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Cuba Fidel
caiu! Calma...foi só um tombo
Mas o tropeço em público reabre os rumores sobre a saúde
precária do ditador de 78 anos
Fotos AP
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| O tombo de Fidel na praça, diante das câmeras
e do público: rótula do joelho esquerdo fraturada e fissura
no braço |
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Fidel
Castro caiu. Não foi, como seria desejável, a queda da ditadura
mas, ao tropeçar em público e se estatelar no chão,
o ditador pôs fogo nas especulações sobre sua capacidade de
continuar a governar. A idade é um inimigo que el comandante en jefe
não pode prender, torturar nem fuzilar no paredón. Aos
78 anos, ele tem dificuldade cada vez maior para convencer os cubanos de que são
falsos os rumores sobre seus problemas de saúde. O tombo foi na quarta-feira
à noite, depois de um discurso de formatura em Santa Clara, no interior
da ilha. Muitos dos espectadores das primeiras filas no auditório simplesmente
saíram correndo, querendo distância do que estava ocorrendo
seja lá o que fosse. Socorrido pelos guarda-costas, Castro pegou o microfone
e tentou tranqüilizar o público presente à cerimônia.
Com expressão de dor, explicou que havia caído, machucado o braço
e o joelho, e avisou: "Estou inteiro".
Apesar de
a queda ter sido registrada pelas câmeras de TV e pelos fotógrafos,
a TV cubana não exibiu uma só cena do acidente. Só os cubanos
com acesso às transmissões internacionais souberam o que tinha acontecido.
O restante da população tomou conhecimento por descrições
passadas de boca em boca e, no íntimo de muitos deles, deve ter
tremulado a esperança de que o ditador houvesse finalmente desaparecido
da vida deles. Logo as autoridades pediram calma à população,
confirmaram a queda e deram detalhes (Fidel fraturou a rótula do joelho
esquerdo e sofreu uma fissura no braço direito, usado para proteger o rosto
na queda). Desde junho de 2001, quando Fidel desmaiou durante um discurso ao ar
livre, o real estado de saúde do ditador é a principal especulação
política em Cuba. O desmaio deixou claro que a idade começa a pesar-lhe.
É arriscado fazer prognósticos sobre o futuro de Cuba. Não
há provas concretas de que Fidel esteja doente, e, como seu pai, ele pode
muito bem viver além dos 80 anos. De qualquer forma, a pergunta está
no ar: depois dele, quem? Esse é um dilema
que atordoa os países nos quais uma só pessoa concentra todo o poder,
como é o caso de Cuba. Nenhum regime comunista conseguiu criar um padrão
de transição do poder. Na maioria das vezes, a sucessão só
ocorreu depois da morte do manda-chuva, mesmo que ele tenha passado longo tempo
incapacitado de governar a exemplo do chinês Mao Tsé-tung
e do soviético Leonid Brejnev. Num livro recente sobre o futuro da ilha,
o mexicano Ricardo Pascoe Pierce, embaixador em Havana até 2002, diz que
depois do desmaio do ditador em 2001 a luta pelo poder corre solta em Cuba. Primeiro,
Fidel precisou rever o plano de deixar a Presidência para o irmão,
Raúl, que comanda as Forças Armadas. Fez isso porque a nomeação
do primeiro-irmão foi rejeitada numa votação secreta, da
qual só participou a cúpula comunista. Fidel passou então
a delegar poderes ao ministro da Economia, Carlos Lage. De acordo com Pierce,
Raúl ficou furioso e começou a tentar ampliar sua base de poder
e para espanto dos visitantes estrangeiros a fazer piada a respeito
do irmão em público. Essa luta de bastidores pôde ser percebida,
nos últimos meses, pela substituição de dirigentes comunistas
acusados de corrupção por militares de confiança de Raúl.
AFP
 | | O
ditador explica o que aconteceu, minutos depois do incidente: "Estou inteiro"
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Oficialmente, o primeiro-irmão
continua o príncipe herdeiro. "Há uma coisa que pode complicar o
processo sucessório em Cuba: a morte prematura de Raúl", disse a
VEJA Hans De Salas-del Valle, professor da Universidade de Miami. Existem rumores
de que sua saúde está debilitada após o tratamento de um
câncer no cólon. Fidel Castro, há 45 anos no poder, deixou
claro que não pretende abrir mão em vida de nenhum dos inúmeros
cargos que ocupa. Ele se recusa a fazer concessões ideológicas,
mesmo que sejam urgentes para amenizar a gravíssima crise econômica
da ilha. No momento, o ditador está empenhado em esmagar, com impostos
pesadíssimos, os pequenos negócios privados (restaurantes e pensões)
que ele mesmo permitiu que fossem abertos no início da década passada.
Raúl e Lage são favoráveis à abertura da economia.
Não se pense, contudo, numa revolução ao contrário.
A exemplo do que aconteceu na Rússia pós-soviética, cada
um deles trabalha para conservar sua área de influência na economia.
Raúl cuida do turismo e da aviação comercial, enquanto Lage
controla os serviços públicos, o petróleo, a eletricidade
e a mineração. O plano deles é reproduzir o modelo chinês,
com uma economia de mercado sob o controle do Partido Comunista. A diferença
é que o comunismo em Cuba só tem uma bandeira o carisma de
Fidel e seu antiamericanismo. A questão, evidentemente, é outra:
a criatura sobreviverá ao criador? |