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Eleições
Sem limites
O casal Garotinho faz de tudo
para manter o domínio sobre
a cidade que o projetou

Marcelo Carneiro
Michel Filho/Ag. O Globo
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| Geraldo Pudim, Garotinho e Rosinha: o candidato
em campanha é o da esquerda |
As bochechas rosadas, a camiseta com o número
15 destacando a barriga saliente, o microfone sempre à mão.
"Em quem vocês vão votaaaaaaaaaaar?", pergunta Anthony
Garotinho, no estilo inconfundível de locutor de rádio.
O ex-governador fluminense tornou-se a estrela de uma eleição
em que nem é candidato. Na terça-feira da semana passada,
participou de quatro comícios em um só dia, o último
quando já passava das 10 da noite. Na tarde de quinta-feira,
estafado, teve uma crise de pressão alta. Tanto desgaste
é resultado da disputa por um colégio eleitoral de
300.000 votos, número bem abaixo
dos 15 milhões que obteve há dois anos, quando concorreu
à Presidência. Garotinho, ao lado da mulher, a governadora
Rosinha, é o patrono da candidatura de Geraldo Pudim, que
concorre à prefeitura de Campos dos Goitacazes, no norte
do Rio de Janeiro, pelo PMDB, partido do ex-governador. A cidade
de onde Garotinho saiu em 1998, para tornar-se governador e depois
candidato a presidente, virou palco de uma disputa na qual vale
tudo inclusive o uso escancarado da máquina administrativa
estadual. Nos últimos dias, foi aberto um cadastramento para
a venda de casas pelo valor simbólico de 1 real e iniciou-se,
em pleno mês de outubro, a distribuição de 82.000
kits com material escolar para alunos da rede pública.
Por trás desse desespero está
o resultado das eleições municipais, que não
foi positivo para o ex-governador. Apesar de o PMDB ter conquistado
quarenta das 92 prefeituras do Estado, e ainda outras dezesseis
que serão administradas por partidos aliados, Garotinho não
conseguiu eleger candidatos nas principais cidades, incluindo a
capital. No segundo turno, as chances de seu grupo conquistar prefeituras
importantes também são reduzidas. Isso explica o peso
dado a Campos. Há quinze dias, uma pesquisa de intenção
de voto não divulgada apontava vantagem de 15% para o pedetista
Carlos Alberto Campista, apoiado pelo atual prefeito, Arnaldo Vianna,
que enfrenta denúncias de irregularidades em sua gestão.
Garotinho, que já tinha pedido afastamento do cargo de secretário
de Segurança do Rio de Janeiro e chegou a dizer que não
considera a eleição em Campos tão importante
assim, praticamente se mudou para lá. A diferença
reduziu-se, mas a disputa continua acirrada. O forte apoio de Garotinho
a seu candidato provocou a formação de uma aliança
que vai do PT ao PFL em apoio a Carlos Alberto Campista. "Até
ministros do governo Lula e o presidente do PT, José Genoíno,
declararam apoio ao Campista. Eles é que estão dando
a esta eleição, e a mim, uma importância que
eu não tenho, pelo menos neste momento", diz Garotinho, que,
apesar do revés no Rio, garante que em 2006 concorrerá
novamente à Presidência.
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