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Outra vitória
da França
Campeões
do mundo se tornam os
craques mais valorizados do futebol.
Lembra-se a quem pertencia esse posto?
Amauri Segalla
Fotos Ricardo Correa
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| O
armador Zidane: o maior ídolo da França é o jogador mais caro da história
do futebol |
O
craque Rivaldo: um dos poucos que ainda mantêm o prestígio em alta
na Europa |
Depois de
vencer a Copa de 98 e roubar do Brasil a liderança do ranking de
seleções da Fifa, a França conseguiu uma nova vitória.
Agora, os jogadores do país tornaram-se a principal atração
do mercado de futebol europeu. Os franceses são os estrangeiros
em maior número no milionário campeonato inglês, estão
se multiplicando nos grandes clubes italianos e possuem hoje o atleta
mais caro do mundo. Ele é o meio-campista Zinedine Zidane, que
trocou no ano passado a Juventus, da Itália, pelo Real Madrid,
da Espanha, por 160 milhões de reais. Até pouco tempo atrás,
eram os craques brasileiros que se revezavam no topo da lista das dez
maiores transações da história do futebol. Nos anos
90, Ronaldinho, Rivaldo e Denilson chegaram a encabeçar a relação.
No quadro atual, figuram dois franceses, dois portugueses, dois argentinos,
dois italianos, um espanhol e até um checo. E nenhum brasileiro.
Uma das
principais explicações para esse fenômeno é
o comportamento dos atletas nacionais que atuam no exterior. No Carnaval,
os jornais italianos usaram as fotos de Ronaldinho num disputado camarote
do Sambódromo carioca para criticar duramente o craque. A cena
irritou até dirigentes de seu clube, a Internazionale, de Milão,
que o haviam liberado para ficar um período no Brasil recuperando-se
de uma contusão. Ronaldinho tentou se explicar, mas ninguém
acreditou. Ainda está fresca na memória dos italianos a
atitude do atacante Edmundo, que deixou seu time, a Fiorentina, às
vésperas de uma partida importante, para desfilar no Rio de Janeiro.
O mais recente vexame ocorreu há duas semanas. O atacante brasileiro
Catanha, do Celta, da Espanha, foi notícia na Europa por ter cuspido
num adversário durante uma partida. "Casos como esses prejudicam
novas negociações e ajudam a construir um estereótipo
negativo do atleta brasileiro", afirma Reinaldo Pitta, procurador, entre
outros, de Ronaldinho.
O bom desempenho
no exterior de jogadores como Rivaldo, ídolo no Barcelona, é
cada vez mais raro. Nos últimos anos, boa parte dos craques brasileiros
ficou mais conhecida lá fora pelas trapalhadas do que por fazer
gols ou as tão esperadas jogadas antológicas. Temperamentais,
eles perdem as estribeiras quando vão parar no banco de reservas.
Poucos se preocupam em aprender o idioma do país onde estão
atuando. Por causa disso, não entendem com clareza as instruções
dos técnicos e são incapazes de se relacionar com os companheiros
de clube. Para amenizar o isolamento, "importam" do Brasil uma legião
de amigos e agregados. Com tantos problemas, tornaram-se um investimento
de alto risco e começaram a perder espaço para jogadores
de outros países. Os franceses custam mais caro que os brasileiros,
mas não arrumam confusão e raramente têm problemas
de adaptação. Fazem sucesso até na Inglaterra, país
com uma secular rivalidade com a França.
Do ponto
de vista quantitativo, a exportação de jogadores brasileiros
nunca esteve tão bem. Segundo levantamento recente da Confederação
Brasileira de Futebol, o país bateu no ano passado o recorde de
transferências de atletas para o exterior. No total, 726 deixaram
o Brasil nesse período. Boa parte deles, no entanto, foi contratada
por mercados sem expressão. O país que recebeu mais brasileiros
foi Portugal, que tem um dos campeonatos mais fracos da Europa. Depois
aparece o Japão, sem nenhuma tradição no futebol.
Para o Haiti se transferiram treze jogadores, pouco menos do que para
a França. Outro bom exemplo é a própria seleção.
Do time de Luiz Felipe Scolari que disputou as eliminatórias para
a Copa, apenas metade atua no exterior, o menor índice desde 1986.
A comparação com os franceses é reveladora. Dez titulares
da seleção daquele país jogam em grandes clubes da
Inglaterra, da Alemanha, da Itália e da Espanha.
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