Brasil
Sabia ou não sabia? Sabia...
...mas sabia só
um pouco. Essa é a lógica empregada pelo
diretor da Abin, Paulo Lacerda, em depoimento em que admitiu
o que tinha negado: houve arapongas na Operação
Satiagraha

Diego Escosteguy
Alan Marques/Folha Imagem
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CONTRADIÇÕES
Paulo Lacerda garantiu que seus espiões se limitaram
a pesquisar na internet |
O delegado Paulo Lacerda, diretor da Agência Brasileira
de Inteligência (Abin), foi à CPI dos Grampos
na semana passada para tentar salvar o emprego ameaçado
desde que se descobriu que seus arapongas participaram clandestinamente
da Operação Satiagraha, na qual a Polícia
Federal prendeu o banqueiro Daniel Dantas. Sete dias depois
da operação, Lacerda havia divulgado uma nota
negando o envolvimento de seus espiões no caso. Sem
nenhum constrangimento diante dos deputados, ele mudou radicalmente
a versão e admitiu a participação de
seu pessoal como "uma colaboração informal"
um eufemismo para ilegal , repetindo a explicação
torta dada antes pelo delegado Protógenes Queiroz,
o responsável pela operação. Mas que
ninguém se assuste. Apesar das evidências de
que os investigadores recorreram a expedientes criminosos,
como escutas clandestinas, Lacerda garantiu que seus arapongas
realizaram apenas tarefas prosaicas nas dependências
da Polícia Federal, como pesquisar endereços
na internet. Pobres arapongas: têm de recorrer aos computadores
da PF para acessar o Google.
Ed Ferreira/AE
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SEM
EXPLICAÇÃO
O delegado Protógenes Queiroz, que comandou a operação:
suspeitas de escutas ilegais |
Na tentativa de
se distanciar do caso, Lacerda garantiu aos deputados que
não manteve contato com o delegado Protógenes,
quando são notórios os inúmeros encontros
que os dois tiveram nos últimos meses. Disse que soube
da tal "colaboração" por um subordinado
e que achou "as medidas corretas". Mais uma vez
a inação dos deputados que o interrogaram beirou
a conivência. Lacerda estava entre amigos e saiu rindo.
O depoimento transcorreu em um clima de camaradagem, em que
havia troca de piadinhas e sorrisos entre Lacerda e o presidente
da CPI, o deputado Marcelo Itagiba. Também delegado
federal, ele é colega do diretor da Abin. No fim do
melancólico espetáculo, Itagiba se disse convencido
da retidão de Lacerda e ainda parabenizou o amigo.
O emprego do diretor da Abin, por enquanto, está garantido.