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Carta ao leitor Superação
coletiva na CPI Lula
Marques/Folha Imagem
 | | Parlamentares
na CPI dos Correios: boas surpresas |
Uma reportagem e a coluna de Tales Alvarenga da presente edição
de VEJA ressaltam aspectos positivos da atual crise política. A reportagem
fala do sucesso de audiência obtido pelas transmissões televisivas
das longas sessões de inquirição das CPIs em andamento no
Congresso. O texto lembra também que esse é apenas um dos muitos
sinais de amadurecimento da democracia e das instituições brasileiras.
A própria CPI dos Correios dá uma prova de maturidade ao escapar
da maldição que fez de tantas outras teatros inúteis de exibicionismo.
Parlamentares de todos os partidos têm sobressaído pela maneira coerente,
corajosa e inteligente com que exercem seus quinze minutos diários de fama.
É algo a comemorar. Se eles puderem ser tomados como uma amostra válida
da qualidade do Congresso, então o Legislativo não está tão
mal quanto se apregoa. Mesmo que sejam apenas exceções, os parlamentares
que se destacam na CPI terão prestado um serviço à democracia
se forem tomados como modelos de candidatos nas próximas eleições.
A crise fez aflorar no Brasil um raro momento de
superação coletiva, situação em que o resultado global
positivo dos diversos agentes sociais supera a somatória das virtudes das
partes. Mesmo na busca frenética por uma saída jurídica e
política para o beco moral em que se meteu, até o governo do PT
tem seus méritos na preservação da normalidade institucional.
Em nenhum momento os governantes fizeram ameaças de usar mecanismos autoritários
ou de supressão da liberdade de expressão. Em sua coluna, Tales
Alvarenga descreve como "dores do crescimento" o inevitável sofrimento
dos que são atingidos mais diretamente pelo atual processo de depuração.
Escreveu ele: "As crises que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas,
à renúncia de Jânio Quadros e à derrubada de João
Goulart e de Fernando Collor criaram momentos de enorme suspense institucional.
Desta vez, não há alarme desse tipo". É um enorme avanço.
É vital lembrar também que a crise atual não apenas demonstrou
a necessidade de mudanças nas tenebrosas relações dos políticos
com o erário. A crise trouxe a oportunidade para que as mudanças
sejam feitas. |