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A Gulfstream prepara o primeiro jatinho executivo a voar mais rápido que o som
O Concorde, o único avião comercial a voar acima da velocidade do som, faz a rota ParisNova York em três horas e meia, metade do tempo gasto pelos jatos convencionais. Apesar dessa vantagem, a operação não é um bom negócio. É uma aeronave cara, que leva relativamen-te poucos passageiros (apenas 100, enquanto um Boeing 747 transporta 416). Para complicar, está restrita às viagens transatlânticas, por causa do barulho excessivo. Nos últimos anos, o governo dos Estados Unidos tem financiado o desenvolvimento de supersônicos mais silenciosos. A construção do primeiro deles, previsto para estar pronto em 2006, foi anunciada neste mês pela Gulfstream, a maior fabricante mundial de jatinhos. A principal novidade dessa aeronave, que se chamará Gulfstream QSJ, não está somente no motor, mas também no conceito. Em lugar de um grande avião comercial do tipo Concorde, a Gulfstream acredita que o futuro dos supersônicos são os aparelhos executivos.
O QSJ deve custar 80 milhões de dólares, quase o dobro do cobrado hoje pelo aparelho mais sofisticado da empresa. Não é um preço excessivo para grandes corporações com negócios globais, cujos executivos precisam viajar com autonomia e rapidez. Voando a mais de 1.700 quilômetros por hora é possível levar uma equipe de Nova York a Moscou e voltar a tempo do jantar. O desafio tecnológico é considerável. Quando os aviões estão em vôo, o ar desliza como se fosse a água passando por uma pedra num rio. Nos supersônicos, a fluidez é menor, causando ruído demasiado. Sem falar na explosão quando rompe a barreira do som. A Gulfstream pretende diminuir o barulho mudando o formato e o tamanho das aeronaves. Em tese, aviões longos, afilados e leves seriam mais silenciosos. O Gulfstream QSJ provavelmente terá 43 metros 19 a menos que o Concorde e capacidade para transportar entre oito e catorze passageiros.