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Edição 2075

27 de agosto de 2008
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Brasil
Sabia ou não sabia? Sabia...

...mas sabia só um pouco. Essa é a lógica empregada pelo
diretor da Abin, Paulo Lacerda, em depoimento em que admitiu
o que tinha negado: houve arapongas na Operação Satiagraha


Diego Escosteguy

Alan Marques/Folha Imagem
CONTRADIÇÕES
Paulo Lacerda garantiu que seus espiões se limitaram a pesquisar na internet


O delegado Paulo Lacerda, diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi à CPI dos Grampos na semana passada para tentar salvar o emprego – ameaçado desde que se descobriu que seus arapongas participaram clandestinamente da Operação Satiagraha, na qual a Polícia Federal prendeu o banqueiro Daniel Dantas. Sete dias depois da operação, Lacerda havia divulgado uma nota negando o envolvimento de seus espiões no caso. Sem nenhum constrangimento diante dos deputados, ele mudou radicalmente a versão e admitiu a participação de seu pessoal como "uma colaboração informal" – um eufemismo para ilegal –, repetindo a explicação torta dada antes pelo delegado Protógenes Queiroz, o responsável pela operação. Mas que ninguém se assuste. Apesar das evidências de que os investigadores recorreram a expedientes criminosos, como escutas clandestinas, Lacerda garantiu que seus arapongas realizaram apenas tarefas prosaicas nas dependências da Polícia Federal, como pesquisar endereços na internet. Pobres arapongas: têm de recorrer aos computadores da PF para acessar o Google.


Ed Ferreira/AE
SEM EXPLICAÇÃO
O delegado Protógenes Queiroz, que comandou a operação: suspeitas de escutas ilegais

Na tentativa de se distanciar do caso, Lacerda garantiu aos deputados que não manteve contato com o delegado Protógenes, quando são notórios os inúmeros encontros que os dois tiveram nos últimos meses. Disse que soube da tal "colaboração" por um subordinado e que achou "as medidas corretas". Mais uma vez a inação dos deputados que o interrogaram beirou a conivência. Lacerda estava entre amigos e saiu rindo. O depoimento transcorreu em um clima de camaradagem, em que havia troca de piadinhas e sorrisos entre Lacerda e o presidente da CPI, o deputado Marcelo Itagiba. Também delegado federal, ele é colega do diretor da Abin. No fim do melancólico espetáculo, Itagiba se disse convencido da retidão de Lacerda e ainda parabenizou o amigo. O emprego do diretor da Abin, por enquanto, está garantido.



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