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Edição 1 732 - 26 de dezembro de 2001
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Presente de Natal

FHC anuncia redução do preço
da gasolina para evitar farra
de lucros no ano que vem

 
Ricardo Fasanello/Strana

Nos postos, redução será de 20%

Na semana passada, o presidente Fernando Henrique Cardoso fez aquilo que todo governante adora fazer: dar entrevista coletiva para anunciar uma boa notícia. Na quinta-feira, ele desceu à sala de imprensa do Palácio do Planalto, prestou a solidariedade de praxe com a convulsionada Argentina e chegou ao principal: informou que, a partir de 2 de janeiro, o preço do litro da gasolina sofrerá redução de 20% na bomba. "Uma boa notícia pre-natalina", afirmou o presidente, ciente do impacto positivo que a medida deve gerar tanto na esfera econômica, reduzindo a taxa de inflação, quanto na própria popularidade. Não é a primeira vez que o preço do combustível é reduzido. Isso já aconteceu em outras ocasiões, mas jamais o porcentual foi tão elevado. Quem está habituado a gastar 80 reais para encher o tanque a partir de 2002 desembolsará apenas 64 reais. Na mesma entrevista, FHC anunciou uma redução de 6% no preço do litro de óleo diesel.

A boa notícia decorre de uma combinação. O preço internacional do barril de petróleo, que chegou a passar dos 30 dólares, hoje está cotado em torno de 20 dólares. O outro fator é que o governo criou uma taxa para incidir sobre os combustíveis, uma tal de contribuição de intervenção de domínio econômico (Cide). Esse novo imposto é menor que o anterior e entra em vigor em janeiro. Juntando-se a mudança lá fora com a daqui de dentro, a redução no preço tornou-se viável. A mesma lei que criou a Cide também reduziu o subsídio do gás, que terá um aumento de 12% a partir do ano que vem. Mas mesmo essa notícia ruim veio amaciada: o subsídio continuará para os 9 milhões de famílias de baixa renda cadastrados em programas sociais do governo. Ou seja: para eles, não haverá esse aumento.

Há, entretanto, uma terceira razão para o presente de Natal. O governo decidiu que, a partir de 2002, os preços da gasolina e do diesel serão inteiramente liberados. Cada posto de abastecimento poderá cobrar quanto achar justo. Com a redução anunciada agora, o governo quer forçar as distribuidoras a dividir com os consumidores a queda do preço provocada pela nova taxa. A idéia é usar a BR Distribuidora para regular o mercado, tendo como ponto de partida o preço reduzido. A rede estatal, que tem 7.200 postos espalhados pelo país, comprometeu-se a abaixar o preço da gasolina em 20% e o do diesel em 6%. Com isso, o governo espera que os demais distribuidores sigam a mesma política e não promovam uma farra de lucros.

 

 
 

 

   
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