"Nas maiores
potências, o cidadão tem por objetivo
montar uma empresa, e com isso lucra a nação.
Aqui, todo mundo quer ser funcionário público." Marcelo de Oliveira Barretos, SP
Emprego público
Com muita inteligência,
aguçada percepção e senso de realidade,
VEJA mais uma vez pratica o jornalismo sério, ético
e indispensável para a correta visualização
do que se passa no país e no mundo. Em relação
a essa importante pauta, o alerta contido na matéria
deve ser percebido de forma grande, pois, infelizmente, estamos
num processo retrógrado, em que, em vez de as pessoas
se preocuparem em empreender e se desenvolver, procuram ganhar
a vida de forma "parasitária", sem esforço,
mamando nas tetas do estado ("Cinco milhões querem
o governo como patrão", 20 de junho). Alberto Maurício
Danon Por e-mail
VEJA retratou com
muita fidelidade o mundo dos concursandos. Sou jornalista
e estudo para a área fiscal federal. Comecei a maratona
de estudos cinco dias após ter dado à luz minha
primeira filha. Hoje, um ano e três meses depois, confesso
que sinto muita culpa ao ver o tempo que lhe furtei de minha
companhia por passar doze horas por dia trancada dentro de
um quarto em meio a dezenas de livros. Passar em um concurso
desse porte é não apenas uma prova de conhecimento,
mas de resistência. Contudo, sei que esse é um
preço que vale muito a pena pagar, em nome do meu futuro
e do dela. Bruna Adalgiza Martins
Queiroz Santo André, SP
Tive a oportunidade
de trabalhar tanto no setor privado quanto no público
e posso assegurar que o setor público não é
o mais desejado, e sim a única opção
de milhares de brasileiros que não conseguem ingressar
no competitivo mercado de trabalho, seja por falta de qualificação,
seja pelos baixos salários oferecidos hoje pelas empresas.
Os concursos, que nada mais são do que máquinas
de fazer dinheiro, não escolhem os melhores nem os
mais bem preparados para o cargo, e sim aqueles que têm
mais tempo de decorar disciplinas inúteis que nunca
mais vão utilizar. Elisabel Ferriche Brasília, DF
Minha esposa e eu
somos assinantes da revista e ficamos muito animados com a
reportagem que fala de concurso público. Estamos nos
preparando para alguns. Eu também sou mais um aficionado
do serviço público. Já prestei quatro
vezes o mesmo concurso, mas, como diz o nosso "rei dos concursos",
o senhor William Douglas: "Concurso não se faz para
passar, mas até passar". Por isso digo que vou passar.
Fábio Santos
de Souza São Paulo, SP
Não foi à
toa que o emprego público voltou a valer a pena. Num
mundo onde o desemprego anda mais alto que nunca, é
natural que se procurem empregos de boa estabilidade e que
sejam bem remunerados. A iniciativa privada precisa acordar
e tentar acompanhar o nível de qualidade de vida oferecido
por empregos da iniciativa pública, pois num futuro
próximo, se nada for feito, os bons profissionais dispostos
a trabalhar numa empresa privada estarão escassos. Vitor Araruna Por e-mail
Frustração
e ansiedade, esses foram os sentimentos que me levaram a deixar
para trás, no ano passado, dez anos de sociedade e
a me lançar em um novo desafio: apostar na carreira
pública. A possibilidade de crescimento profissional
e pessoal e a estabilidade no emprego foram os motivos pelos
quais, aos 39 anos, larguei tudo e me matriculei em um curso
preparatório. Preparar-se para um concurso público
é sempre um processo custoso. Custa dinheiro, custa
tempo, custa coragem, custa dedicação e muita,
muita persistência. Hoje, meu objetivo é estudar
até passar. Sandra Regina Stuchi Ribeirão Preto, SP
Já tive a
oportunidade de trabalhar um bom tempo em uma grande empresa
privada e sei bem a pressão que é estar sob
o risco de perder o emprego caso cometesse erros banais. Hoje
estudo para o emprego público não só
pela remuneração, mas por uma garantia estável
de futuro.
Clarisse Jorge Paes Barreto Vitória, ES
A corrida desenfreada
para um emprego público não é um bom
sinal para a economia do país. Os microempresários,
que sofrem encargos absurdos que sufocam e matam, aconselharão
seus filhos a deixar de investir no próprio negócio
para ter a "estabilidade" do contracheque no fim do mês.
Com tantos querendo essa tal estabilidade, como o governo
vai arrecadar para pagar todo esse pessoal? Na verdade, deveria
haver, isso sim, um grande estímulo para as micros
e pequenas empresas.
Wanderley Almeida Salvador, BA
Vale lembrar que
a estabilidade é relativa. Se transcender as regras
dentro de uma empresa pública, o funcionário
será demitido por justa causa como em qualquer outra
empresa. A aposentadoria também não é
integral na maioria das empresas. Ao contrário. Essa
é uma das mudanças que fizeram grande parte
da população desistir de prestar concursos públicos
na última década. Ivy Freitas São Paulo, SP
Como funcionário
público federal desde 2002, cumprimento a senhora Gabriela
Carelli pela excelente reportagem. Num momento em que somos
sistematicamente tomados por denúncias de mau uso dos
recursos públicos (entre outras piores), é reconfortante
ler numa publicação como VEJA que o serviço
público tem dado indícios de avanço na
qualificação de seu pessoal, o que certamente
produzirá melhorias no atendimento prestado a todos.
Ronaldo Nunes de Azeredo Rio de Janeiro, RJ
Sempre valeu a pena
ter o governo como patrão. Se assim não fosse,
eu não estaria aposentado nem curtindo o restinho da
vida nas aulas de natação junto com minha neta
Ana Beatriz. Isaac Soares de Lima Maceió, AL
Entre tantos leitores
importantes, esta semana mostrou a evidência de que
o nosso presidente é um deles. Só pode ser conseqüência
da leitura da excelente reportagem sobre os benefícios
e vantagens do emprego público no Brasil a decisão
do presidente de aumentar em até 140% o salário
de 21.563 ocupantes de cargos de confiança na administração
federal, elevando os gastos do governo em mais 277 milhões
de reais neste ano e 475,8 milhões em 2008. Há
outro aspecto positivo nessa decisão (que poderá
ser estendida aos demais 3 milhões e poucos funcionários
da República): quem sabe, com salários elevados
compatíveis com o que se ganha no setor privado
, os servidores do estado não precisarão
mais se exaurir na obtenção de receitas adicionais
através de comissões na aquisição
de ambulâncias e na execução de obras
públicas, em sociedades com bingos e caça-níqueis,
na necessidade de usar notas frias para melhorar seus lucros
em atividades pecuárias etc. J. Roberto Whitaker Penteado Por e-mail
Carlos Lamarca
VEJA foi precisa,
correta e escolheu as denominações adequadas
para definir o desertor Lamarca ("O 'Bolsa Terrorismo'.",
20 de junho). É vergonhosa para a democracia e para
as instituições brasileiras a concessão
de tão descabido benefício à família
do desertor. Mas, infelizmente, em tempos de petistas no poder,
não é esse o primeiro exemplo de premiação
do mau comportamento nem será o último. O povão
brasileiro, que morre nas filas dos hospitais, no transporte
público, nas vielas das favelas e em tantas outras
situações absurdas, que vá se acostumando
a ver o dinheiro de seus impostos alimentar "Bolsas Terrorismo".
Rossi F. de M. Junior Brasília, DF
Essa Comissão
de Anistia está me cheirando a raposas tomando conta
de galinheiro. É um absurdo essa desmoralização
para o Exército brasileiro, ao pagar indenizações
vultosas para assassinos, terroristas e assaltantes que tentaram
na base da força implantar uma ditadura comunista no
Brasil em vez de lutar pela democracia, como eles costumam
afirmar. Daqui a alguns anos os bandidos do Rio também
vão pedir indenizações, pois estão
sendo combatidos por tropas federais. Iramar Benigno Albert
Júnior Recife, PE
Parabéns,
VEJA, por ter rompido a barreira do silêncio com que
a mídia vem encobrindo quando não falseando
a verdade sobre a tentativa de sanguinários-terroristas-comunistas
de se apossarem do Brasil nas décadas de 60/70. Tendo
sido contidos pelas forças legais do estado brasileiro,
vêm se aproveitando hoje de um "INSS paralelo", que
garante polpudas "indenizações" e pensões,
indiscriminadamente, sem grandes burocracias, sem pagar imposto
de renda e sem necessidade de entrar em filas junto com a
plebe ignara. Novos agentes podem ser recrutados para uma
nova luta armada, com a garantia de que sempre haverá
o que VEJA tão bem definiu: uma "Bolsa Terrorismo",
paga pela boa e ordeira população "deste país".
César Augusto Nicodemus
de Souza Rio de Janeiro, RJ
A promoção
póstuma do terrorista Lamarca e a pensão
a seus familiares , além de ser mais uma mancha
na história deste país, é um péssimo
exemplo para as novas gerações. Oscar Roberto Jr. São Paulo, SP
Para honra da justiça,
é essencial que se enfatize que nosso herói,
o capitão Alberto Mendes Júnior, era segundo-tenente
quando foi brutalmente assassinado por Lamarca, após
emboscada à tropa por ele comandada. O então
tenente Mendes Júnior assumiu ser o comandante daquele
pelotão, livrando seu efetivo da morte, sendo, todavia,
covardemente assassinado por Lamarca a coronhadas e outras
barbaridades que não convém lembrar. Resta ficar
muito claro que essa tropa era da Polícia Militar do
Estado de São Paulo e esse herói foi promovido
a capitão pós-morte pelo sacrifício de
sua vida no cumprimento do dever. Espero que se faça
justiça a esse bravo exemplo que nos dignifica sobremaneira.
Benedito Donizeti Marques Tenente-coronel da PMESP São Paulo, SP
Cumprimento VEJA
pela reportagem. Como irmão do capitão Alberto
Mendes Júnior herói-símbolo da
Polícia Militar do Estado de São Paulo, assassinado
por aquele terrorista , agradeço a clareza da
matéria. Essa promoção e a indenização
paga à família me fazem ver nosso país
na contramão da história, pois enquanto todos
os países do mundo abominam o terrorismo aqui ele é
recompensado. Acredito que se Bin Laden fosse brasileiro seria
colocado na Presidência da República.
Adauto Mendes Por e-mail
A decisão
da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça
de oferecer uma premiação vitalícia aos
membros da família Lamarca deve servir como principal
elemento de defesa para os sargentos da Aeronáutica,
ameaçados de expulsão, que lideraram o movimento
dos controladores de vôo. Afinal, quebra de hierarquia,
indisciplina e outras rebeldias mais passaram a ser meritórias.
Nessa balbúrdia que se tornou o Brasil, para que se
faça justiça, só me resta defender a
promoção imediata dos sargentos controladores
de vôo que lideraram o movimento de insubordinação.
Carlos Anselmo Corrêa
Maringá, PR
O jornalista Vladimir
Herzog foi torturado e assassinado em 24 de outubro de 1975
nas dependências do DOI-Codi, quando estava sob a custódia
do estado. Era um profissional competente e respeitado e sua
morte comoveu o país; sua arma era a imprensa, portanto
merece o nosso respeito. Carlos Lamarca foi um desertor, ladrão
(roubou armas e munições do Exército)
e assassino (matou um tenente); merece a nossa repulsa, ao
contrário de ser tratado como mártir e herói
com patente de coronel e soldo de general. Colocar Vlado e
Lamarca no mesmo patamar é uma ofensa àqueles
que de fato deram a vida pela democracia. Humberto Viana Guimarães Salvador, BA
Para que se esforçar
e se desgastar com concurso para emprego público? Descubra
um parente terrorista, que tenha matado alguém, que
você entrará no topo da carreira e ainda receberá
indenização. José Carlos Castaldo São Paulo, SP
Renangate
Primorosas as reportagens
de VEJA sobre o senador Renan Calheiros ("A ética que
vem do pasto", 20 de junho). Impressionante o corporativismo
e a cara-de-pau dos senadores querendo consertar o que não
tem mais jeito. Nessa selva de desclassificados, entretanto,
vicejam nomes como Jefferson Peres, Demosthenes Torres, Pedro
Simon e outros, que ainda mantêm a dignidade e a representatividade.
O caminho de Renan é um só. Defenestração
e volta ao pasto. Eduardo Câmara
Brasília, DF
É lamentável
perceber a união dos políticos quando o assunto
é proteger seus colegas envolvidos ou investigados
em denúncias de corrupção. Será
que alguém no Senado sabe o que significa decoro parlamentar?
Ângela Maria
Botelho de Menezes Goiânia, GO
Quanto à
atitude do ético senador Epitácio Cafeteira
de votar pelo arquivamento precoce do processo, prescindindo,
para isso, de qualquer investigação, sinceramente
não dava para esperar outra atitude desse político
cuja carreira foi marcada por momentos em que fazia de tudo
para jogar o povo maranhense contra a família Sarney
e momentos em que, desconsiderando a opinião de seus
eleitores, ia se ajoelhar aos pés do cacique daquela
família para conseguir apoio político, como,
aliás, ocorreu nas últimas eleições.
Cafeteira foi escolhido a dedo para essa missão e fez
tudo para não decepcionar quem o escolheu.
Mateus Jucar Paulo Ramos, MA
A esposa do senador
Epitácio Cafeteira, em vez de solicitar-lhe reconsideração
na decisão de renunciar ao cargo de relator no caso
Calheiros, deveria ter feito melhor: exigir a volta dele para
casa e presenteá-lo com um pijama e um rosário.
Teria prestado relevante serviço à nação,
reduzindo um pouco a sujeira em que estão transformando
o Senado. Antônio Stuchi Ribeirão Preto, SP
O senador disse
que seu capataz é desinformado. Na verdade, tenho certeza
disso, porém o capataz é desinformado da sem-vergonhice,
da falta de caráter e da falta de respeito ao cidadão
brasileiro que o "gado e os negócios agropecuários"
do ilustre senador encobrem.
Célio José Neres Campo Grande, MS
Plagiando o ex-deputado
Roberto Jefferson: "Sai daí, Renan, sai daí
rápido". Rodrigo Otávio
Johannsen Müller Itajaí, SC
Carta ao leitor
A limpidez e a
objetividade da Carta ao leitor "Ética à Cafeteira"
(20 de junho) só vêm fortalecer a opinião
da maioria da sociedade brasileira de que o senador Renan
Calheiros tem mais é de renunciar com urgência
ao seu mandato, para não continuar enxovalhando cada
vez mais o Parlamento. O senador Epitácio Cafeteira,
tentando apressar a votação junto ao Conselho
de Ética, sem a indispensável e profunda investigação,
acabou dando a sua mãozinha para aumentar ainda mais
o descrédito que o povo tem dos seus políticos.
Sinvaldo do Nascimento
Souza Rio de Janeiro, RJ
Dois pesos, duas
medidas. Fui buscar um talão de cheques no banco e
tive a grata satisfação de saber que não
poderia retirá-lo, pois descobriram que estou inadimplente
junto ao Serasa. Isso porque devo alguns reais à Telemar,
empresa que só conheço pelas reportagens de
VEJA. Assim, eu, como um "brasileiro normal", terei de pagar
uma conta que nem sei de onde veio para poder "limpar" meu
nome naquele órgão. Por outro lado, se eu fosse
adepto do "Código Cafeteira", não precisaria
utilizar talão de cheques, pois pagaria minhas contas
em moeda corrente, sem nem mesmo dar satisfação
ao famigerado Leão da origem da mesma. Até quando
teremos esse Brasil corrupto que não queremos para
nossos filhos? Benedito Barraviera Botucatu, SP
Veja essa
Agora o Brasil
vai faturar alto com o turismo: de todos os países
da Europa centenas de vôos charters já devem
estar sendo agendados para as praias do Nordeste e outras
regiões do Brasil, tudo isso para os turistas aproveitarem
o momento-ministra: relaxar e gozar em terras tupiniquins
(Veja essa, 20 de junho). Mauro Lucio de Vasconcelos
Vitória, ES
Vivendo no Brasil,
país que é um dos destinos favoritos daqueles
que saem dos cantos mais longínquos do mundo para "relaxar
e gozar" com menores de idade de baixíssima renda,
não me surpreende a frase proferida pela senhora ministra
do Turismo "sexual", digo, do Turismo, a sexóloga Marta
Suplicy. Nathan Pezzolo Malinverni Santo André, SP
A frase de Marta
Suplicy se encaixa perfeitamente no quadro de nosso país.
Enquanto nossos governantes relaxam e gozam, o povo sofre
de impotência e frigidez diante da onda de estupro feita
de corrupção, negligência e impunidade.
Moises Moricochi Morato Franca, SP
É difícil
passageiros que estão sendo estuprados nos aeroportos
brasileiros aceitarem o conselho da sexóloga Marta,
ministra do Turismo e provável candidata do PT à
Presidência da República. Climério Lisboa
de Mendonça Belém, PA
Entendi! Os controladores
de vôo relaxam e a Marta Suplicy goza da nossa cara!
Geraldo Toledo Belo Horizonte, MG
Holofote
Reconhecemos que
o Ministério da Saúde deu à Abramet o
crédito pelo trabalho científico exposto no
texto da lei indevidamente. Na verdade, a referida pesquisa
foi conduzida pela Associação Brasileira de
Detrans, em 1996. Entretanto, o engano se deve ao fato de
a Abramet ter inúmeras conquistas ao longo de quase
três décadas de dedicação à
mobilidade humana e à segurança viária.
O fato é que estamos perdendo uma parcela importante
da sociedade. A OMS identifica a velocidade, a falta do uso
de cinto de segurança, do capacete, o transporte incorreto
de crianças e sobretudo o álcool como os principais
vilões a ser combatidos nos países em desenvolvimento,
que têm as maiores taxas de mortalidade provocada por
acidentes de trânsito. A OMS empenha-se em divulgar
que os acidentes de trânsito têm múltiplas
causas, em sua maioria evitáveis, e o motorista que
conduz sob a influência do álcool é universalmente
reconhecido como causa preponderante ("Faltou sobriedade",
Holofote, 20 de junho). Fábio F. Racy Presidente da Abramet São Paulo, SP
Lya Luft
A escritora Lya
Luft identificou com muita sapiência um fenômeno
constante nos dias de hoje: a profissão barriga (Ponto
de vista, 20 de junho). Mulheres aproveitam-se da ingenuidade
masculina para "prender" o homem, transformando crianças
em simples instrumentos para fins pecuniários. Esse
fenômeno se torna ainda mais grave em virtude do apoio
dado pelo próprio Judiciário, que não
tem pudor algum em conceder vultosas pensões alimentícias
aos ex-amantes, pelo simples fato de terem engravidado. Daniel Navarro Recife, PE
Espero que o texto
rasgue o véu da ingenuidade, para não dizer
burrice, que cega os mais espertos varões. Para finalizar,
completo com uma frase que ouvi por aí: "Se eu fosse
homem, não daria nem bom-dia a uma mulher sem camisinha".
Ana Maria Alberton
Musial Curitiba, PR
Sou assinante de
VEJA há quase trinta anos e fã de Lya Luft como
articulista e escritora. Quero cumprimentá-la, pois,
mesmo sendo mulher, ela foi imparcial em suas observações.
Sou uma das vítimas desse mal, por ter tido um relacionamento
extraconjugal, e até hoje sinto as conseqüências
disso. No tempo do coronelismo, muitos traziam a criança
para criar no seio da família, assumindo a posição
de padrinho. Minha nota é 11 para você. Agnaldo Alves Salvador, BA
Nesse excelente
artigo, Lya Luft pegou pesado, mas com muita lucidez, pertinência
e seriedade. Há um posicionamento de certas mulheres
que contribui para sua exposição a esse tipo
de coisa, em que, a troco de pretensos benefícios,
colocam no mundo seres indefesos. Cidinha Gattaz São José do Rio
Preto, SP
Meu Deus! Que horror!
Lya Luft, mulher e intelectual de primeira grandeza, em pleno
século XXI, é autora de artigo eivado de machismo
e preconceito. Que absurdo! Sou mãe, não de
mulheres, mas de três filhos homens adultos e, desde
a adolescência, sempre disse a eles: "A gravidez ou
a não-gravidez não é responsabilidade
só da mulher"; "Cuidem de seus espermatozóides";
"Quem pretende usar pode acabar sendo usado". Suely Santoni São Paulo, SP
Medicina
Sobre a reportagem
"Câncer A esperança das terapias-alvo"
(20 de junho), gostaria de salientar que todas as drogas citadas
já se encontram entre nós e, no caso de Mabthera,
Glivec e Herceptina, entraram na nossa rotina há algum
tempo. Cada vez mais passamos a utilizar o Avastin e o Tarceva.
Pensamos que também seja importante salientar que os
custos desses medicamentos trazem dificuldade e limitação
ao seu uso, causando crescentes problemas aos oncologistas
e muita ansiedade aos pacientes e a sua família. Muitas
fontes pagadoras ou não concordam com seu uso ou criam
dificuldades extremas a sua liberação, quando
não ameaçam os profissionais que os utilizam
de descredenciamento devido aos custos crescentes dos seus
serviços. Esse assunto tem levado a um desgaste crescente,
envolvendo médicos, pacientes, familiares e fontes
pagadoras, e nós, especialistas, muitas vezes ficamos
em difícil situação, pois recebemos as
óbvias pressões dos pacientes de um lado e as
dos convênios na direção contrária.
Juvenal Antunes Oliveira
Filho Médico oncologista
Oncocamp Campinas, SP
A Constituição
brasileira diz que a saúde é um direito do cidadão
e um dever do estado. No Brasil, para exercer esse direito,
somos obrigados a recorrer ao Judiciário. Há
dois anos, tive um diagnóstico de câncer de reto
com metástase no peritônio, no fígado
e nos pulmões. Em fase final do tratamento quimioterápico,
tenho hoje a doença sob controle e com possibilidade
de cura: o anticorpo monoclonal Erbitux, que obtive por uma
liminar contra a Secretaria de Estado da Saúde de São
Paulo, reverteu uma expectativa de sobrevida de apenas 5%
após cinco anos. Esses novos medicamentos salvam vidas
em vários países do mundo e representam a vanguarda
no tratamento de diversas doenças. No meu caso, a secretaria
recorreu para suspender o fornecimento do remédio.
Sócrates Ribeiro
Filho Santos, SP
Excelente a entrevista
com o doutor Mario Eisenberger, pois esclarece um dos grandes
mitos da medicina: o de que o PSA elevado é capaz,
por si só, de fazer o diagnóstico de câncer
de próstata bem como de excluir sua existência
se estiver normal. De quebra, ainda lembra que uma pessoa
com câncer não está condenada a morrer
por causa dele, usando também como exemplo o câncer
de próstata. Vale lembrar, entretanto, que muitos outros
mitos persistem na nossa profissão. Como exemplo, a
idéia de que os exames radiológicos sozinhos
fazem o diagnóstico de câncer. Eles detectam
uma lesão. Dizer do que se trata essa lesão
ainda é função do médico patologista.
Doutor Marcus de Medeiros Matsushita Professor-doutor das disciplinas
de anatomia patologia e
patologia geral Universidade
de Marília (Unimar) Marília, SP
A reportagem "Além
do HIV,..." (13 de junho) foi muito oportuna. Porém,
além do aumento das taxas de gorduras no sangue e dos
espessamentos arteriais, o maior motivo de alerta vem de estudos
com desfechos clínicos. Em um deles, conduzido pela
Universidade de Harvard, encontrou-se que as pessoas infectadas
pelo vírus HIV têm, de fato, risco aumentado
de ataque cardíaco. O que mais chamou atenção,
e isso é motivo para alertar cada vez mais as mulheres,
é que nelas o aumento constatado foi da ordem de 300%,
enquanto nos homens teria aumentado "apenas" 40%. As causas
do aumento de risco ainda são especulativas. Possivelmente
é o estado inflamatório crônico que eleva
o risco de inflamação nas artérias coronárias.
Também há suspeitas de que a medicação
(coquetel) possa ter papel relevante nesse aumento de risco,
juntamente com a alta prevalência do tabagismo. As pessoas
infectadas não devem temer a medicação
antiviral, a qual permite uma longa sobrevida. No entanto,
devem intensificar todas as medidas preventivas cardiológicas
largamente preconizadas, eliminando ou corrigindo os fatores
de risco coronariano e realizando revisões cardiológicas
periódicas, principalmente as mulheres. A personagem
apresentada na reportagem está de parabéns,
pois, além de ter tido a coragem necessária
para relatar o seu problema, é um excelente exemplo
a ser seguido por todas as mulheres afetadas. Aloir Queiroz de Araujo Presidente da Sociedade Brasileira
de Cardiologia do Espírito Santo Vitória, ES
Norman Lebrecht
A exemplo do famoso
crítico musical Norman Lebrecht (Amarelas, 20 de junho),
sempre acreditei que a música erudita tem o poder de
trazer a energia e a vibração de um grande concerto
de rock. Acredito ter passado isso para minhas duas filhas
adolescentes, já que, como ocorre com o pai, A Tempestade,
de Tchaikovsky, freqüenta o CD-player delas com a mesma
assiduidade de Black Dog, do Led Zeppelin, e Call
Me When You're Sober, do Evanescence. E no mesmo
nível de volume. Parabéns a VEJA pela diversidade
de assuntos abordados nas Páginas Amarelas. Humberto Carlos Olguin
Beltran Nova Alvorada do Sul, MS
Aprecio músicas
clássicas, especialmente as de Mozart, que são
divinamente alegres. Nunca tinha ouvido falar do senhor Lebrecht.
Agora não o esquecerei. Creio ser essa a sua verdadeira
intenção, após a crítica contundente
ao maior gênio da música clássica.
José Wanderlei Dalmolin Caxias do Sul, RS
A entrevista com
o crítico Norman Lebrecht marca, pelo menos, um ponto
positivo: fala de música erudita, cada vez se distanciando,
mais e mais, dos povos do mundo por causa das novidades que
vão aparecendo para a juventude, para uma crescente
maioria. Mas discordo dele. Personalidade temida, certamente
gosta de ser diferente e de afastar-se de grandes momentos
da arte da música e do seu apogeu nos séculos
XVIII e XIX. Fala apenas de Bach, Haydn, Mendelssohn, Schumann,
Liszt, Vivaldi e Wagner, sem dúvida notáveis
compositores. Mas ignora Beethoven um dos mais grandiosos
e despreza Mozart. Ignora a arte lírica italiana,
pois só fala de O Anel dos Nibelungos. Ruy Pereira da
Silva Brasília, DF
Reconheço
algum valor em Lebrecht como discófilo, nada além
disso. São inaceitáveis seus conceitos sobre
a obra de Mozart. Seus argumentos beiram a falta de respeito
à inteligência do leitor. Lebrecht demonstra
nada conhecer da dinâmica da economia de mercado: se
há muitos concertos e gravações repetindo
à exaustão as obras de Mozart, é porque
há os que estão dispostos a pagar por isso.
Descartes de Souza
Teixeira São Paulo, SP
Além de
criticar, injustamente, o gênio Mozart, exaltando Haydn,
ele quase não fala nada sobre o maior de todos os músicos
da história, Johann Sebastian Bach. Desclassificar
Mozart como um simples produto McDonald's é pura falta
de sensibilidade e compreensão musical. O próprio
Haydn reconheceu o gênio e aproveitou-se dele como no
caso dos quartetos: Mozart aprendeu de Haydn e Haydn reaprendeu
com Mozart. A crítica feita a Herbert von Karajan é
igualmente inoportuna; o grande maestro é quase inigualável.
Isso não diminui valores como Daniel Barenboim, Zubin
Mehta e outros. Heinrich Wilhelm Borgert São Paulo, SP
A entrevista "Clássicos
na UTI", do crítico inglês Norman Lebrecht, demonstra
apenas quanto ele não gosta de Mozart e prefere o grande
Haydn. Augusto Sampaio Salvador, BA
Perdoe-me o ilustre
crítico com o seu vaticínio (fim do CD), mas
a internet é apenas mais um meio de comunicação
e não vai substituir os outros. Aliás, não
sou assinante de VEJA, mas toda semana adquiro nas bancas
um exemplar porque prefiro folhear e ler a revista comodamente
a acessá-la na internet. Atapoã da Costa
Feliz Compositor Campo Grande, MS
Televisão
Sobre a novela
Paraíso Tropical, é verdade que o brasileiro
realmente mudou seus valores morais, como tudo, mas isso não
significa necessariamente que aprove o mal ("Meu bem, meu
mal", 20 de junho). O problema é que os autores de
novela continuam fazendo mocinhos ordinariamente chatos, por
ser politicamente corretos demais e incrivelmente inocentes
e assexuados, como se vivessem ainda num conto de fadas que
não convence mais ninguém. Enquanto isso, os
vilões são mais humanos, vivos, sexuais, têm
bom humor, além de virtudes implícitas, como
a persistência, a coragem, o foco em objetivos bem traçados
e a vontade de crescer. Enfim, o problema não está
nos vilões; são os mocinhos que se tornaram
chatos demais. Carlos Rogério
Casagrande São Paulo, SP
Mesmo ultrapassados
para esse padrão imoral e sem cultura atual, os programas
dominicais de Silvio Santos ainda podem reunir (sem medo)
a família em frente à TV nas tardes de domingo,
e mesmo um jogo de perguntas e respostas pode singelamente
ativar a memória e levar curiosidades à população.
Se ele se uniu a outra emissora, claro que existiram interesses
de ambas as partes. O importante a ressaltar é a reação
a essa ação. A revista enfocou a suposta união
das emissoras em busca de audiência. Mesmo que tal ocorra,
todos ganham com isso, mas a solidariedade dos artistas falará
mais alto de agora em diante. Muriel Costa de Moura Tupaciguara, MG
Janeth Arcain
Parabéns
à superatleta Janeth (Auto-retrato, 20 de junho) pelo
seu discernimento, especialmente no tocante às cotas
para negros nas universidades. "Podem até gerar mais
racismo." Com certeza. Mostrou bom senso, julgando pela razão,
e não pela paixão. José Amadeu Catalão, GO
CORREÇÕES:
na reportagem "O 'Bolsa Terrorismo'" (20 de junho),
por uma alteração indevida que desconsiderou
o conteúdo da reportagem, a legenda da foto que mostra
o então capitão Lamarca dando treinamento de
tiro a bancários de São Paulo informou erradamente
que se tratava do militar num momento posterior à sua
deserção do Exército. O
salário inicial de um procurador do estado de São
Paulo é de 6.500 reais, e não de 10.900
reais, como informado na reportagem "Cinco milhões
querem o governo como patrão" (20 de junho); na mesma
reportagem, o entrevistado Renato Travassos, analista do Banco
Central, foi citado erroneamente como analista do BNDES.
Nota
No quadro "O
Mino do bem", publicado na página 37 desta edição,
há um erro grave. O texto "Como se conjuga um empresário",
citado na reportagem "Ensino que é bom" (13 de junho),
não foi publicado em apostilas do sistema COC de ensino.
O texto foi incluído pelo Colégio Pentágono,
de São Paulo, em suas próprias apostilas. Pedimos
desculpas aos diretores, professores e alunos do sistema COC.
MÚSICA
ERUDITA EM MP3
José
Luiz Medeiros Monclair, de Curitiba, escreveu para comentar
a entrevista com o crítico de música erudita
Norman Lebrecht (Amarelas, 20 de junho): "Fiquei empolgado
com o que li, mas discordo dele quando diz que os CDs
vão acabar. Não vão". Monclair
acredita que a indústria está em uma fase
de transição com a mudança dos
registros de sons analógicos para os digitais,
principalmente para o formato MP3. Monclair tem uma
gravadora independente em Curitiba, a Worldlink. Ali
ele produz CDs em MP3 nos quais consegue gravar até
doze horas de música erudita. Monclair utiliza
a compressão de 128 kbps, que, em MP3, segundo
ele, permite gravar sons com "pureza cristalina". É
verdade. Para muitos ouvintes é quase impossível
distinguir sons registrados analogicamente de suas cópias
digitalizadas. Os puristas da música erudita
e do jazz, porém, ainda não se conformam
com as perdas de certas tonalidades em gravações
MP3 não só nas de 128 kbps, mas
até naquelas ainda mais fiéis, de 320
kbps. Mesmo codificações mais modernas
como AAC implicam perda de qualidade. Como meio de popularização
da música erudita, porém, CDs de MP3 com
horas de gravação são uma boa aposta.
O MINO DO BEM
Hermínio
Macêdo Castelo Branco, o cartunista Mino, escreve
para a redação para dizer que não
tem nada a ver com o texto "Como se conjuga um empresário"
publicado na reportagem "Ensino que é bom..."
(13 de junho), atribuído em apostilas do sistema
COC de ensino a um homônimo seu. "Sou ligado à
Unesco, estou engajado na luta pela educação
brasileira, ilustrei diversas cartilhas importantes
e sou apoiado justamente pelos empresários cearenses,
sendo amigo da maior parte deles de longa data. Não
sou autor do tal texto. Não seria capaz de escrever
nem assinar tamanha burrice", diz Mino, que edita em
Fortaleza a Rivista, uma publicação
de humor, diversão e educação (veja
a foto).