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27 de junho de 2007
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Tecnologia
Perto dos olhos

Adeus, malditas telinhas...! Uma nova tecnologia
permite ver vídeos no iPod como se fosse no cinema


Marcio Orsolini

 
Fotos Davi Cooper e Divulgação
Direto do iPod: efeito de ótica simula tela de 62 polegadas

A miniaturização, nascida nos primórdios da exploração espacial tripulada nos anos 60, abriu caminho para a revolução tecnológica que colocou o iPod e seus concorrentes nas mãos de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. O menor e mais barato dos iPods, o modelo Shuffle, custa cerca de 80 dólares e tem capacidade para estocar 240 músicas em sua memória de 1 gigabyte. O computador de bordo da nave Apollo que colocou os primeiros homens na Lua, em 1969, então um prodígio de miniaturização, tinha pouco mais de 70.000 posições de memória, ou seja, 70 kilobytes. Mal daria para espremer uma musiquinha nele. Ah... bem, ele custava 150.000 dólares e pesava 30 quilos! Imagine-se que tamanho terão os iPods e similares daqui a quarenta anos... Todos esses exercícios de futurologia digital esbarravam sempre em uma questão: o tamanho das telas. Os aparelhinhos de entretenimento hoje podem armazenar até meia centena de filmes com boa qualidade de imagem. Mas, para que continuem sendo portáteis, suas telas serão sempre "malditas telinhas". Nelas, uma bola de futebol aparece do tamanho de uma mosca de banana e o corpaço da atriz, com as dimensões de uma Barbie subnutrida. Tem solução?

Se não se pode aumentar o tamanho das telas, o que aumentaria seu peso e seu consumo de energia, a saída é aproximá-las dos olhos. Cerca de meia centena de empresas de alta tecnologia está trabalhando atualmente na produção de visores especiais, os videoóculos. Duas pequenas telas de cristal líquido e duas lentes de aumento jogam diretamente sobre a retina uma projeção de imagem capaz de produzir o efeito ótico surpreendente de assistir a um filme em uma tela de até 62 polegadas colocada a 2 metros de distância. Tais visores podem ser conectados a aparelhos portáteis de DVD, consoles de videogame, laptops e iPods, claro. Por algo entre 250 dólares e 900 dólares, já se pode comprar um modelo desses nos Estados Unidos, na Europa e no Japão.

Toru Yamanaka/AFP
Teleglass, da Scalar: mais discreto, fica preso aos óculos


As possibilidades são tremendas. O uso militar desses aparelhos já é conhecido há um bom tempo. Mas as dificuldades também são enormes. A maioria das pessoas consegue caminhar, correr e até dirigir (embora isso seja vedado pelo Código Nacional de Trânsito) escutando músicas com fone de ouvido. Mas o que mais se pode fazer quando os dois olhos estão entregues a dois minúsculos mas poderosos projetores? Os pilotos de caça os utilizam em apenas um dos olhos – ou usando o pára-brisa do avião como projetor. Mas eles são treinados para esses malabarismos. Os fabricantes dos videoóculos já se debatem para contornar as dificuldades de uso mesmo em condições que parecem ideais. Disse a VEJA o engenheiro japonês Daizo Kiyohara, da fabricante Scalar: "Um viajante com videoóculos na sala de espera do aeroporto pode ter as malas roubadas e nem perceber".

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