinais de expansão dessa indústria do superluxo podem ser detectados
no epicentro mundial dos artigos de couro de altíssima qualidade: Milão,
mais especificamente o quadrilátero formado pelas vias della Spiga, Montenapoleone,
Sant'Andrea e Manzoni. Na loja da grife Dolce&Gabbana, enquanto a plebe fica
de queixo caído diante dos dramáticos lustres de cristal preto no
piso principal, as clientes vips se deliciam com produtos especialíssimos
(únicos ou numerados) em uma sala reservada. "Nós começamos
a fazer essas peças sem alarde, há três anos, em Milão,
e todo mundo ficou louco", diz Stefano Gabbana. Loucura, aí, significa
oferecer produtos de linha tão exclusivos que funcionam quase como se fossem
roupas de alta-costura. "Se o sapato que pusemos na loja é tamanho 37 e
a cliente calça 39, eu posso até atendê-la, mas aviso: outra
pode entrar, comprar o 37 e você não será mais única",
explica, em tom ameaçador. Na Gucci da via Montenapoleone, uma pequena
quantidade das bolsas da pré-coleção de primavera-verão
(fundo branco e estampa de flores) que só chegam às lojas no fim
de novembro saiu da caixa rumo ao armário de clientes especiais no fim
de setembro. A mais elaborada, toda bordada, com alça de corrente com bambu,
é vendida apenas sob encomenda, pelo equivalente a 1 750 dólares
(5 000 reais). Uma pechincha perto da bolsinha de veludo e couro de crocodilo,
com um dragão de duas cabeças no fecho dourado com strass, pérolas
e ametista, também lançada com antecedência em Milão,
a 4 500 dólares (pouco menos de 13 000 reais). Na Prada, algumas das bolsas
de patchwork da pré-coleção que só chegará
ao mundo das ricas comuns, coitadinhas, em novembro esgotaram-se antes
de outubro. Eram bolsinhas simples, de náilon, nada que se compare à
versão em couro com bordado em cristais que será vendida a 6.000
dólares (17.000 reais).
Além dos produtos caríssimos e ultra-exclusivos, outras táticas
vêm sendo usadas pelas marcas, em conjunto com o varejo, para insuflar os
instintos de consumo em clientes que circulam no Everest da faixa de renda. Uma
delas é o trunk show, um tipo de venda quase fechada, de coleções
que ainda não chegaram às prateleiras comuns, destinada a freguesas
que já demonstraram seu poder de fogo. No último trunk show da Chanel
na loja de departamentos Bergdorf Goodman, de Nova York, o faturamento foi equivalente
ao que uma empresa brasileira de porte médio leva um ano para acumular:
3,1 milhões de dólares em um único dia. |