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Turismo
A
capital da adrenalina
Saltar de uma altura de 38 andares?
Em Queenstown, isso faz todo o sentido

Isabela
Boscov, da Nova Zelândia
Divulgação
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CANYON
SWINGING
O QUE É: um "balanço" pendurado
num cabo estendido entre as duas paredes de um cânion.
No Shotover Swing, o mais alto de Queenstown, salta-se de
uma altura de 109 metros, e pode-se chegar a até 149
km/h. Ao fim da queda livre, o esportista balança durante
cerca de um minuto apenas 7 metros acima do Rio Shotover
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Se
você estiver em Queenstown, é provável que pertença
a uma de duas categorias: a das pessoas que já enlouqueceram
ou a das que estão prestes a enlouquecer. Encravada entre
as montanhas dos Alpes do Sul e o Lago Wakatipu, na Ilha Sul da
Nova Zelândia, essa cidade de 17.000 habitantes abriga uma
população flutuante que atinge de três a cinco
vezes esse número, o ano todo. Parte dos turistas está
lá pelas razões que, desde 1860, atraem visitantes
a essa região do país: os picos nevados, as águas
cristalinas e as trilhas que cortam as paisagens estupendas, estas
popularizadas pelos dois filmes já lançados da trilogia
O Senhor dos Anéis. A outra parte cada vez
mais significativa dos viajantes vai a Queenstown por causa
da fama singular que a cidade adquiriu nos últimos anos:
a de capital mundial dos esportes radicais. Desde 1988, quando foi
inaugurada ali a primeira estação de bungee jumping
do mundo, Queenstown vive uma febre de invenção nesse
setor. Pense em qualquer modalidade esportiva potencialmente apavorante:
não só ela é praticada ali, como é provável
que tenha sido inventada em Queenstown.
Tome-se, por exemplo, o jetboating. Nos anos 50, um fazendeiro achou
que era hora de bolar um jeito de aproveitar os cursos d'água
da região, que ficam muito baixos durante a seca, como via
de transporte o ano todo. Saiu-se com um barco de casco plano e
grande potência, capaz de "planar" sobre uns poucos centímetros
de água. Inevitavelmente, a invenção virou
esporte: acomodados nos jet boats, grupos de turistas passam algumas
horas felizes e encharcados, enquanto o piloto desvia de rochas
e dá "cavalos-de-pau". Outra novidade essa para quem
tem muito espírito de aventura é o fly by wire.
O candidato vai deitado, de bruços, num misto de foguete
e avião preso por um cabo a um ponto fixo, e durante seis
minutos voa pelo interior de um cânion, indo de uma aceleração
de três vezes a da gravidade até a sensação
de absoluta ausência de peso em questão de segundos.
Arquivo pessoal
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BUNGEE
JUMPING
O
QUE É: saltar com uma corda elástica atada
apenas aos calcanhares. No Nevis, o bungee mais radical de
Queenstown, com 134 metros de altura, a queda livre dura quase
nove segundos e pode-se atingir a velocidade de até
128 km/h
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Localizada
no paralelo 45, na mesma latitude da Patagônia, Queenstown
desfruta uma situação geográfica e climática
invejável. No verão, quando as temperaturas diurnas
ficam por volta dos 20 graus Celsius, a região é propícia
a caminhadas, cavalgadas e todo tipo de esporte aquático,
de esqui no Lago Wakatipu a rafting nas inúmeras corredeiras.
No inverno, presta-se ao esqui, ao snowboarding e ao luge
um trenozinho em que se desce a grande velocidade por pistas demarcadas,
e que, por ser muito fácil, atrai desde crianças até
septuagenários. E, durante todo o ano, podem-se fazer vôos
panorâmicos, cruzeiros pelos estreitos e fiordes, visitas
aos vinhedos (que fabricam um Pinot Noir de primeira) e, claro,
praticar os esportes de aventura. A lista é imensa, e inclui
desde modalidades conhecidas, como parapenting, skydiving e mountain
biking, até invencionices como o bungee a partir de um helicóptero
ou de um balão.
Uma das atrações mais interessantes de Queenstown
é o canyon swinging. O princípio é o mesmo
do balancinho de parque infantil, mas elevado à enésima
potência. No Shotover Swing, aberto no ano passado, encaram-se
quinze minutos de trilha pela mata para chegar a uma plataforma
instalada num cenário deslumbrante, num cânion do Rio
Shotover o responsável pelo desbravamento de Queenstown,
em meados do século XIX, graças ao ouro que até
hoje pode ser encontrado em seu leito. Ali na plataforma, veste-se
um arreio que está ligado, por meio de uma corda, a um cabo
estendido entre as duas paredes do cânion. Esse arreio é
o equivalente à cadeira do balanço: quando o aventureiro
salta, de uma altura de 109 metros, ele cai por cerca de seis segundos
até, sem nem um tranco sequer, se ver transformado num pêndulo,
balançando 7 metros acima das águas do Shotover. A
sensação é indescritível e, quando os
passageiros são içados de volta à plataforma,
geralmente só pensam numa coisa: jogar-se de novo.
A marca registrada de Queenstown, contudo, é mesmo o bungee
jumping, e meio milhão de saltos já foram realizados
a partir de suas plataformas. As origens do bungee estão
numa tribo do Arquipélago de Vanuatu, no Pacífico:
num ritual de iniciação, seus membros se jogam de
grandes alturas amarrados apenas por um cipó nos tornozelos.
Nos anos 80, dois esquiadores neozelandeses, AJ Hackett e Henry
Van Asch, assistiram a um vídeo sobre o tema e acharam que
ali estava uma bela idéia. Depois de anos de testes, lançaram
a modalidade com um golpe publicitário um salto da
Torre Eiffel, em Paris e, em 1988, começaram a operar
a partir da Ponte Kawarau, em Queenstown. Com 43 metros de altura,
Kawarau é hoje a mais baixa das estações de
bungee da cidade. A estrela da empresa AJ Hackett, que detém
o monopólio do bungee na região, é o Nevis
Highwire, com altura equivalente a um edifício de 38 andares.
O que torna o Nevis realmente radical, porém, é a
sua situação: salta-se de uma gôndola pendurada
por um cabo de aço entre as duas paredes de uma garganta
do Rio Nevis. É como pular do nada para o nada. São
8,4 segundos de queda livre e quase trinta novas patentes de equipamentos
envolvidas na operação. Com tanta gente disposta a
saltar, e com os altíssimos níveis de segurança
da brincadeira (a AJ Hackett nunca teve um acidente), não
se pode dizer que esse passo no vazio seja a prova máxima
de coragem. Mas, para quem o dá, é essa a sensação
que ele provoca: a de que se venceu um medo invencível. Pode
parecer loucura. Mas, quando se está em Queenstown, ela faz
todo o sentido.
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FLY
BY WIRE
O
QUE É: navegar a até 70 km/h em barcos
de fundo plano, capacitados a percorrer trechos de rio
com profundidades inferiores a 20 centímetros
JETBOATING
O
QUE É: voar, durante seis minutos, num "avião"
individual preso a um cabo, capaz de ir de uma aceleração
de três vezes a da gravidade a zero G a
sensação de ausência de gravidade
em questão de segundos
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