Edição 1877 . 27 de outubro de 2004

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Eleições
Sem limites

O casal Garotinho faz de tudo
para manter o domínio sobre
a cidade que o projetou


Marcelo Carneiro


Michel Filho/Ag. O Globo
Geraldo Pudim, Garotinho e Rosinha: o candidato em campanha é o da esquerda

As bochechas rosadas, a camiseta com o número 15 destacando a barriga saliente, o microfone sempre à mão. "Em quem vocês vão votaaaaaaaaaaar?", pergunta Anthony Garotinho, no estilo inconfundível de locutor de rádio. O ex-governador fluminense tornou-se a estrela de uma eleição em que nem é candidato. Na terça-feira da semana passada, participou de quatro comícios em um só dia, o último quando já passava das 10 da noite. Na tarde de quinta-feira, estafado, teve uma crise de pressão alta. Tanto desgaste é resultado da disputa por um colégio eleitoral de 300.000 votos, número bem abaixo dos 15 milhões que obteve há dois anos, quando concorreu à Presidência. Garotinho, ao lado da mulher, a governadora Rosinha, é o patrono da candidatura de Geraldo Pudim, que concorre à prefeitura de Campos dos Goitacazes, no norte do Rio de Janeiro, pelo PMDB, partido do ex-governador. A cidade de onde Garotinho saiu em 1998, para tornar-se governador e depois candidato a presidente, virou palco de uma disputa na qual vale tudo – inclusive o uso escancarado da máquina administrativa estadual. Nos últimos dias, foi aberto um cadastramento para a venda de casas pelo valor simbólico de 1 real e iniciou-se, em pleno mês de outubro, a distribuição de 82.000 kits com material escolar para alunos da rede pública.

Por trás desse desespero está o resultado das eleições municipais, que não foi positivo para o ex-governador. Apesar de o PMDB ter conquistado quarenta das 92 prefeituras do Estado, e ainda outras dezesseis que serão administradas por partidos aliados, Garotinho não conseguiu eleger candidatos nas principais cidades, incluindo a capital. No segundo turno, as chances de seu grupo conquistar prefeituras importantes também são reduzidas. Isso explica o peso dado a Campos. Há quinze dias, uma pesquisa de intenção de voto não divulgada apontava vantagem de 15% para o pedetista Carlos Alberto Campista, apoiado pelo atual prefeito, Arnaldo Vianna, que enfrenta denúncias de irregularidades em sua gestão. Garotinho, que já tinha pedido afastamento do cargo de secretário de Segurança do Rio de Janeiro e chegou a dizer que não considera a eleição em Campos tão importante assim, praticamente se mudou para lá. A diferença reduziu-se, mas a disputa continua acirrada. O forte apoio de Garotinho a seu candidato provocou a formação de uma aliança que vai do PT ao PFL em apoio a Carlos Alberto Campista. "Até ministros do governo Lula e o presidente do PT, José Genoíno, declararam apoio ao Campista. Eles é que estão dando a esta eleição, e a mim, uma importância que eu não tenho, pelo menos neste momento", diz Garotinho, que, apesar do revés no Rio, garante que em 2006 concorrerá novamente à Presidência.

 
 
 
 
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