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Teoria
Uma
nova agenda
O
pai do Consenso de Washington
faz autocrítica e sugere novas
estratégias para a América Latina

João Gabriel de Lima
Tasso Marcelo/AE
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| Williamson:
ex-professor no Rio de Janeiro, ele tem um carinho especial
pelo Brasil |
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O economista
inglês John Williamson criou há catorze anos a expressão
Consenso de Washington, para designar um conjunto de medidas de
política econômica que, aplicado a países da
América Latina, deveria resultar em estabilidade e crescimento.
Williamson produziu agora um balanço da teoria e da prática
das medidas sugeridas no passado. O resultado está no livro
Depois do Consenso de Washington (Editora Saraiva; tradução
de Célio Knipel Moreira e Cid Knipel Moreira; 306 páginas;
46 reais), que será lançado nesta semana no Brasil.
A obra traz artigos de vários economistas, em sua maioria
latino-americanos, entre eles o ex-ministro argentino Ricardo López
Murphy e o brasileiro Claudio de Moura Castro, colaborador de VEJA.
Williamson organizou o livro ao lado do americano de origem peruana
Pedro-Pablo Kuczynski e assina o primeiro e os dois últimos
capítulos, destinados a resumir as apreciações
de seus colegas e a fazer sua própria avaliação.
É sabido que o crescimento econômico dos países
latino-americanos nos últimos catorze anos foi medíocre
e que o Consenso de Washington está sob fogos inimigos e
amigos.
Se
o resultado pífio das economias latino-americanas foi fruto
da aplicação das medidas sugeridas por Williamson
há catorze anos, é motivo de inflamado debate. Cada
país aplicou o coquetel de remédios a sua moda. Muitos
ficaram no meio do caminho, como a Argentina, que adotou alguns
procedimentos no sentido de tornar a economia mais produtiva, mas
falhou na gestão das contas públicas. O economista
Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, observa no
prefácio da edição brasileira do livro que
os países que obtiveram melhor resultado, o Chile e o México,
foram justamente os que cuidaram ao mesmo tempo das contas públicas
e do incentivo à produtividade das empresas.
Em
sua autocrítica, Williamson identifica três falhas
principais na agenda original. A primeira é o fato de não
ter pesado a possibilidade de ocorrência de crises externas
desestabilizadoras, como as da Rússia, do México e
da Ásia, que arrasariam os mercados emergentes. A segunda,
a pouca ênfase dada a aspectos institucionais. Hoje se sabe
que o que os países desenvolvidos têm em comum é
uma democracia que funciona, um Legislativo que cria regras claras
e um Judiciário que faz com que elas sejam cumpridas. O terceiro
erro teria sido acreditar que os sérios problemas de distribuição
de renda e a penúria se resolveriam pela subida da maré
econômica. No "novo consenso", portanto, Williamson incluiria
uma agenda institucional e outra de combate à iniqüidade
as quais em nenhum momento são incompatíveis
com a boa gestão econômica proposta no modelo original.
"De certa maneira, o governo de Fernando Henrique Cardoso já
estava preocupado com todas essas questões, e o de Lula parece
que também vai encarar os mesmos desafios", disse Williamson
a VEJA. O economista, ex-funcionário do Banco Mundial, tem
um carinho especial pelo Brasil. Já deu aulas na PUC do Rio
de Janeiro um de seus alunos foi justamente Armínio
Fraga , é casado com uma brasileira e tem uma filha
que vive no Brasil. A conclusão a que se chega no fim do
livro é que o receituário de Williamson perdeu o caráter
polêmico que tinha catorze anos atrás. Somando-se as
propostas originais com a nova agenda social e institucional, pode-se
dizer que não há ali nada que o atual governo de esquerda
do Partido dos Trabalhadores não subscreva. O Consenso de
Washington poderia se chamar, sem nenhum problema, "Consenso de
Brasília".
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