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Energia O
núcleo da questão A tecnologia atômica
brasileira pode ser fruto de pirataria ou ser original. O mundo quer vê-la
 Ronaldo
França
Na semana passada, representantes da Agência
Internacional de Energia Atômica (Aiea) visitaram a fábrica de urânio
em Resende, no Rio de Janeiro, para estabelecer os procedimentos da inspeção,
que deverá ocorrer nos próximos meses. Ainda não há
um acordo formal sobre o que será mostrado. Existem suspeitas de que o
sigilo todo se deva ao fato de o desenho das centrífugas nacionais ser
fruto de pirataria e uma simples inspeção visual bastaria
para desmascarar a cópia. As autoridades brasileiras rejeitam essa tese.
Sustentam que, para checar a quantidade de urânio que entra e sai da fábrica,
não é preciso ver as centrífugas. O argumento é que
a tecnologia brasileira não apenas é original como desperta cobiça.
Caso os equipamentos sejam exibidos, eles podem vir a ser copiados. O segredo
industrial a ser preservado combinaria fatores como dimensão das máquinas,
tipo de material utilizado e detalhes da tecnologia de levitação,
desenvolvidos pela Marinha. "Não vamos jogar
fora uma vantagem competitiva enorme", afirma o almirante Alan Arthou, diretor
do Centro Tecnológico da Marinha. O Brasil se beneficiou por ter demorado
a entrar nas pesquisas do ciclo do urânio, o que fez somente no início
dos anos 80. Incorporando tecnologias emergentes, o país chegou à
levitação, que reduz o desgaste do equipamento e é trinta
vezes mais econômica que outros métodos (veja quadro abaixo).
Essa tecnologia é um dos trunfos do país para planos ambiciosos
na geração de energia nuclear. Um artigo publicado na semana passada
na revista Science, a mais prestigiada do mundo, afirma que a usina de
Resende pode produzir urânio suficiente para seis ogivas nucleares. O artigo
é apenas mais um round da inevitável e legítima pressão
internacional para que o Brasil seja mais transparente nessa questão. A
proliferação nuclear é um pesadelo atual equiparado ao terrorismo.
É ingênuo imaginar que a comunidade internacional, por mais respeito
que o pacifismo brasileiro suscite, vá dormir em paz sem saber em detalhes
as reais intenções atômicas representadas pelas centrífugas
de Resende. |