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Repito um velho conselho,
cada vez mais válido, sobretudo pro Congresso:
"Quando alguém gritar Pega Ladrão, finge
que não é com você". |
Doutor, somos todos doutores!
Aos neocultos (tão
perto dos semi-alfa)
Aos neocultos, essa gente que
quando está conversando com você ao telefone
não dispensa o celular e, com um clique do dedo, corresponde,
com o mais amplo conhecimento, a qualquer assunto de que você
fale, eu digo: "Cuidado, nem tudo é Google no
mundo da cultura". Tem também a Wikipédia (risos).
Como esses googles da
vida são apenas transcrições sem critério.
Eles jogam na tela como informação confiável
tudo o que encontram sobre pessoa ou assunto. Mas não
ensinam você, googlista, a "processar". E é
aí que está a cultura. Uma pessoa com poucos
dados culturais pode ser interessantíssima, enquanto
uma pessoa cheia de informações geralmente é
uma chata que despeja tudo o que tem na cabeça sem
qualquer formulação processamento
pessoal.
Isso faz, só por exemplo,
com que o senhor Aldo Rebelo (lembram dele? Já teve
seus quinze dias de glória) pense que entende de lingüísticas
porque estudou um pouco de análise lógica no
pleno do PCB (Palácio Clube Bilhares). Mas quer
saber o que é uma análise realmente lógica,
dr. Aldo? O senhor conhece a frase de Machado de Assis que
ele colocou na entrada da ABL: "Esta é a glória
que fica, eleva, honra e consola".
Eu sei, dr. Aldo, é querer
muito. Mas agora o senhor sabe. Então vamos fazer uma
análise, esta, sim, lógica. Os verbos
que adjetivam (pode? Pode) a frase não têm
a menor hierarquia, gradação. As palavras foram
postas ali porque foram postas ali, ponto.com.
Agora veja esta frase de Camões,
que escrevia direitinho: "A disciplina militar prestante não
se aprende, senhor, na fantasia. Mas vendo, tratando, e pelejando".
A hierarquia das palavras, a gradação, é
perfeita. Vendo. Tratando. E pelejando.
Uma coisa atrás da outra, quando se fala de uma proposta,
no caso ação militar. Ver primeiro. Depois
conjeturar o que se vai fazer. Só então
a porrada, o ir pro pau pelejar.
É assim que se usam as
palavras. Pra quem pretende usá-las e sobretudo a quem
pretende legislar o uso delas, dr. Aldo.
Veja o exemplo no uso de expressões
populares. Como estas, altamente criativas: "Foi comer capim
pela raiz. Vestiu o pijama de madeira. Fechou o paletó".
Veja agora, atente pro sentido
das frases e veja que a ordem deve ser cuidada pra valorizar
o sentido das frases:
1 Fechou o paletó
(o momento em que o cara bate as botas, estica as canelas).
2 Vestiu o pijama
de madeira (o cara já está morto, dentro do
caixão, o sentido é claro).
3 Foi comer capim
pela raiz (ele já está lá, protegido
nos sete palmos de terra, que estão reservados a todos
vocês que não optaram pela cremação).
Não tem de quê,
dr. Aldo.
| Ainda se pode citar Lenin?
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| "O que é um assalto
a um banco diante de um banco?" |
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| Millôr Fernandes, apenas
uma das vítimas |
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