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27 de junho de 2007
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Televisão
Ataques de riso

Há um ano sem Bussunda, o Casseta & Planeta
continua sendo a bússola da sátira política na TV


Marcelo Marthe

 
Fotos André Valentim, Divulgação
A turma do Casseta: o senador Renan Calheiros virou a "escada" da vez dos humoristas

O escândalo da pensão suspeita que envolve o senador Renan Calheiros deixou os brasileiros indignados – mas fez bem ao Casseta & Planeta Urgente. Como em todas as crises políticas, o programa da Rede Globo cresceu com o episódio. Na terça-feira passada, os humoristas caçoaram sem dó da defesa precária apresentada por Calheiros. Num dos esquetes, um açougueiro da fictícia "Jabaculópolis do Norte" (em Alagoas, naturalmente) explicou por que o gado de "um certo senador" tem valor acima do de mercado: em seu rebanho figura até "boi-celebridade". "Um deles namorou a Luana Piovani", garantiu o personagem de Cláudio Manoel. Em seguida, exibiu uma pilha de documentos guardados numa geladeira – notas frias, esclareceu. Ao longo da atração, houve outras alusões aos escândalos recentes – como a propaganda da "Tabajara & Turismo" sobre as maravilhas "corruptológicas" dos estados de "Mamataranhão" e "Aladroas". Um ano depois de sofrer o baque da morte de Bussunda, seu integrante mais popular, o grupo continua a ser a bússola da sátira política na TV. O Pânico, da RedeTV!, vive de fazer troça das celebridades. Zorra Total e A Praça É Nossa, respectivamente da Globo e do SBT, investem naquele humor emburrecedor que está aí desde sempre. Só mesmo o Casseta & Planeta se devota a criticar os desmandos dos políticos de forma sistemática. Dos 140 esquetes exibidos desde abril, 42% abordavam o tema. O segundo item mais freqüente foram as paródias a outros programas de televisão – como a versão das gêmeas da novela das 8 protagonizada por Maria Paula. Mas elas representaram menos da metade disso.

De um documentário sobre a vida do cantor Wilson Simonal que está sendo filmado por Cláudio Manoel (mais conhecido por "Seu Creysson") a uma série para a TV paga escrita por Hélio de La Peña, quase todos os cassetas resolveram dedicar mais tempo a projetos-solo depois da morte de Bussunda. E o mais promissor deles é outra empreitada de sátira política. Trata-se de um filme sobre Agamenon Mendes Pedreira, personagem que há quase vinte anos dá mote a uma coluna de Marcelo Madureira e Hubert no diário carioca O Globo. O jornalista fictício é um escroque que fala de políticos e outras celebridades que supostamente conheceu de forma curta e grossa (confira uma "entrevista" na página ao lado). O filme, a ser lançado no ano que vem, consistirá num documentário de mentirinha em que suas aventuras serão narradas com base em imagens de época.

Maria Paula, como "Picaretaís": essa, sim, é uma gêmea má de expressão

A morte de Bussunda foi, claro, uma tragédia para seus companheiros. Só que os humoristas fizeram do limão uma limonada. Fecharam 2006 com uma média de ibope recorde em seus quinze anos na Globo, de 37 pontos. Graças a negócios recém-desbravados como a venda de piadas para celulares, sua empresa, a Toviassu Produções, também atingiu seu maior faturamento no ano passado, de 3 milhões de reais. Recentemente, eles renovaram o contrato com a Globo até 2013 (o salário de cada um dos seis está na faixa dos 40.000 reais). Embora na atual temporada venham ostentando uma audiência 6 pontos inferior à de 2006, os humoristas mantêm seu cacife. Isso porque eles já demonstraram mais de uma vez ter capacidade para reinventar seu humor – e, faça chuva ou faça sol, mantêm uma ligação firme com os espectadores de maior escolaridade e renda. O antídoto encontrado para reverter a perda de Bussunda em favor do programa foi justamente investir numa renovação geral dos quadros e personagens.

O que não alterou, no entanto, um dado essencial: o desempenho dos cassetas varia conforme a temperatura do noticiário. Uma crise política é sempre bem-vinda – ainda que, nos últimos tempos, eles venham tendo de lidar com uma contingência nova. "Do mensalão à Operação Navalha, a velocidade dos escândalos ficou tão vertiginosa que temos de nos policiar para não falar só de política", diz Marcelo Madureira. "As pessoas estão tão irritadas que acham chato quando se bate muito nessa tecla."

 

"POLÍTICO NO BRASIL ARROBA MUITO"

Agamenon: sempre atrás de um "furo"

O personagem Agamenon Mendes Pedreira dá mote à coluna que os humoristas Marcelo Madureira e Hubert mantêm em O Globo há quase vinte anos. Nesta entrevista, o jornalista fala de sua cinebiografia, política e outras aventuras

ESTÁ EM PRODUÇÃO UM DOCUMENTÁRIO SOBRE SEU TEMPO E SUAS AVENTURAS. COMO O SENHOR DESCREVE ESSE SÉCULO QUE ATRAVESSOU JUNTO DE TANTAS PERSONALIDADES, EM SUA BUSCA INCANSÁVEL DA VERDADE? Sou o Oscar Niemeyer da imprensa brasileira, só que impotente. Nenhum jornalista brasileiro cobriu tantas guerras, Copas do Mundo e mulheres como eu. Estou sempre atrás de um furo. No bom sentido, é claro, de fora pra dentro.

QUAL SEU VERDADEIRO ENVOLVIMENTO COM MULHERES COMO MARILYN MONROE E MADRE TERESA DE CALCUTÁ? ALIÁS, O QUE SUA PATROA, DONA ISAURA, PENSA DISSO? Se Isaura pensasse, não teria casado comigo. O meu envolvimento com essas criaturas chupacitadas, quer dizer, supracitadas não passa de mais uma tentativa da imprensa reacionária de direita de denegrir a minha imagem de jornalista escroque e mau-caráter.

COMO FORAM SUAS RELAÇÕES COM OS PRESIDENTES BRASILEIROS? Eu sempre privei da intimidade dos presidentes do Brasil. Todos, sem exceção, faziam questão de me receber pessoalmente no Palácio da Alvorada. De quatro às 5.

COMO O SENHOR AVALIA AS ACUSAÇÕES DE QUE O LOBISTA DE UMA EMPREITEIRA PAGAVA A PENSÃO DA FILHA DO SENADOR RENAN CALHEIROS COM UMA JORNALISTA? Para resolver esse caso, o senador teria de ir no Programa do Ratinho e mostrar o seu exame de DNA. O que me impressiona mesmo é o preço da arroba do boi do senador. Político no Brasil arroba muito!

QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE A PROFISSÃO DE JORNALISTA? Os jornalistas são os olhos, os ouvidos, a boca e outros orifícios da Sociedade.

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