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27 de junho de 2007
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Bolsa família

Acessório com preço de carro – assim a indústria
do luxo preserva o fascínio dos seus produtos


Suzana Villaverde

A Tribute, da Louis Vuitton:
42 000 dólares e esgotada

Qual é o motivo de existir hoje à venda, numa loja no Brasil, uma bolsa que custa 37.000 reais? A resposta é simples: há quem compre. Não existe material requintado ou qualidade de mão-de-obra que justifique o preço – mas existe algo mais valioso, o desejo de ter um objeto tão caro e exclusivo que já foi criado um nicho de mercado para aninhá-lo. Seu nome é hiperluxo, e sua existência é fruto de uma contradição. Ao sair dos ateliês exclusivos e das butiques escondidas para as ruas e shopping centers das grandes cidades, movimento que começou na última década do século passado, a indústria do luxo criou uma solução e um problema. Solução: o mercado se multiplicou e o faturamento das empresas, num ramo tão suscetível a oscilações, está sólido – uma pesquisa divulgada na semana passada mostra que as 36 principais marcas do setor venderam 200 bilhões de dólares em 2006, 14% mais que no ano anterior. Problema: o luxo mais acessível vai perdendo a aura de coisa exclusiva, para poucos. Transforma-se numa espécie de luxo de massa. A saída para as empresas que dependem da imagem é criar linhas de produtos de grande impacto, com preços em alturas inimagináveis. "Para preservar o prestígio dos clientes mais importantes e diferenciá-los dos outros compradores, foi criado o conceito do luxo vip, um patamar tão elevado que só atinge uma porcentagem mínima da população", diz o consultor gaúcho André D'Angelo, autor do livro Precisar, Não Precisa, que analisa as características do consumo de bens de luxo no Brasil. "Para essa clientela, não existe preço que não valha a pena."

E não existe objeto capaz de separar uma mulher rica mais rapidamente de seu dinheiro do que uma bolsa, acessório que ocupa um lugar único na psique e no guarda-roupa femininos. "Fico hipnotizada quando vejo uma boa bolsa na vitrine. Tenho de entrar na loja e comprar", atesta a dermatologista carioca Karla Assed, 37 anos (coleção de mais de oitenta modelos de grife). Num mercado assim motivado, subir preços acaba sendo garantia de venda. A bolsa que ilustra esta reportagem é o modelo Tribute, da Louis Vuitton, bizarra colagem de pedaços de quinze bolsas tradicionais da qual foram produzidos 24 exemplares, a 42.000 dólares (80.000 reais!) cada um. Todos já foram vendidos. Nenhum veio para o Brasil, mas quem ficar muito triste poderá se consolar com o modelo da grife mais caro à venda nas lojas daqui, o Rabat Tupelo, de couro claro com pedrarias – a tal bolsa de 37.000 reais. "A nossa cliente paga caro pela exclusividade, pela segurança de ter uma bolsa única em qualquer lugar do mundo", afirma Cicila Street Barros, gerente de importados da loja de alto luxo Daslu, onde uma bolsa Chanel bate em 10.360 reais, uma Lanvin, em 12.530 reais e uma Valentino, em 14.520 reais.

Onde isso vai parar? Se depender do marketing das grandes grifes e da disposição das habitantes do Riquistão ("país" inventado pelo jornalista americano Robert Frank, em livro do mesmo nome, para alojar os estratos mais beneficiados pela atual exuberância econômica), nada segura o hiperluxo. "Estamos sempre de olho, para estender os limites", resume Robert Chavez, presidente nos Estados Unidos da Hermès, marca que lançou recentemente, em edição limitadíssima, sua famosa bolsa Birkin de couro de crocodilo cravejado de diamantes. Preço: 148.000 dólares (285.000 reais).

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