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DISCOS
Milagreiro, Djavan (Sony Music) Dois anos depois do enorme sucesso de seu álbum ao vivo, que vendeu quase 2 milhões de unidades, o cantor e compositor alagoano volta a apresentar material inédito em um disco que se poderia chamar de "caseiro". Milagreiro foi composto e gravado no estúdio particular de Djavan. Contou, além disso, com a participação dos filhos do artista. Max e João Viana, respectivamente guitarrista e baterista, fizeram parte da banda de apoio, enquanto Flávia Virgínia contribuiu com a letra de Infinitude. Além dos filhos, o músico convidou amigos para colaborar. A roqueira Cássia Eller faz dueto com ele na faixa-título, que tem influência da música flamenca, e Lulu Santos é co-autor de Sílaba. O trabalho nesse ambiente familiar parece ter feito bem a Djavan. Milagreiro traz faixas em diversos gêneros, do forró pé-de-serra (Farinha) à bossa nova (Meu). E, como sempre, há boas canções para embalar um namoro.
Yamandú, Yamandú Costa (Eldorado) Gaúcho da cidade de Passo Fundo, o jovem Yamandú Costa é um assombro. Quando tinha apenas 16 anos, em 1996, ele chamou a atenção de Baden Powell, que elogiou sua técnica e estilo. Neste ano, o rapaz se consagrou ao vencer o Prêmio Visa de música instrumental. Esse disco de estréia mostra a um público mais amplo o seu virtuosismo. Yamandú diz a que veio já na faixa de abertura: impõe-se ao desconstruir Brejeira, composta por Ernesto Nazareth nos anos 20. Outro clássico do violão belamente reinterpretado por ele é Tristeza do Jeca, de Angelino de Oliveira. Das treze faixas do CD, sete são de composição do próprio músico, que se revela bastante influenciado pela música sulista. Sem medo de errar, pode-se dizer que Yamandú é um dos melhores CDs de música instrumental lançados em 2001.
CINEMA
Promessas de um Novo Mundo (Promises, Estados Unidos/Israel, 2001. Desde sexta-feira em cartaz no Rio) Nesse documentário excepcional, os ressentimentos provocados pelos conflitos no Oriente Médio são explorados a fundo. O diretor B.Z. Goldberg, radicado nos Estados Unidos, voltou a Jerusalém, onde foi criado, para acompanhar o cotidiano de sete crianças israelenses e palestinas e, se possível, persuadi-las a encontrar-se por um dia. O cenário que emerge desse trabalho é entristecedor. Algumas das crianças não querem nem saber de ver o inimigo de perto. Outras topam o encontro e se encantam com os novos e inesperados amigos. Logo, porém, percebem que a convivência não avançará além desse único dia. Goldberg é um documentarista equânime, mas não mascara o fato de que os palestinos são realmente o lado mais fraco.
Sob a Areia (Sous le Sable, França, 2000. Desde sexta-feira em São Paulo) Num dia de verão, Marie (a inglesa Charlotte Rampling, estupenda) adormece na praia. Ao despertar, percebe que seu marido sumiu, mas não tem idéia se ele se afogou ou fugiu. Passado o choque inicial, Marie age como se ele ainda estivesse a seu lado, cumprindo todos aqueles pequenos rituais diários dos casais de longa data. A partir desse enredo, o diretor francês François Ozon faz aflorar um estudo cortante sobre a intimidade. Fala de como ela pode ser uma muleta poderosa, a ponto de prescindir de uma presença física para continuar existindo. Ao mesmo tempo, mostra como esse conhecimento cristalizado do parceiro pode ser usado como escudo contra qualquer dado inesperado e indesejável sobre a pessoa com quem se convive. Um filme difícil, mas compensador.
DVD Elevation Tour 2001: Live from Boston, U2 (Universal) Liderado pelo carismático vocalista Bono Vox, o quarteto irlandês U2 produziu espetáculos monumentais nos anos 90. Viajou pelo mundo (inclusive pelo Brasil) carregando toneladas de equipamento sonoro, telões e material para efeitos especiais de encher os olhos. Elevation Tour, a mais recente excursão da banda, foi um retorno à "simplicidade". Em vez de tocar em estádios, eles preferiram espaços menores. Os cenários suntuosos foram deixados de lado e os holofotes recaíram apenas sobre os quatro músicos, que mantiveram as platéias empolgadas com faixas de seu último CD, All That You Can't Leave Behind, e com sucessos do passado, como Sunday Bloody Sunday. O DVD duplo traz um recurso curioso: o espectador pode escolher se assiste ao show da platéia ou da cadeira do engenheiro de som. A Um Passo da Eternidade (From Here to Eternity, Estados Unidos, 1953. Columbia) Esse drama ficou célebre à época de seu lançamento, sobretudo por causa da cena do beijo tórrido entre Burt Lancaster e Deborah Kerr ele, um sargento duro, mas que se irmana com seus soldados; ela, a mulher adúltera e frustrada de um alto oficial. Esse tipo de romance já não causa escândalo, mas isso não diminui o valor desse clássico. Dirigido com um misto de paixão e discrição por Fred Zinnemann (que no ano anterior fizera o magnífico Matar ou Morrer), o filme retrata os conflitos entre os oficiais e a soldadesca na base americana de Pearl Harbor, nas semanas que antecedem ao ataque-surpresa japonês, em 1941. O roteiro e a direção são de primeira linha e o elenco que inclui Montgomery Clift e Frank Sinatra está impecável. Ainda assim, o que sobressai é mesmo a química entre Burt e Deborah, até hoje capaz de causar palpitação.
TELEVISÃO Marlene Dietrich: Sua Própria Canção (Quinta-feira, dia 27, às 22h30, no GNT) No dia em que Marlene Dietrich completaria 100 anos, estreará na TV paga o documentário inédito dirigido por J. David Riva, neto da atriz alemã. Trata-se de um ótimo perfil de um dos maiores ícones do cinema. Marlene interpretou personagens clássicas como a dançarina Lola, de O Anjo Azul. Sua vida é resgatada com base em imagens de shows e filmes, bastidores de filmagens, cenas da intimidade, depoimentos de familiares e entrevistas da atriz, morta em 1992. O documentário explora um aspecto da trajetória da atriz: seu auge coincidiu com a ascensão do nazismo. Marlene, que já era uma estrela de Hollywood às vésperas da II Guerra, enfrentou o assédio de Hitler para voltar a filmar na Alemanha. Os Grandes Escritores: J.R.R. Tolkien (Sábado, dia 29, às 19h, no Film & Arts) O programa é uma chance de conhecer a biografia do criador da série de romances O Senhor dos Anéis. Narrado pela atriz Judi Dench, contém depoimentos dos filhos do escritor inglês e raras imagens do próprio. Feito com a colaboração de uma sociedade de estudiosos de sua obra, o documentário traz à tona a infância de Tolkien no interior da Inglaterra, sua carreira acadêmica como especialista em línguas arcaicas e a velhice, quando gastava boa parte do tempo esclarecendo questões sobre seus livros a uma legião de fãs. Entre várias curiosidades, o documentário mostra como certas situações da vida do autor, que morreu em 1973, acabaram por se refletir em suas histórias, ambientadas numa terra fictícia povoada de criaturas esquisitas.
LIVROS
Poesia Completa, de Cecília Meireles (Nova Fronteira; 1.993 páginas; 177 reais) Com seus versos de inclinação simbolista, Cecília Meireles (1901-1964) ficou à margem do modernismo brasileiro no que ele tinha de mais combativo, e chegou a ser tachada de conservadora. Décadas de patrulha, contudo, não impediram que ela se tornasse uma das mais queridas e populares poetas do país, graças a livros como Romanceiro da Inconfidência. Esse belo lançamento em dois volumes, tributo ao centenário de nascimento da autora, é importante por vários motivos. Antes de mais nada, por recuperar o livro de estréia de Cecília, Espectros, que estava fora de circulação havia mais de oitenta anos. Outros méritos estão na ordenação cronológica de sua extensa obra que ainda tinha muitos textos de datação complicada e no cuidadoso trabalho de revisão a que cada poema foi submetido. Isso permitiu eliminar erros que se repetiam de edição em edição.
Walden e A Desobediência Civil, de Henry D. Thoreau (tradução de Astrid Cabral; Aquariana; 349 páginas; 29 reais) Figuras tão díspares quanto o russo Leon Tolstoi e o indiano Mahatma Gandhi confessaram-se inspiradas pelas idéias do americano Thoreau (1817-1862). Ele serviu de guru para os hippies e de ícone para os ambientalistas. Inconformismo, elogio à diferença e união com a natureza estão no centro de sua filosofia. Dois anos às margens de um lago, numa cabana que ele construiu sozinho, serviram de base para a redação de Walden, um clássico da prosa americana. Já o ensaio A Desobediência Civil defende o direito do indivíduo de resistir às imposições do Estado. Recentemente, o estilo vigoroso de Thoreau passou a chamar tanta atenção da crítica quanto suas idéias. A tradução de Astrid Cabral, feita na década de 80, faz justiça a ele. Estava esgotada desde 1987 e passou por revisão completa para o relançamento.
La
Cucina, de Marcella Hazan (tradução de Helena Londres;
Companhia das Letras; 598 páginas; 49 reais) Italiana (da
região de Bolonha) que residiu por vários anos nos Estados
Unidos, Marcella Hazan é uma renomada especialista na culinária
de seu país. Seus cursos em Nova York sempre foram concorridos e
freqüentados por celebridades. Nesse livro, Marcella, que hoje é
quase octogenária e vive em Veneza, apresenta receitas de várias
regiões da Itália e algumas criações próprias.
Ao mesmo tempo em que ensina com clareza a preparar as comidas, ela oferece
informações curiosas sobre sua origem. Os pratos, organizados
em capítulos que seguem a ordem de uma refeição, são
invariavelmente apetitosos. A edição brasileira tem alguns
problemas de revisão, mas nada que comprometa as receitas.
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