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Isso é coisa
de homem
Surgem
as primeiras clínicas de
beleza onde mulher não entra
Bel Moherdaui
Rogério Voltan

José
Luiz no Garagem: tratamento completo |
Liberados para cortar o cabelo em salão de beleza, aplicar Botox
e fazer lipoaspiração, só faltava aos homens, esses
seres vaidosíssimos, um lugar exclusivo mas muito macho
onde pudessem passar horas cuidando da aparência. A lacuna
começa a ser preenchida. Clínicas de estética onde
mulher não entra estão pipocando nas metrópoles globalizadas,
inclusive São Paulo, onde um instituto do gênero, com o masculiníssimo
nome de Garagem, foi inaugurado no fim do ano passado. No Garagem, o barbudo
que gosta de se cuidar dispõe de salas para massagem, tratamento
de calvície e de pele, salão de cabeleireiro com manicure
e podóloga, além de um consultório com médico
para intervenções como preenchimento de rugas, aplicação
de Botox e depilação a laser. Um bar (com uísque,
cerveja e afins) e charutaria faz as vezes de sala de espera. Tudo no
maior respeito, de forma a preservar o delicado senso de dignidade da
clientela. "Nós nos preocupamos em criar um ambiente bem masculino,
para quebrar o preconceito que ainda existe entre os homens", diz Celso
Forster, um dos sócios.
A idéia
surgiu no exterior e a maior rede até agora (isso mesmo, já
existe rede) é a francesa Nickel, que tem entre seus clientes gente
como os estilistas Jean-Paul Gaultier e Issey Miyake e o ator John Malkovich.
Há cinco anos foi inaugurada a primeira de suas duas clínicas
em Paris. Em novembro passado, instalou-se no Village, em Nova York, a
primeira filial americana um ambiente "cheio de estilo, bem masculino,
forte e moderno", nas palavras do fundador da Nickel, Philippe Dumont.
São 420 metros quadrados divididos em dois andares. No térreo
fica a única área em que é permitida a entrada das
mulheres: uma loja de produtos de beleza, com um creme especial para amenizar
os efeitos da ressaca na pele. No outro andar, o cliente primeiro passa
por uma sala chamada "câmara de descompressão", toda de vidro
azul, com luz também azul, para entrar no clima de relaxamento.
A clientela, de 25 a 40 anos, inclui publicitários, executivos
do mercado financeiro e até bombeiros, os novos e másculos
heróis americanos. A clínica vive lotada horário
no fim de semana só agendando com quinze dias de antecedência.
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| Nickel,
em Nova York: spa e loja em ambiente "discreto e masculino" |
A Garagem
paulistana, por enquanto, é mais modesta. Criação
de uma dona de salão, um cabeleireiro e um cliente publicitário,
funciona em um sobrado e não tem problema de horário, embora
atenda cerca de trinta marmanjos nas quintas, sextas e sábados,
os dias de maior movimento. Um corte de cabelo custa 40 reais (com reflexo,
para clarear ou disfarçar os cabelos grisalhos, mais 70 reais),
mão, 16 reais, pé, 35 reais. A depilação "para
atletas", como destaca a tabela, vai de 25 a 45 reais, dependendo da área
a ser depenada. O mais caro é uma aplicação de Botox:
1.150 reais. Na semana passada, o veterinário
paulistano José Luiz Corrêa Aranha, 26 anos, na sua visita
mensal à clínica, cortou o cabelo, fez a barba, as unhas
das mãos e os pés (estes, pela primeira vez). Gostou. "Acho
que, por ser um lugar só para homens, dá para ficar mais
à vontade", relaxou.
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