Adeus, malditas telinhas...!
Uma nova tecnologia
permite ver vídeos no iPod como se fosse no cinema
Marcio Orsolini
Fotos Davi Cooper e Divulgação
Direto do iPod: efeito de ótica
simula tela de 62 polegadas
A
miniaturização, nascida nos primórdios
da exploração espacial tripulada nos anos 60,
abriu caminho para a revolução tecnológica
que colocou o iPod e seus concorrentes nas mãos de
centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. O menor
e mais barato dos iPods, o modelo Shuffle, custa cerca de
80 dólares e tem capacidade para estocar 240 músicas
em sua memória de 1 gigabyte. O computador de bordo
da nave Apollo que colocou os primeiros homens na Lua, em
1969, então um prodígio de miniaturização,
tinha pouco mais de 70.000 posições de memória,
ou seja, 70 kilobytes. Mal daria para espremer uma musiquinha
nele. Ah... bem, ele custava 150.000 dólares e pesava
30 quilos! Imagine-se que tamanho terão os iPods e
similares daqui a quarenta anos... Todos esses exercícios
de futurologia digital esbarravam sempre em uma questão:
o tamanho das telas. Os aparelhinhos de entretenimento hoje
podem armazenar até meia centena de filmes com boa
qualidade de imagem. Mas, para que continuem sendo portáteis,
suas telas serão sempre "malditas telinhas". Nelas,
uma bola de futebol aparece do tamanho de uma mosca de banana
e o corpaço da atriz, com as dimensões de uma
Barbie subnutrida. Tem solução?
Se não se
pode aumentar o tamanho das telas, o que aumentaria seu peso
e seu consumo de energia, a saída é aproximá-las
dos olhos. Cerca de meia centena de empresas de alta tecnologia
está trabalhando atualmente na produção
de visores especiais, os videoóculos. Duas pequenas
telas de cristal líquido e duas lentes de aumento jogam
diretamente sobre a retina uma projeção de imagem
capaz de produzir o efeito ótico surpreendente de assistir
a um filme em uma tela de até 62 polegadas colocada
a 2 metros de distância. Tais visores podem ser conectados
a aparelhos portáteis de DVD, consoles de videogame,
laptops e iPods, claro. Por algo entre 250 dólares
e 900 dólares, já se pode comprar um modelo
desses nos Estados Unidos, na Europa e no Japão.
Toru
Yamanaka/AFP
Teleglass, da Scalar: mais discreto,
fica preso aos óculos
As possibilidades são tremendas. O uso militar desses
aparelhos já é conhecido há um bom tempo.
Mas as dificuldades também são enormes. A maioria
das pessoas consegue caminhar, correr e até dirigir
(embora isso seja vedado pelo Código Nacional de Trânsito)
escutando músicas com fone de ouvido. Mas o que mais
se pode fazer quando os dois olhos estão entregues
a dois minúsculos mas poderosos projetores? Os pilotos
de caça os utilizam em apenas um dos olhos ou
usando o pára-brisa do avião como projetor.
Mas eles são treinados para esses malabarismos. Os
fabricantes dos videoóculos já se debatem para
contornar as dificuldades de uso mesmo em condições
que parecem ideais. Disse a VEJA o engenheiro japonês
Daizo Kiyohara, da fabricante Scalar: "Um viajante com videoóculos
na sala de espera do aeroporto pode ter as malas roubadas
e nem perceber".