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Acidente
Tragédia
na base espacial
Pelo
menos dezesseis pessoas morrem em
explosão de foguete brasileiro no Maranhão
AEB/IAE
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| O
foguete lançador de satélites: terceira tentativa frustrada
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Na tarde de sexta-feira passada, o esforço brasileiro para
entrar no seleto time de países que fabricam foguetes capazes
de colocar satélites na órbita espacial tropeçou
num acidente dramático e produziu suas primeiras vítimas
fatais. Na base espacial de Alcântara, instalada a 22 quilômetros
de São Luís, no Maranhão, um grupo de técnicos
fazia os últimos ajustes num foguete, o VLS 3, que deveria
ser lançado ao espaço nesta segunda-feira, 25. De
repente, o foguete, que tinha a altura de um prédio de seis
andares e estava carregado com 40 toneladas de perclorato de amônia
um combustível sólido, responsável pela
propulsão dos motores , explodiu pelos ares. Era cerca
de 1h30 da tarde. Foi uma explosão tão potente que
destruiu todo o foguete, despedaçou a plataforma de lançamento
e destroçou tudo num raio de 50 metros. Até a noite
de sexta-feira, a Agência Espacial Brasileira, órgão
do Ministério da Ciência e Tecnologia, não sabia
informar as causas do acidente, mas confirmou que pelo menos dezesseis
pessoas morreram. Em virtude da extrema violência da explosão,
será impossível identificar os corpos das dezesseis
vítimas.
A
identificação dos mortos terá de ser feita
por dedução. Na noite de sexta-feira, a administração
da base de Alcântara fez uma chamada geral de seus funcionários
e 21 homens não a responderam, num indício
de que o total de vítimas pode ser maior. "Vi uma grande
fumaça branca do outro lado da baía", conta o senador
José Sarney, que observou a explosão quando conversava,
na varanda de sua casa, com o governador do Amapá, Waldez
Góes. Ao estranhar o gigantesco cogumelo no horizonte, Sarney
pediu à esposa do governador que tirasse uma fotografia.
Foi uma das primeiras imagens do acidente. Sarney, dono do jornal
O Estado do Maranhão, acionou sua equipe de jornalistas
e logo ficou sabendo de detalhes do desastre. "Com a explosão,
a temperatura na base chegou a mais de 2.000
graus. Derreteu tudo, inclusive os corpos", conta Sarney. "Apenas
três pessoas mortas tinham condições de ser
identificadas. Elas estavam a 100 metros do local da explosão
e só poderão ser reconhecidas porque se encontravam
dentro de um contêiner", diz.
Há
poucos dias, um grupo de 120 técnicos, todos de São
José dos Campos, no interior de São Paulo, viajou
para a base de Alcântara, onde estavam trabalhando nos preparativos
do lançamento do VLS 3. Em São José dos Campos,
foram produzidos os dois satélites um de dados meteorológicos
e outro de localização geográfica que
seriam colocados em órbita pelo VLS 3. A maioria dos técnicos
pertencia ao Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e outros trabalhavam
no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Na noite de
sexta-feira, supunha-se que, entre a maioria das vítimas,
estivessem técnicos paulistas. A operação de
lançamento do VLS 3, que já consumiu 36 milhões
de reais, era a terceira tentativa brasileira de lançar um
foguete levando um satélite. A primeira ocorreu em 1997.
O VLS 1 foi colocado na rampa de lançamento, onde ficou vinte
dias, e, depois de lançado, voou por apenas 29 segundos,
até ser abatido porque se desviara da rota. A segunda tentativa,
com o VLS 2, aconteceu quatro anos atrás, mas teve exatamente
o mesmo desfecho. O foguete desviou-se da rota prevista e teve de
ser destruído.
A
base de Alcântara entrou em funcionamento há vinte
anos e, desde então, já lançou mais de 200
foguetes brasileiros, todos pequenos e experimentais, pois jamais
conseguiu colocar no espaço um foguete com um satélite.
A base, no entanto, tem prestado serviços a outros países.
Por sua localização, perto da Linha do Equador, os
foguetes lançados de Alcântara entram em órbita
mais rapidamente e com menor consumo de combustível. Na sexta-feira,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por intermédio
de seu porta-voz, lamentou as mortes em Alcântara mas garantiu
que o programa espacial brasileiro não será interrompido
em razão do acidente.
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