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VEJA
Edição 2014

27 de junho de 2007
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Índice
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Cartas

"Nas maiores potências, o cidadão tem por objetivo
montar uma empresa, e com isso lucra a nação.
Aqui, todo mundo quer ser funcionário público."

Marcelo de Oliveira
Barretos, SP


Emprego público

Com muita inteligência, aguçada percepção e senso de realidade, VEJA mais uma vez pratica o jornalismo sério, ético e indispensável para a correta visualização do que se passa no país e no mundo. Em relação a essa importante pauta, o alerta contido na matéria deve ser percebido de forma grande, pois, infelizmente, estamos num processo retrógrado, em que, em vez de as pessoas se preocuparem em empreender e se desenvolver, procuram ganhar a vida de forma "parasitária", sem esforço, mamando nas tetas do estado ("Cinco milhões querem o governo como patrão", 20 de junho).
Alberto Maurício Danon
Por e-mail

VEJA retratou com muita fidelidade o mundo dos concursandos. Sou jornalista e estudo para a área fiscal federal. Comecei a maratona de estudos cinco dias após ter dado à luz minha primeira filha. Hoje, um ano e três meses depois, confesso que sinto muita culpa ao ver o tempo que lhe furtei de minha companhia por passar doze horas por dia trancada dentro de um quarto em meio a dezenas de livros. Passar em um concurso desse porte é não apenas uma prova de conhecimento, mas de resistência. Contudo, sei que esse é um preço que vale muito a pena pagar, em nome do meu futuro e do dela.
Bruna Adalgiza Martins Queiroz
Santo André, SP

Tive a oportunidade de trabalhar tanto no setor privado quanto no público e posso assegurar que o setor público não é o mais desejado, e sim a única opção de milhares de brasileiros que não conseguem ingressar no competitivo mercado de trabalho, seja por falta de qualificação, seja pelos baixos salários oferecidos hoje pelas empresas. Os concursos, que nada mais são do que máquinas de fazer dinheiro, não escolhem os melhores nem os mais bem preparados para o cargo, e sim aqueles que têm mais tempo de decorar disciplinas inúteis que nunca mais vão utilizar.
Elisabel Ferriche

Brasília, DF

Minha esposa e eu somos assinantes da revista e ficamos muito animados com a reportagem que fala de concurso público. Estamos nos preparando para alguns. Eu também sou mais um aficionado do serviço público. Já prestei quatro vezes o mesmo concurso, mas, como diz o nosso "rei dos concursos", o senhor William Douglas: "Concurso não se faz para passar, mas até passar". Por isso digo que vou passar.
Fábio Santos de Souza
São Paulo, SP

Não foi à toa que o emprego público voltou a valer a pena. Num mundo onde o desemprego anda mais alto que nunca, é natural que se procurem empregos de boa estabilidade e que sejam bem remunerados. A iniciativa privada precisa acordar e tentar acompanhar o nível de qualidade de vida oferecido por empregos da iniciativa pública, pois num futuro próximo, se nada for feito, os bons profissionais dispostos a trabalhar numa empresa privada estarão escassos.
Vitor Araruna
Por e-mail

Frustração e ansiedade, esses foram os sentimentos que me levaram a deixar para trás, no ano passado, dez anos de sociedade e a me lançar em um novo desafio: apostar na carreira pública. A possibilidade de crescimento profissional e pessoal e a estabilidade no emprego foram os motivos pelos quais, aos 39 anos, larguei tudo e me matriculei em um curso preparatório. Preparar-se para um concurso público é sempre um processo custoso. Custa dinheiro, custa tempo, custa coragem, custa dedicação e muita, muita persistência. Hoje, meu objetivo é estudar até passar.
Sandra Regina Stuchi
Ribeirão Preto, SP

Já tive a oportunidade de trabalhar um bom tempo em uma grande empresa privada e sei bem a pressão que é estar sob o risco de perder o emprego caso cometesse erros banais. Hoje estudo para o emprego público não só pela remuneração, mas por uma garantia estável de futuro.
Clarisse Jorge Paes Barreto
Vitória, ES

A corrida desenfreada para um emprego público não é um bom sinal para a economia do país. Os microempresários, que sofrem encargos absurdos que sufocam e matam, aconselharão seus filhos a deixar de investir no próprio negócio para ter a "estabilidade" do contracheque no fim do mês. Com tantos querendo essa tal estabilidade, como o governo vai arrecadar para pagar todo esse pessoal? Na verdade, deveria haver, isso sim, um grande estímulo para as micros e pequenas empresas.
Wanderley Almeida

Salvador, BA

Vale lembrar que a estabilidade é relativa. Se transcender as regras dentro de uma empresa pública, o funcionário será demitido por justa causa como em qualquer outra empresa. A aposentadoria também não é integral na maioria das empresas. Ao contrário. Essa é uma das mudanças que fizeram grande parte da população desistir de prestar concursos públicos na última década.
Ivy Freitas
São Paulo, SP

Como funcionário público federal desde 2002, cumprimento a senhora Gabriela Carelli pela excelente reportagem. Num momento em que somos sistematicamente tomados por denúncias de mau uso dos recursos públicos (entre outras piores), é reconfortante ler numa publicação como VEJA que o serviço público tem dado indícios de avanço na qualificação de seu pessoal, o que certamente produzirá melhorias no atendimento prestado a todos.
Ronaldo Nunes de Azeredo
Rio de Janeiro, RJ

Sempre valeu a pena ter o governo como patrão. Se assim não fosse, eu não estaria aposentado nem curtindo o restinho da vida nas aulas de natação junto com minha neta Ana Beatriz.
Isaac Soares de Lima
Maceió, AL

Entre tantos leitores importantes, esta semana mostrou a evidência de que o nosso presidente é um deles. Só pode ser conseqüência da leitura da excelente reportagem sobre os benefícios e vantagens do emprego público no Brasil a decisão do presidente de aumentar em até 140% o salário de 21.563 ocupantes de cargos de confiança na administração federal, elevando os gastos do governo em mais 277 milhões de reais neste ano e 475,8 milhões em 2008. Há outro aspecto positivo nessa decisão (que poderá ser estendida aos demais 3 milhões e poucos funcionários da República): quem sabe, com salários elevados – compatíveis com o que se ganha no setor privado –, os servidores do estado não precisarão mais se exaurir na obtenção de receitas adicionais através de comissões na aquisição de ambulâncias e na execução de obras públicas, em sociedades com bingos e caça-níqueis, na necessidade de usar notas frias para melhorar seus lucros em atividades pecuárias etc.
J. Roberto Whitaker Penteado
Por e-mail

 

Carlos Lamarca

VEJA foi precisa, correta e escolheu as denominações adequadas para definir o desertor Lamarca ("O 'Bolsa Terrorismo'.", 20 de junho). É vergonhosa para a democracia e para as instituições brasileiras a concessão de tão descabido benefício à família do desertor. Mas, infelizmente, em tempos de petistas no poder, não é esse o primeiro exemplo de premiação do mau comportamento nem será o último. O povão brasileiro, que morre nas filas dos hospitais, no transporte público, nas vielas das favelas e em tantas outras situações absurdas, que vá se acostumando a ver o dinheiro de seus impostos alimentar "Bolsas Terrorismo".
Rossi F. de M. Junior
Brasília, DF

Essa Comissão de Anistia está me cheirando a raposas tomando conta de galinheiro. É um absurdo essa desmoralização para o Exército brasileiro, ao pagar indenizações vultosas para assassinos, terroristas e assaltantes que tentaram na base da força implantar uma ditadura comunista no Brasil em vez de lutar pela democracia, como eles costumam afirmar. Daqui a alguns anos os bandidos do Rio também vão pedir indenizações, pois estão sendo combatidos por tropas federais.
Iramar Benigno Albert Júnior
Recife, PE

Parabéns, VEJA, por ter rompido a barreira do silêncio com que a mídia vem encobrindo – quando não falseando – a verdade sobre a tentativa de sanguinários-terroristas-comunistas de se apossarem do Brasil nas décadas de 60/70. Tendo sido contidos pelas forças legais do estado brasileiro, vêm se aproveitando hoje de um "INSS paralelo", que garante polpudas "indenizações" e pensões, indiscriminadamente, sem grandes burocracias, sem pagar imposto de renda e sem necessidade de entrar em filas junto com a plebe ignara. Novos agentes podem ser recrutados para uma nova luta armada, com a garantia de que sempre haverá o que VEJA tão bem definiu: uma "Bolsa Terrorismo", paga pela boa e ordeira população "deste país".
César Augusto Nicodemus de Souza
Rio de Janeiro, RJ

A promoção póstuma do terrorista Lamarca – e a pensão a seus familiares –, além de ser mais uma mancha na história deste país, é um péssimo exemplo para as novas gerações.
Oscar Roberto Jr.
São Paulo, SP

Para honra da justiça, é essencial que se enfatize que nosso herói, o capitão Alberto Mendes Júnior, era segundo-tenente quando foi brutalmente assassinado por Lamarca, após emboscada à tropa por ele comandada. O então tenente Mendes Júnior assumiu ser o comandante daquele pelotão, livrando seu efetivo da morte, sendo, todavia, covardemente assassinado por Lamarca a coronhadas e outras barbaridades que não convém lembrar. Resta ficar muito claro que essa tropa era da Polícia Militar do Estado de São Paulo e esse herói foi promovido a capitão pós-morte pelo sacrifício de sua vida no cumprimento do dever. Espero que se faça justiça a esse bravo exemplo que nos dignifica sobremaneira.
Benedito Donizeti Marques

Tenente-coronel da PMESP
São Paulo, SP

Cumprimento VEJA pela reportagem. Como irmão do capitão Alberto Mendes Júnior – herói-símbolo da Polícia Militar do Estado de São Paulo, assassinado por aquele terrorista –, agradeço a clareza da matéria. Essa promoção e a indenização paga à família me fazem ver nosso país na contramão da história, pois enquanto todos os países do mundo abominam o terrorismo aqui ele é recompensado. Acredito que se Bin Laden fosse brasileiro seria colocado na Presidência da República.
Adauto Mendes

Por e-mail

A decisão da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça de oferecer uma premiação vitalícia aos membros da família Lamarca deve servir como principal elemento de defesa para os sargentos da Aeronáutica, ameaçados de expulsão, que lideraram o movimento dos controladores de vôo. Afinal, quebra de hierarquia, indisciplina e outras rebeldias mais passaram a ser meritórias. Nessa balbúrdia que se tornou o Brasil, para que se faça justiça, só me resta defender a promoção imediata dos sargentos controladores de vôo que lideraram o movimento de insubordinação.
Carlos Anselmo Corrêa
Maringá, PR

O jornalista Vladimir Herzog foi torturado e assassinado em 24 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-Codi, quando estava sob a custódia do estado. Era um profissional competente e respeitado e sua morte comoveu o país; sua arma era a imprensa, portanto merece o nosso respeito. Carlos Lamarca foi um desertor, ladrão (roubou armas e munições do Exército) e assassino (matou um tenente); merece a nossa repulsa, ao contrário de ser tratado como mártir e herói com patente de coronel e soldo de general. Colocar Vlado e Lamarca no mesmo patamar é uma ofensa àqueles que de fato deram a vida pela democracia.
Humberto Viana Guimarães
Salvador, BA

Para que se esforçar e se desgastar com concurso para emprego público? Descubra um parente terrorista, que tenha matado alguém, que você entrará no topo da carreira e ainda receberá indenização.
José Carlos Castaldo
São Paulo, SP

 

Renangate

Primorosas as reportagens de VEJA sobre o senador Renan Calheiros ("A ética que vem do pasto", 20 de junho). Impressionante o corporativismo e a cara-de-pau dos senadores querendo consertar o que não tem mais jeito. Nessa selva de desclassificados, entretanto, vicejam nomes como Jefferson Peres, Demosthenes Torres, Pedro Simon e outros, que ainda mantêm a dignidade e a representatividade. O caminho de Renan é um só. Defenestração e volta ao pasto.
Eduardo Câmara
Brasília, DF

É lamentável perceber a união dos políticos quando o assunto é proteger seus colegas envolvidos ou investigados em denúncias de corrupção. Será que alguém no Senado sabe o que significa decoro parlamentar?
Ângela Maria Botelho de Menezes
Goiânia, GO

Quanto à atitude do ético senador Epitácio Cafeteira de votar pelo arquivamento precoce do processo, prescindindo, para isso, de qualquer investigação, sinceramente não dava para esperar outra atitude desse político cuja carreira foi marcada por momentos em que fazia de tudo para jogar o povo maranhense contra a família Sarney e momentos em que, desconsiderando a opinião de seus eleitores, ia se ajoelhar aos pés do cacique daquela família para conseguir apoio político, como, aliás, ocorreu nas últimas eleições. Cafeteira foi escolhido a dedo para essa missão e fez tudo para não decepcionar quem o escolheu.
Mateus Jucar

Paulo Ramos, MA

A esposa do senador Epitácio Cafeteira, em vez de solicitar-lhe reconsideração na decisão de renunciar ao cargo de relator no caso Calheiros, deveria ter feito melhor: exigir a volta dele para casa e presenteá-lo com um pijama e um rosário. Teria prestado relevante serviço à nação, reduzindo um pouco a sujeira em que estão transformando o Senado.
Antônio Stuchi

Ribeirão Preto, SP

O senador disse que seu capataz é desinformado. Na verdade, tenho certeza disso, porém o capataz é desinformado da sem-vergonhice, da falta de caráter e da falta de respeito ao cidadão brasileiro que o "gado e os negócios agropecuários" do ilustre senador encobrem.
Célio José Neres

Campo Grande, MS

Plagiando o ex-deputado Roberto Jefferson: "Sai daí, Renan, sai daí rápido".
Rodrigo Otávio Johannsen Müller
Itajaí, SC

 

Carta ao leitor

A limpidez e a objetividade da Carta ao leitor "Ética à Cafeteira" (20 de junho) só vêm fortalecer a opinião da maioria da sociedade brasileira de que o senador Renan Calheiros tem mais é de renunciar com urgência ao seu mandato, para não continuar enxovalhando cada vez mais o Parlamento. O senador Epitácio Cafeteira, tentando apressar a votação junto ao Conselho de Ética, sem a indispensável e profunda investigação, acabou dando a sua mãozinha para aumentar ainda mais o descrédito que o povo tem dos seus políticos.
Sinvaldo do Nascimento Souza
Rio de Janeiro, RJ

Dois pesos, duas medidas. Fui buscar um talão de cheques no banco e tive a grata satisfação de saber que não poderia retirá-lo, pois descobriram que estou inadimplente junto ao Serasa. Isso porque devo alguns reais à Telemar, empresa que só conheço pelas reportagens de VEJA. Assim, eu, como um "brasileiro normal", terei de pagar uma conta que nem sei de onde veio para poder "limpar" meu nome naquele órgão. Por outro lado, se eu fosse adepto do "Código Cafeteira", não precisaria utilizar talão de cheques, pois pagaria minhas contas em moeda corrente, sem nem mesmo dar satisfação ao famigerado Leão da origem da mesma. Até quando teremos esse Brasil corrupto que não queremos para nossos filhos?
Benedito Barraviera
Botucatu, SP

 

Veja essa

Agora o Brasil vai faturar alto com o turismo: de todos os países da Europa centenas de vôos charters já devem estar sendo agendados para as praias do Nordeste e outras regiões do Brasil, tudo isso para os turistas aproveitarem o momento-ministra: relaxar e gozar em terras tupiniquins (Veja essa, 20 de junho).
Mauro Lucio de Vasconcelos
Vitória, ES

Vivendo no Brasil, país que é um dos destinos favoritos daqueles que saem dos cantos mais longínquos do mundo para "relaxar e gozar" com menores de idade de baixíssima renda, não me surpreende a frase proferida pela senhora ministra do Turismo "sexual", digo, do Turismo, a sexóloga Marta Suplicy.
Nathan Pezzolo Malinverni
Santo André, SP

A frase de Marta Suplicy se encaixa perfeitamente no quadro de nosso país. Enquanto nossos governantes relaxam e gozam, o povo sofre de impotência e frigidez diante da onda de estupro feita de corrupção, negligência e impunidade.
Moises Moricochi Morato
Franca, SP

É difícil passageiros que estão sendo estuprados nos aeroportos brasileiros aceitarem o conselho da sexóloga Marta, ministra do Turismo e provável candidata do PT à Presidência da República.
Climério Lisboa de Mendonça
Belém, PA

Entendi! Os controladores de vôo relaxam e a Marta Suplicy goza da nossa cara!
Geraldo Toledo
Belo Horizonte, MG

 

Holofote

Reconhecemos que o Ministério da Saúde deu à Abramet o crédito pelo trabalho científico exposto no texto da lei indevidamente. Na verdade, a referida pesquisa foi conduzida pela Associação Brasileira de Detrans, em 1996. Entretanto, o engano se deve ao fato de a Abramet ter inúmeras conquistas ao longo de quase três décadas de dedicação à mobilidade humana e à segurança viária. O fato é que estamos perdendo uma parcela importante da sociedade. A OMS identifica a velocidade, a falta do uso de cinto de segurança, do capacete, o transporte incorreto de crianças e sobretudo o álcool como os principais vilões a ser combatidos nos países em desenvolvimento, que têm as maiores taxas de mortalidade provocada por acidentes de trânsito. A OMS empenha-se em divulgar que os acidentes de trânsito têm múltiplas causas, em sua maioria evitáveis, e o motorista que conduz sob a influência do álcool é universalmente reconhecido como causa preponderante ("Faltou sobriedade", Holofote, 20 de junho).
Fábio F. Racy
Presidente da Abramet
São Paulo, SP

 

Lya Luft

A escritora Lya Luft identificou com muita sapiência um fenômeno constante nos dias de hoje: a profissão barriga (Ponto de vista, 20 de junho). Mulheres aproveitam-se da ingenuidade masculina para "prender" o homem, transformando crianças em simples instrumentos para fins pecuniários. Esse fenômeno se torna ainda mais grave em virtude do apoio dado pelo próprio Judiciário, que não tem pudor algum em conceder vultosas pensões alimentícias aos ex-amantes, pelo simples fato de terem engravidado.
Daniel Navarro
Recife, PE

Espero que o texto rasgue o véu da ingenuidade, para não dizer burrice, que cega os mais espertos varões. Para finalizar, completo com uma frase que ouvi por aí: "Se eu fosse homem, não daria nem bom-dia a uma mulher sem camisinha".
Ana Maria Alberton Musial
Curitiba, PR

Sou assinante de VEJA há quase trinta anos e fã de Lya Luft como articulista e escritora. Quero cumprimentá-la, pois, mesmo sendo mulher, ela foi imparcial em suas observações. Sou uma das vítimas desse mal, por ter tido um relacionamento extraconjugal, e até hoje sinto as conseqüências disso. No tempo do coronelismo, muitos traziam a criança para criar no seio da família, assumindo a posição de padrinho. Minha nota é 11 para você.
Agnaldo Alves
Salvador, BA

Nesse excelente artigo, Lya Luft pegou pesado, mas com muita lucidez, pertinência e seriedade. Há um posicionamento de certas mulheres que contribui para sua exposição a esse tipo de coisa, em que, a troco de pretensos benefícios, colocam no mundo seres indefesos.
Cidinha Gattaz
São José do Rio Preto, SP

Meu Deus! Que horror! Lya Luft, mulher e intelectual de primeira grandeza, em pleno século XXI, é autora de artigo eivado de machismo e preconceito. Que absurdo! Sou mãe, não de mulheres, mas de três filhos homens adultos e, desde a adolescência, sempre disse a eles: "A gravidez ou a não-gravidez não é responsabilidade só da mulher"; "Cuidem de seus espermatozóides"; "Quem pretende usar pode acabar sendo usado".
Suely Santoni
São Paulo, SP

 

Medicina

Sobre a reportagem "Câncer – A esperança das terapias-alvo" (20 de junho), gostaria de salientar que todas as drogas citadas já se encontram entre nós e, no caso de Mabthera, Glivec e Herceptina, entraram na nossa rotina há algum tempo. Cada vez mais passamos a utilizar o Avastin e o Tarceva. Pensamos que também seja importante salientar que os custos desses medicamentos trazem dificuldade e limitação ao seu uso, causando crescentes problemas aos oncologistas e muita ansiedade aos pacientes e a sua família. Muitas fontes pagadoras ou não concordam com seu uso ou criam dificuldades extremas a sua liberação, quando não ameaçam os profissionais que os utilizam de descredenciamento devido aos custos crescentes dos seus serviços. Esse assunto tem levado a um desgaste crescente, envolvendo médicos, pacientes, familiares e fontes pagadoras, e nós, especialistas, muitas vezes ficamos em difícil situação, pois recebemos as óbvias pressões dos pacientes de um lado e as dos convênios na direção contrária.
Juvenal Antunes Oliveira Filho
Médico oncologista – Oncocamp
Campinas, SP

A Constituição brasileira diz que a saúde é um direito do cidadão e um dever do estado. No Brasil, para exercer esse direito, somos obrigados a recorrer ao Judiciário. Há dois anos, tive um diagnóstico de câncer de reto com metástase no peritônio, no fígado e nos pulmões. Em fase final do tratamento quimioterápico, tenho hoje a doença sob controle e com possibilidade de cura: o anticorpo monoclonal Erbitux, que obtive por uma liminar contra a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, reverteu uma expectativa de sobrevida de apenas 5% após cinco anos. Esses novos medicamentos salvam vidas em vários países do mundo e representam a vanguarda no tratamento de diversas doenças. No meu caso, a secretaria recorreu para suspender o fornecimento do remédio.
Sócrates Ribeiro Filho
Santos, SP

Excelente a entrevista com o doutor Mario Eisenberger, pois esclarece um dos grandes mitos da medicina: o de que o PSA elevado é capaz, por si só, de fazer o diagnóstico de câncer de próstata bem como de excluir sua existência se estiver normal. De quebra, ainda lembra que uma pessoa com câncer não está condenada a morrer por causa dele, usando também como exemplo o câncer de próstata. Vale lembrar, entretanto, que muitos outros mitos persistem na nossa profissão. Como exemplo, a idéia de que os exames radiológicos sozinhos fazem o diagnóstico de câncer. Eles detectam uma lesão. Dizer do que se trata essa lesão ainda é função do médico patologista.
Doutor Marcus de Medeiros Matsushita
Professor-doutor das disciplinas de anatomia patologia e patologia geral Universidade de Marília (Unimar)
Marília, SP

A reportagem "Além do HIV,..." (13 de junho) foi muito oportuna. Porém, além do aumento das taxas de gorduras no sangue e dos espessamentos arteriais, o maior motivo de alerta vem de estudos com desfechos clínicos. Em um deles, conduzido pela Universidade de Harvard, encontrou-se que as pessoas infectadas pelo vírus HIV têm, de fato, risco aumentado de ataque cardíaco. O que mais chamou atenção, e isso é motivo para alertar cada vez mais as mulheres, é que nelas o aumento constatado foi da ordem de 300%, enquanto nos homens teria aumentado "apenas" 40%. As causas do aumento de risco ainda são especulativas. Possivelmente é o estado inflamatório crônico que eleva o risco de inflamação nas artérias coronárias. Também há suspeitas de que a medicação (coquetel) possa ter papel relevante nesse aumento de risco, juntamente com a alta prevalência do tabagismo. As pessoas infectadas não devem temer a medicação antiviral, a qual permite uma longa sobrevida. No entanto, devem intensificar todas as medidas preventivas cardiológicas largamente preconizadas, eliminando ou corrigindo os fatores de risco coronariano e realizando revisões cardiológicas periódicas, principalmente as mulheres. A personagem apresentada na reportagem está de parabéns, pois, além de ter tido a coragem necessária para relatar o seu problema, é um excelente exemplo a ser seguido por todas as mulheres afetadas.
Aloir Queiroz de Araujo
Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia do Espírito Santo
Vitória, ES

 

Norman Lebrecht

A exemplo do famoso crítico musical Norman Lebrecht (Amarelas, 20 de junho), sempre acreditei que a música erudita tem o poder de trazer a energia e a vibração de um grande concerto de rock. Acredito ter passado isso para minhas duas filhas adolescentes, já que, como ocorre com o pai, A Tempestade, de Tchaikovsky, freqüenta o CD-player delas com a mesma assiduidade de Black Dog, do Led Zeppelin, e Call Me When You're Sober, do Evanescence. E no mesmo nível de volume. Parabéns a VEJA pela diversidade de assuntos abordados nas Páginas Amarelas.
Humberto Carlos Olguin Beltran
Nova Alvorada do Sul, MS

Aprecio músicas clássicas, especialmente as de Mozart, que são divinamente alegres. Nunca tinha ouvido falar do senhor Lebrecht. Agora não o esquecerei. Creio ser essa a sua verdadeira intenção, após a crítica contundente ao maior gênio da música clássica.
José Wanderlei Dalmolin

Caxias do Sul, RS

A entrevista com o crítico Norman Lebrecht marca, pelo menos, um ponto positivo: fala de música erudita, cada vez se distanciando, mais e mais, dos povos do mundo por causa das novidades que vão aparecendo para a juventude, para uma crescente maioria. Mas discordo dele. Personalidade temida, certamente gosta de ser diferente e de afastar-se de grandes momentos da arte da música e do seu apogeu nos séculos XVIII e XIX. Fala apenas de Bach, Haydn, Mendelssohn, Schumann, Liszt, Vivaldi e Wagner, sem dúvida notáveis compositores. Mas ignora Beethoven – um dos mais grandiosos – e despreza Mozart. Ignora a arte lírica italiana, pois só fala de O Anel dos Nibelungos.
Ruy Pereira da Silva
Brasília, DF

Reconheço algum valor em Lebrecht como discófilo, nada além disso. São inaceitáveis seus conceitos sobre a obra de Mozart. Seus argumentos beiram a falta de respeito à inteligência do leitor. Lebrecht demonstra nada conhecer da dinâmica da economia de mercado: se há muitos concertos e gravações repetindo à exaustão as obras de Mozart, é porque há os que estão dispostos a pagar por isso.
Descartes de Souza Teixeira
São Paulo, SP

Além de criticar, injustamente, o gênio Mozart, exaltando Haydn, ele quase não fala nada sobre o maior de todos os músicos da história, Johann Sebastian Bach. Desclassificar Mozart como um simples produto McDonald's é pura falta de sensibilidade e compreensão musical. O próprio Haydn reconheceu o gênio e aproveitou-se dele como no caso dos quartetos: Mozart aprendeu de Haydn e Haydn reaprendeu com Mozart. A crítica feita a Herbert von Karajan é igualmente inoportuna; o grande maestro é quase inigualável. Isso não diminui valores como Daniel Barenboim, Zubin Mehta e outros.
Heinrich Wilhelm Borgert
São Paulo, SP

A entrevista "Clássicos na UTI", do crítico inglês Norman Lebrecht, demonstra apenas quanto ele não gosta de Mozart e prefere o grande Haydn.
Augusto Sampaio
Salvador, BA

Perdoe-me o ilustre crítico com o seu vaticínio (fim do CD), mas a internet é apenas mais um meio de comunicação e não vai substituir os outros. Aliás, não sou assinante de VEJA, mas toda semana adquiro nas bancas um exemplar porque prefiro folhear e ler a revista comodamente a acessá-la na internet.
Atapoã da Costa Feliz
Compositor
Campo Grande, MS

 

Televisão

Sobre a novela Paraíso Tropical, é verdade que o brasileiro realmente mudou seus valores morais, como tudo, mas isso não significa necessariamente que aprove o mal ("Meu bem, meu mal", 20 de junho). O problema é que os autores de novela continuam fazendo mocinhos ordinariamente chatos, por ser politicamente corretos demais e incrivelmente inocentes e assexuados, como se vivessem ainda num conto de fadas que não convence mais ninguém. Enquanto isso, os vilões são mais humanos, vivos, sexuais, têm bom humor, além de virtudes implícitas, como a persistência, a coragem, o foco em objetivos bem traçados e a vontade de crescer. Enfim, o problema não está nos vilões; são os mocinhos que se tornaram chatos demais.
Carlos Rogério Casagrande
São Paulo, SP

Mesmo ultrapassados para esse padrão imoral e sem cultura atual, os programas dominicais de Silvio Santos ainda podem reunir (sem medo) a família em frente à TV nas tardes de domingo, e mesmo um jogo de perguntas e respostas pode singelamente ativar a memória e levar curiosidades à população. Se ele se uniu a outra emissora, claro que existiram interesses de ambas as partes. O importante a ressaltar é a reação a essa ação. A revista enfocou a suposta união das emissoras em busca de audiência. Mesmo que tal ocorra, todos ganham com isso, mas a solidariedade dos artistas falará mais alto de agora em diante.
Muriel Costa de Moura
Tupaciguara, MG

 

Janeth Arcain

Parabéns à superatleta Janeth (Auto-retrato, 20 de junho) pelo seu discernimento, especialmente no tocante às cotas para negros nas universidades. "Podem até gerar mais racismo." Com certeza. Mostrou bom senso, julgando pela razão, e não pela paixão.
José Amadeu
Catalão, GO

 

CORREÇÕES: na reportagem "O 'Bolsa Terrorismo'" (20 de junho), por uma alteração indevida que desconsiderou o conteúdo da reportagem, a legenda da foto que mostra o então capitão Lamarca dando treinamento de tiro a bancários de São Paulo informou erradamente que se tratava do militar num momento posterior à sua deserção do Exército. O salário inicial de um procurador do estado de São Paulo é de 6.500 reais, e não de 10.900 reais, como informado na reportagem "Cinco milhões querem o governo como patrão" (20 de junho); na mesma reportagem, o entrevistado Renato Travassos, analista do Banco Central, foi citado erroneamente como analista do BNDES.

 

Nota

No quadro "O Mino do bem", publicado na página 37 desta edição, há um erro grave. O texto "Como se conjuga um empresário", citado na reportagem "Ensino que é bom" (13 de junho), não foi publicado em apostilas do sistema COC de ensino. O texto foi incluído pelo Colégio Pentágono, de São Paulo, em suas próprias apostilas. Pedimos desculpas aos diretores, professores e alunos do sistema COC.

 

 

 

MÚSICA ERUDITA EM MP3

José Luiz Medeiros Monclair, de Curitiba, escreveu para comentar a entrevista com o crítico de música erudita Norman Lebrecht (Amarelas, 20 de junho): "Fiquei empolgado com o que li, mas discordo dele quando diz que os CDs vão acabar. Não vão". Monclair acredita que a indústria está em uma fase de transição com a mudança dos registros de sons analógicos para os digitais, principalmente para o formato MP3. Monclair tem uma gravadora independente em Curitiba, a Worldlink. Ali ele produz CDs em MP3 nos quais consegue gravar até doze horas de música erudita. Monclair utiliza a compressão de 128 kbps, que, em MP3, segundo ele, permite gravar sons com "pureza cristalina". É verdade. Para muitos ouvintes é quase impossível distinguir sons registrados analogicamente de suas cópias digitalizadas. Os puristas da música erudita e do jazz, porém, ainda não se conformam com as perdas de certas tonalidades em gravações MP3 – não só nas de 128 kbps, mas até naquelas ainda mais fiéis, de 320 kbps. Mesmo codificações mais modernas como AAC implicam perda de qualidade. Como meio de popularização da música erudita, porém, CDs de MP3 com horas de gravação são uma boa aposta.



O MINO DO BEM

Hermínio Macêdo Castelo Branco, o cartunista Mino, escreve para a redação para dizer que não tem nada a ver com o texto "Como se conjuga um empresário" publicado na reportagem "Ensino que é bom..." (13 de junho), atribuído em apostilas do sistema COC de ensino a um homônimo seu. "Sou ligado à Unesco, estou engajado na luta pela educação brasileira, ilustrei diversas cartilhas importantes e sou apoiado justamente pelos empresários cearenses, sendo amigo da maior parte deles de longa data. Não sou autor do tal texto. Não seria capaz de escrever nem assinar tamanha burrice", diz Mino, que edita em Fortaleza a Rivista, uma publicação de humor, diversão e educação (veja a foto).

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