Você
É Tão Bonito(Je Vous Trouve Très
Beau, França,
2005. Swen) Quando a mulher do fazendeiro Aymé
(Michel Blanc) morre, ele não fica triste: fica furioso.
Quem vai lavar a louça, dar milho às galinhas
e ordenhar as vacas? Em duas semanas de viuvez, Aymé
já está em Bucareste, tentando comprar uma noiva
romena. A única que não tenta ganhá-lo
dizendo que ele é bonito algo de que Blanc não
poderia ser acusado nem em seus melhores dias é
Elena (Medeea Marinescu), e é com ela portanto que
ele fecha negócio. Mas, de volta à França,
as coisas não serão tão simples. Elena
escondeu duas ou três coisas do seu pretendente, e Aymé,
um homenzinho de lascar, fica meio perdido ao lado de uma
mulher jovem e bonita. Uma idéia graciosa e bem-humorada,
conduzida com grande habilidade pelo par central.
CINEMA
Fora
do Jogo(Offside,
Irã, 2006. Estréia nesta sexta-feira em São
Paulo) A seleção iraniana vai disputar
com Barein uma vaga na Copa do Mundo, e no estádio
de Teerã acotovelam-se quase 100.000 torcedores
além de uma meia dúzia de torcedoras, todas
meninas que se vestiram de garoto para tentar burlar a vigilância
e assistir à partida. Freqüentar estádios,
claro, é mais um dos inúmeros interditos que
o fundamentalismo islâmico impõe às mulheres.
A diferença é que o diretor Jafar Panahi, que
tratou da opressão feminina de forma terrivelmente
sombria em O Círculo, aqui pega o viés
da comédia, nas discussões das meninas com os
soldados, e até o do burlesco, na bagunça que
se forma quando uma delas precisa ir ao banheiro. Não
é para dar gargalhada, mas rende bons sorrisos. Veja
cenas.
LIVROS
Paul Yeung/Reuters
Kiran: uma aldeia
na era globalizada
O Legado da
Perda, de Kiran Desai (tradução de José
Rubens Siqueira; Objetiva; 292 páginas; 48,90 reais)
Radicada em Nova York, a indiana Kiran Desai compôs
um romance ambientado numa aldeia remota de seu país
natal, mas com uma visão atenta ao mundo globalizado.
A história se passa em um lugarejo no Himalaia, na
fronteira com o Nepal. A órfã Sai muda-se para
essa vila, para viver com o avô, um juiz amargo que,
educado na Inglaterra, cultiva ressentimentos por viver num
local tão atrasado. Sai se apaixona pelo professor
de matemática, um nepalês que se engaja no nacionalismo
extremista. Como contraponto, aparece a história de
Biju, indiano nascido na mesma aldeia que tenta a vida em
subempregos nos Estados Unidos. Essa bela história
de choques culturais valeu a Kiran o prestigioso prêmio
Man Booker do ano passado. Leia
trecho.
Propaganda
Monumental,de
Vladímir Voinóvitch (tradução
de Denise Sales; Planeta; 384 páginas; 44,90 reais)
Em 1956, Nikita Kruchev, o premiê soviético,
denunciou os crimes de seu antecessor, Stalin, em um discurso
histórico no Congresso do Partido Comunista. Aglaia
Riévkina, fiel comunista de Dolgov, havia lutado para
erguer uma imensa estátua de Stalin no centro da cidade.
O monumento agora deve ser desmontado mas Aglaia, inconformada
com a desgraça de seu ídolo, resolve abrigar
o imenso Stalin em seu próprio apartamento. Hoje radicado
na Alemanha, o russo Voinóvitch foi um dissidente da
antiga União Soviética, de onde teve de fugir
em 1980. Seu novo romance mostra a veia satírica que
o tornou suspeito aos olhos da ditadura comunista. Leia
trecho.
Livros
que Mudaram o Mundo(Jorge Zahar; 29
reais por livro) Essa coleção traz breves
mas competentes introduções a alguns livros
fundamentais na história das idéias. O objetivo
é compor uma "biografia" de cada obra, documentando
a vida do autor, a composição do livro e o seu
legado. A série começa com três títulos:
A Origem das Espécies de Darwin (tradução
de Maria Luiza X. de A. Borges; 184 páginas), da bióloga
e historiadora da ciência Janet Browne; O Capital
de Marx (tradução de Sérgio Lopes;
136 páginas), de Francis Wheen, jornalista e biógrafo
de Marx; e Os Direitos do Homem de Thomas Paine (tradução
de Sérgio Lopes; 164 páginas), do jornalista
e ensaísta Christopher Hitchens. Adiante, estão
programados títulos como A Bíblia, a
cargo da historiadora da religião Karen Armstrong,
e Ilíada e Odisséia de Homero, do crítico
Alberto Manguel.
DISCOS
Divulgação
Maroon 5: não era
mais uma armação
It
Won't Be Soon Before Long,Maroon
5 (Arsenal) A trajetória desse quinteto americano
é um caso raro de amadurecimento na música pop.
O Maroon 5 despontou cinco anos atrás com Songs
About Jane, disco repleto de baladas e funks de apelo
radiofônico. O visual limpinho de seus integrantes,
se por um lado chamou a atenção do público
feminino, deixou na crítica a impressão de que
o grupo seria uma nova armação. Mas It Won't
Be dissipa qualquer desconfiança em relação
ao talento do grupo. As treze faixas do CD são uma
aula do pop da melhor qualidade, com influências que
vão do trio inglês The Police (Won't Go Home
Without You) a Prince (If I Never See Your Face Again,
que tem tudo para se tornar canção obrigatória
em festas). O guitarrista e vocalista Adam Levine, por sinal,
revela-se um soulman de primeira.
Divulgação
Suzanne: crônicas
de Nova York
Beauty &
Crime,Suzanne
Vega (EMI) A cantora e compositora americana é
uma grande cronista musical da cidade de Nova York, ao lado
de Patti Smith e do roqueiro Lou Reed. A diferença
é que, ao contrário das composições
dos dois, povoadas por tipos marginais, as letras de Suzanne
Vega são mais focadas em temas amorosos, situações
curiosas do dia-a-dia e brincadeiras com os amigos
relato que se torna saboroso graças à voz quente
e sussurrante da cantora. Beauty & Crime é
o primeiro CD de Suzanne em seis anos e traz convidados como
Lee Ranaldo, guitarrista do Sonic Youth (outra instituição
nova-iorquina). Ruby Froom, filha da cantora, contribuiu com
os vocais de Unbound. Atenção também
à influência da bossa nova em Pornographer's
Dream, um dos destaques do álbum.