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27 de maio de 2009
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Internacional
JOANA D'ARC DE MIANMAR

Com uma acusação ridícula, junta militar quer manter
a prisão de Aung San Suu Kyi, Nobel da Paz de 1991,
que já passou treze anos isolada do mundo


Duda Teixeira

Fotos Gamma/Other Images e Pornchai Kittwongsakul/AFP
MÁSCARAS E ARMAS DE BRINQUEDO Manifestação na Tailândia
pela libertação de Aung San Suu Kyi: a junta militar quer manter a líder
da oposição confinada pelo menos até as eleições do próximo ano

A junta militar que governa Mianmar tem muitos inimigos – mas quem os generais mais temem é Aung San Suu Kyi, uma senhora de saúde delicada, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991. Como o sul-africano Nelson Mandela, também Nobel da Paz, ela é um símbolo internacional de resistência pacífica e heroica diante da opressão. De seus 63 anos, treze foram passados em diferentes formas de detenção, incluindo um micro-ônibus, do qual não podia sair sequer para ir ao banheiro. Na semana passada, Aung San Suu Kyi apareceu diante de um tribunal a portas fechadas – "altiva, firme e enérgica", segundo uma testemunha – para responder por uma acusação risível, não fosse a condenação quase certa. É acusada de desrespeitar os termos de sua prisão domiciliar por ter recebido a visita de um americano que atravessou a nado um lago e entrou em sua casa sem ser convidado. O americano, que também está sendo processado, diz ter sonhado que Aung San Suu Kyi seria assassinada e decidiu impedir o crime.

Era o pretexto de que os militares precisavam para mantê-la incomunicável pelo menos até as eleições marcadas para o próximo ano. De outra forma, ela seria libertada nesta semana, quando termina sua pena de prisão domiciliar. O temor à líder da oposição é compreensível, apesar de mudanças na Constituição garantirem que, não importa quem vença nas urnas, o poder real continuará nas mãos dos generais. Na última vez em que foi libertada, em 2002, Aung San Suu Kyi reuniu multidões e foi aclamada como a salvação nacional. "Ela é a única liderança com carisma para unir todos os grupos étnicos do país", disse a VEJA Bo Kyi, oposicionista exilado na Tailândia e secretário de uma organização de auxílio aos perseguidos políticos em Mianmar.

Na última eleição realizada no país, em 1990, o partido de Aung San Suu Kyi, a Liga Nacional pela Democracia, venceu com cerca de 80%, mas a junta militar se recusou a entregar o poder. Desde então, seu partido dividiu-se em facções. Já as Forças Armadas, que consomem 40% do orçamento nacional, dobraram de tamanho. O momento é tenso. Dois anos atrás, depois de um inesperado aumento nos preços dos combustíveis, os monges budistas lideraram dias de manifestações pela democracia, brutalmente reprimidas pela soldadesca. O julgamento levou os Estados Unidos e a Europa a prolongar as sanções econômicas contra o país. Em Mianmar, a esperança chama-se Aung San Suu Kyi.



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