Edição 1817 . 27 de agosto de 2003

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Esporte
E se fosse nas Olimpíadas?

Só uma das medalhas ganhas pelo Brasil
no Pan-Americano tem nível olímpico

 
AFP
Festa brasileira em Santo Domingo: no ano que vem, o desafio em Atenas

É melhor cair na real. O recorde de medalhas – 28 de ouro e 123 no total – obtidas pelos brasileiros nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo não significa que o Brasil terá desempenho equivalente nas Olimpíadas de Atenas, no ano que vem. O nível dos rivais será muito mais alto e a história, outra. Comparando as melhores marcas individuais dos atletas brasileiros na República Dominicana com os resultados dos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, apenas um, o atirador paranaense Rodrigo Bastos, que ganha a vida como dentista, teria condições de subir ao pódio. A maioria dos medalhistas brasileiros não chegaria nem mesmo às finais. Nos esportes coletivos, a situação é parecida. O basquete masculino, que levou medalha de ouro no Pan, terá de suar muito para conseguir uma vaga para as Olimpíadas no Pré-Olímpico de Porto Rico, que começou na semana passada.

Mesmo com uma das grandes economias do mundo e 180 milhões de habitantes, o Brasil sempre come poeira nas Olimpíadas. Há quatro anos, no Pan de Winnipeg, no Canadá, o Brasil conquistou 101 medalhas (25 de ouro). No ano seguinte, nas Olimpíadas de Sydney, veio a decepção: amargou o 52º lugar, com seis medalhas de prata, seis de bronze e nenhuma de ouro. A explicação para a discrepância é simples: os países não costumam mandar seus melhores atletas para o Pan, diminuindo o nível de exigência da competição. Na hora das disputas que realmente contam com a participação da elite – campeonatos mundiais e Olimpíadas –, a posição do Brasil oscila ao sabor do desempenho de talentos individuais. As esperanças de medalhas de ouro em Atenas se concentram no velejador Robert Scheidt, seis vezes campeão mundial da classe Laser (ouro em Atlanta e prata em Sydney), no time de vôlei masculino, campeão mundial, e no futebol, esta, sim, uma modalidade na qual o Brasil é uma potência.

A julgar pelo exemplo de países com maior sucesso olímpico, para mudar essa situação seria preciso que o Brasil começasse pela base: a prática de esportes nas escolas. "Precisamos dar condições para que as crianças possam mostrar e desenvolver seus talentos", diz Lars Grael, secretário estadual de Esportes de São Paulo. Não há sequer infra-estrutura para isso. No Brasil, apenas uma em cada seis escolas possui quadra poliesportiva. Sem elas, restam os clubes, os únicos que oferecem estrutura para a formação de atletas. Só que a maioria deles é administrada de forma amadora e está em situação pré-falimentar. Faça o que fizer, o Brasil não deve esperar benefícios a curto prazo. Em esportes de alta performance, são necessários, no mínimo, oito anos de trabalho para conseguir algum resultado significativo.

 

 
 
 
 
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