Edição 1915 . 27 de julho de 2005

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VEJA Recomenda

CINEMA

Divulgação
Foster e Kim em Provocação: dor e humor


Provocação
(The Door in the Floor,
Estados Unidos, 2004. Estréia nesta sexta-feira em circuito nacional) – Ted e Marion Cole (Jeff Bridges e Kim Basinger) tiveram um casamento longo e feliz. Num verão em Long Island, porém, ele vai terminar, vitimado por uma tragédia insuperada – a morte dos dois filhos adolescentes do casal, anos antes – e a chegada de um intruso: Eddie (Jon Foster), um rapaz contratado para trabalhar como assistente do escritor, que logo se vê transformado em amante de Marion e em babá da caçula Ruthie, que nasceu com a tarefa impossível de preencher a ausência dos irmãos. Essa adaptação do terço inicial do romance Viúva por Um Ano, do americano John Irving, ganha pontos pelo elenco em excelente forma e pelo tom sardônico com que trata do egoísmo infernal de um homem e uma mulher entrincheirados na dor e na culpa. Veja cenas.

 

DVD

Vingança Final (I'll Sleep When I'm Dead, Inglaterra/Estados Unidos, 2003. Paramount) – Além de seus próprios e saborosos méritos, o que o noir Crupiê, de 1999, tinha de notável era o fato de devolver à ativa o diretor inglês Mike Hodges, que desde seu maior sucesso – O Vingador, de 1971, com Michael Caine – andava caído no esquecimento. Vingança Final de certa forma funde esses dois filmes. Como Crupiê, é protagonizado por Clive Owen, um ator que sabe como poucos valorizar o silêncio. E, como Vingador, trata de um gângster que retorna ao serviço para vingar a morte aparentemente acidental de seu irmão. Quem esperar pancadaria vai se frustrar. Mas quem aprecia um noir à antiga, com muita atmosfera e intriga, tem ótimas chances de se sentir recompensado. Vejas cenas.

 

DISCOS

Plays George Gershwin: The American Soul, Bill Charlap (EMI) – A paixão desse pianista americano pelos grandes nomes do jazz vem de berço. Seu pai era compositor de temas da Broadway e a mãe fez carreira como intérprete nos palcos. Cada disco de Charlap é dedicado a um compositor americano. American Soul traz dez temas de George Gershwin (1898-1937), tido por Charlap como o maior compositor americano. Além do baterista Kenny Washington e do baixista Peter Washington, colaboradores habituais do pianista, o CD ganhou o reforço de um naipe de sopros, formado por alguns dos principais nomes do jazz moderno. O repertório tem hits certeiros, como 'S Wonderful, mas o destaque são as raridades garimpadas por Charlap. É o caso de I Was So Young and You Are So Beautiful, balada sensacional muito pouco regravada.

 
Divulgação
Corgan: o esquisitão que satisfaz  

The Future Embrace, Billy Corgan (Warner) – Ex-líder dos Smashing Pumpkins, o cantor e guitarrista Billy Corgan andou uns tempos sem rumo. Ele tocou num CD do New Order e montou um novo grupo, o Zwan – que encerrou as atividades poucos meses depois de lançar o disco de estréia. Corgan escreveu em seu blog que o comportamento instável se deve ao fato de ter tido uma infância infeliz. O roqueiro pode até precisar de alguns ajustes em sua personalidade, mas a qualidade musical de seu trabalho continua alta. O disco difere bastante do trabalho anterior de Corgan: tem guitarras pesadas e muita programação eletrônica de bateria. Lembra o Cure dos bons tempos. Os destaques são a balada Pretty Pretty Star e uma releitura inusitada para To Love Somebody, sucesso do grupo australiano Bee Gees.

 

LIVROS

 

Divulgação Instituto Moreira Salles
Foto de Ferrez: imagens do Brasil  

O Brasil de Marc Ferrez (Instituto Moreira Salles; 320 páginas; 128 reais) – Carioca de ascendência francesa, Marc Ferrez (1843-1923) foi o grande pioneiro da fotografia no Brasil. Algumas das mais expressivas imagens do século XIX brasileiro são de sua autoria: grandes paisagens, registros da construção de ferrovias, cenas de rua, retratos de personagens populares e de figurões como Dom Pedro II, a Princesa Isabel e Machado de Assis. Publicado para acompanhar uma grande exposição sobre a obra de Ferrez que será montada no Rio e em Paris, esse livro traz uma cuidadosa seleção do trabalho do fotógrafo, com cerca de 160 fotos das mais de 5 000 produzidas por ele. Acompanham ensaios de especialistas como Françoise Reynaud, curadora do Museu Carnavalet, em Paris. Galeria de imagens.

Direito e Economia, organizado por Decio Zylbersztajn e Rachel Sztajn (Campus; 336 páginas; 65 reais) – Professores de direito e economia da Universidade de São Paulo, Rachel e Zylbersztajn organizaram uma coletânea de ensaios acadêmicos que se destaca pelo perfil interdisciplinar – seus estudos buscam estender uma ponte que rompa o isolamento entre os departamentos universitários dos organizadores. Em doze capítulos, as várias relações entre direito e economia – como, por exemplo, economia dos contratos, direitos de propriedade e a legislação sobre as instituições do mercado – são examinadas por autoridades como os economistas brasileiros Pérsio Arida, ex-presidente do Banco Central, e Maílson da Nobrega, ex-ministro da Fazenda, e o americano Oliver Williamson, da Universidade Berkeley.

O Homem Secreto, de Bob Woodward (vários tradutores; Rocco; 224 páginas; 25 reais) – Há pouco mais de um mês, o ex-diretor do FBI Mark Felt, de 91 anos, revelou à revista Vanity Fair que ele foi o Garganta Profunda – a fonte secreta que, em 1972, forneceu informações vitais aos jornalistas americanos Bob Woodward e Carl Bernstein, do jornal Washington Post, no escândalo de Watergate, que culminou na renúncia do presidente americano Richard Nixon. Felt decidiu revelar as manobras mais escusas de Nixon depois que foi preterido pelo presidente em uma promoção no FBI. Nesse livro, Woodward revela detalhes de seu relacionamento sigiloso com Felt – e explica como pôde manter a identidade de sua fonte em segredo por 33 anos. Leia trecho.

 

EXPOSIÇÃO

 
Fotos divulgação
Arte/Maquiagem: vídeos de Nauman

Circuito Fechado: Filmes e Vídeos de Bruce Nauman (em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro) – Essa é a primeira mostra individual do artista americano a ser montada no Brasil. Nascido em 1386, Nauman estudou matemática e foi baixista de jazz antes de enveredar pelas artes plásticas, na década de 60. Provocador, ele logo se tornou uma das figuras mais influentes de sua geração. Fez esculturas, gravuras e performances, mas o foco dessa exposição são suas experiências com vídeos e filmes. Entre os dezenove trabalhos, produzidos no período de 1967 a 2001, destacam-se Arte/Maquiagem, em que ele utiliza o próprio corpo como tela, e Versão Escritório Nº 1, no qual Nauman filmou com infravermelho seu local de trabalho sendo invadido por ratos durante a noite (uma irônica referência aos reality shows). Galeria de imagens.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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