Edição 1915 . 27 de julho de 2005

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Radar

Lauro Jardim (e-mail: ljardim@abril.com.br )

• MENSALÃO

Fábrica de dinheiro
Entre julho de 2003 e julho deste ano, período em que estão sendo vasculhadas as contas que Marcos Valério tem no Banco Rural, foram registrados cerca de oitenta saques acima de 100.000 reais – uma média, portanto, de quase um por semana. Fora, evidentemente, uma montanha de saques de valores mais baixos.

Aposta alta
Na tarde de quinta-feira, Lula garantiu a um de seus auxiliares diretos que quer o aprofundamento das apurações das CPIs em curso. "Vou pagar para ver", disse o presidente.

 

• GOVERNO

O projeto que virou MP
O anúncio da medida provisória que criou a Super Receita Federal, na quinta-feira passada, é uma pequena, mas relevante, amostra da desorganização por que passa o governo. Acredite: estava tudo acertado para que o órgão fosse criado por um projeto de lei. Nos menos de dez minutos do trajeto entre o gabinete presidencial e o local do anúncio oficial no Palácio do Planalto, o que era um projeto de lei virou uma MP – a princípio, por uma decisão da Casa Civil.  

Malogro com prestígio
Uma pesquisa nacional da Vox Populi realizada no início do mês revelou que a política social de Lula é bem-vista pela população, apesar do fracasso de alguns programas-símbolo como o Fome Zero e o Primeiro Emprego. À pergunta sobre qual a melhor política social, se a de Lula ou a de FHC, 60% cravaram a do atual governo. Apenas 15% preferiram a de FHC.  

Só espuma
O choque de gestão anunciado pelo governo na semana passada não terá o efeito desejado. A exigência de que apenas funcionários públicos de carreira ocupem 70% dos cargos da administração federal é inócua. Hoje, apenas 27,7% dos postos são preenchidos por servidores sem concurso. Portanto, menos do que a nova exigência.

 

• PT

Clima ruim
Quem pronunciar o nome de José Dirceu perto de Aloizio Mercadante deve fazê-lo com cuidado. O senador paulista anda falando cobras e lagartos do ex-ministro.

 

Será que tem mais?

Ernesto Rodrigues/AE
Cunha: um ex-presidente da Câmara enrascado

Sem precipitação. Esse foi o argumento que convenceu João Paulo Cunha a não renunciar imediatamente ao mandato, depois de flagrado mentindo – disse que sua mulher esteve no prédio em que se localiza o Banco Rural para resolver um problema com sua TV por assinatura, quando na verdade fora receber graúdos 50 000 reais de Marcos Valério. Foi convencido de que, se descobrirem mais saques, seria acusado de ter renunciado para esconder o que viria. Vai, portanto, pagar para ver.

 

• IRB

O esquecido
O tempo foi passando e o mundo parece que se esqueceu de Henrique Brandão, o amigão do peito de Roberto Jefferson e protagonista de excelentes negócios no IRB – excelentes para Brandão, ressalte-se. Ele continua com seus sigilos intactos e tentando rearticular-se.

 

• ECONOMIA

Cevada mais cara
Pode ser só coincidência, mas o fato é que após a Operação Cevada, em que seus diretores foram presos sob a acusação de sonegação fiscal, a Schincariol reajustou o preço da Nova Schin em cerca de 5%.  

O Brasil que funciona
O dólar está baixo, os exportadores não se cansam de reclamar, mas o número de itens exportados pelo Brasil não pára de crescer. Neste primeiro semestre, a Secretaria de Comércio Exterior registrou o ingresso de 340 novos itens na pauta de exportações brasileira, elevando-a para um total de 9.000 produtos.

 

• AVIAÇÃO

Que crise? 1
Não há céu de brigadeiro à vista no cenário político, mas a reduzidíssima turma dos com-jatinho está encorpando – ou ganhando asas. No primeiro semestre, a Líder, representante da Raytheon no Brasil, vendeu seis jatos executivos. No mesmo período do ano passado, foram quatro.

Que crise? 2
São brinquedos caros: o top de linha da Raytheon, o Premier I, com capacidade para seis passageiros, sai por quase 6 milhões de dólares. Dessa meia dúzia, cinco foram comprados por pessoas físicas. Estas, pelo visto, andam vendo a crise do alto.

Nos céus de Nova York
Além das companhias estrangeiras, a Varig terá de enfrentar sua maior concorrente nacional na mais rentável das rotas internacionais. A TAM ganhou autorização do comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos Bueno, para voar para Nova York. Fará vôos diários para lá a partir de novembro.

 

• TURISMO

A praia e a lama
O Ano do Brasil na França vem garantindo uma destacada exposição para o país na mídia francesa. Neste primeiro semestre, o Brasil foi tema de cerca de 3.500 reportagens. Nada mau: a China, país homenageado antes do Brasil, fechou seu ano contabilizando 1.700, por exemplo. Como resultado, a Embratur já registra um aumento na procura do Brasil como destino turístico pelos franceses. Beleza. O ruim é que, a partir de agora, as reportagens sobre maravilhosas praias deste país tropical dividirão espaço com o horroroso mar de lama que polui o Brasil.

 

• TELEVISÃO

Problemas às 7 da noite
A direção da Globo não anda satisfeita com o desempenho da novela das 7, A Lua Me Disse. Avalia que a trama começou bem, inclusive em termos de audiência, mas se perdeu.

 

Ele só pensa naquilo

Fabio Motta/AE
Garotinho: campanha longe dos holofotes

Anthony Garotinho anda aparentemente manso, sem fustigar publicamente o governo. Mas não está parado. Além de participar semanalmente de um programa retransmitido em cerca de 400 rádios evangélicas, tem aproveitado os fins de semana para visitar os estados brasileiros. Mais especificamente: está se encontrando com os convencionais peemedebistas que escolherão o próximo candidato do partido à Presidência.

Colaborou Felipe Patury

 

 

 

 
 
 
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