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Presente de Natal
FHC anuncia
redução do preço
da gasolina para evitar farra
de lucros no ano que vem
Ricardo Fasanello/Strana

Nos
postos, redução será de 20% |
Na semana
passada, o presidente Fernando Henrique Cardoso fez aquilo que todo governante
adora fazer: dar entrevista coletiva para anunciar uma boa notícia.
Na quinta-feira, ele desceu à sala de imprensa do Palácio
do Planalto, prestou a solidariedade de praxe com a convulsionada Argentina
e chegou ao principal: informou que, a partir de 2 de janeiro, o preço
do litro da gasolina sofrerá redução de 20% na bomba.
"Uma boa notícia pre-natalina", afirmou o presidente, ciente do
impacto positivo que a medida deve gerar tanto na esfera econômica,
reduzindo a taxa de inflação, quanto na própria popularidade.
Não é a primeira vez que o preço do combustível
é reduzido. Isso já aconteceu em outras ocasiões,
mas jamais o porcentual foi tão elevado. Quem está habituado
a gastar 80 reais para encher o tanque a partir de 2002 desembolsará
apenas 64 reais. Na mesma entrevista, FHC anunciou uma redução
de 6% no preço do litro de óleo diesel.
A boa notícia
decorre de uma combinação. O preço internacional
do barril de petróleo, que chegou a passar dos 30 dólares,
hoje está cotado em torno de 20 dólares. O outro fator é
que o governo criou uma taxa para incidir sobre os combustíveis,
uma tal de contribuição de intervenção de
domínio econômico (Cide). Esse novo imposto é menor
que o anterior e entra em vigor em janeiro. Juntando-se a mudança
lá fora com a daqui de dentro, a redução no preço
tornou-se viável. A mesma lei que criou a Cide também reduziu
o subsídio do gás, que terá um aumento de 12% a partir
do ano que vem. Mas mesmo essa notícia ruim veio amaciada: o subsídio
continuará para os 9 milhões de famílias de baixa
renda cadastrados em programas sociais do governo. Ou seja: para eles,
não haverá esse aumento.
Há,
entretanto, uma terceira razão para o presente de Natal. O governo
decidiu que, a partir de 2002, os preços da gasolina e do diesel
serão inteiramente liberados. Cada posto de abastecimento poderá
cobrar quanto achar justo. Com a redução anunciada agora,
o governo quer forçar as distribuidoras a dividir com os consumidores
a queda do preço provocada pela nova taxa. A idéia é
usar a BR Distribuidora para regular o mercado, tendo como ponto de partida
o preço reduzido. A rede estatal, que tem 7.200
postos espalhados pelo país, comprometeu-se a abaixar o preço
da gasolina em 20% e o do diesel em 6%. Com isso, o governo espera que
os demais distribuidores sigam a mesma política e não promovam
uma farra de lucros.
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