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Esporte
E
se fosse nas Olimpíadas?
Só
uma das medalhas ganhas pelo Brasil
no Pan-Americano tem nível olímpico
AFP
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brasileira em Santo Domingo: no ano que vem, o desafio em Atenas
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É
melhor cair na real. O recorde de medalhas 28 de ouro e 123
no total obtidas pelos brasileiros nos Jogos Pan-Americanos
de Santo Domingo não significa que o Brasil terá desempenho
equivalente nas Olimpíadas de Atenas, no ano que vem. O nível
dos rivais será muito mais alto e a história, outra.
Comparando as melhores marcas individuais dos atletas brasileiros
na República Dominicana com os resultados dos Jogos Olímpicos
de Sydney, em 2000, apenas um, o atirador paranaense Rodrigo Bastos,
que ganha a vida como dentista, teria condições de
subir ao pódio. A maioria dos medalhistas brasileiros não
chegaria nem mesmo às finais. Nos esportes coletivos, a situação
é parecida. O basquete masculino, que levou medalha de ouro
no Pan, terá de suar muito para conseguir uma vaga para as
Olimpíadas no Pré-Olímpico de Porto Rico, que
começou na semana passada.
Mesmo com uma das grandes economias do mundo e 180 milhões
de habitantes, o Brasil sempre come poeira nas Olimpíadas.
Há quatro anos, no Pan de Winnipeg, no Canadá, o Brasil
conquistou 101 medalhas (25 de ouro). No ano seguinte, nas Olimpíadas
de Sydney, veio a decepção: amargou o 52º lugar,
com seis medalhas de prata, seis de bronze e nenhuma de ouro. A
explicação para a discrepância é simples:
os países não costumam mandar seus melhores atletas
para o Pan, diminuindo o nível de exigência da competição.
Na hora das disputas que realmente contam com a participação
da elite campeonatos mundiais e Olimpíadas ,
a posição do Brasil oscila ao sabor do desempenho
de talentos individuais. As esperanças de medalhas de ouro
em Atenas se concentram no velejador Robert Scheidt, seis vezes
campeão mundial da classe Laser (ouro em Atlanta e prata
em Sydney), no time de vôlei masculino, campeão mundial,
e no futebol, esta, sim, uma modalidade na qual o Brasil é
uma potência.
A julgar pelo exemplo de países com maior sucesso olímpico,
para mudar essa situação seria preciso que o Brasil
começasse pela base: a prática de esportes nas escolas.
"Precisamos dar condições para que as crianças
possam mostrar e desenvolver seus talentos", diz Lars Grael, secretário
estadual de Esportes de São Paulo. Não há sequer
infra-estrutura para isso. No Brasil, apenas uma em cada seis escolas
possui quadra poliesportiva. Sem elas, restam os clubes, os únicos
que oferecem estrutura para a formação de atletas.
Só que a maioria deles é administrada de forma amadora
e está em situação pré-falimentar. Faça
o que fizer, o Brasil não deve esperar benefícios
a curto prazo. Em esportes de alta performance, são necessários,
no mínimo, oito anos de trabalho para conseguir algum resultado
significativo.
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