Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 732 - 26 de dezembro de 2001
A semana

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
A semana
 

O caos na Argentina
Censo: o Brasil está mais urbano e a população cresce menos
Sucessão: os tucanos começam a se acertar
O presidente FHC anuncia a gasolina mais barata

Seções
Especial

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Cartas
Radar
Veja essa
VEJA on-line
Gente 2001 (exclusivo on-line)
Datas

VEJA Recomenda

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Agora, é com Serra

Com o recuo de Tasso, o
ministro da Saúde é o único
tucano presidenciável no páreo

Em sua corrida para ser o próximo inquilino do Palácio do Planalto, o ministro da Saúde, José Serra, teve uma semana de triunfo. Na segunda-feira, seu mais forte adversário, o governador cearense, Tasso Jereissati, anunciou que estava suspendendo a tentativa de ser o candidato presidencial do PSDB. Dois dias depois, durante um jantar no Palácio da Alvorada, o governador de Mato Grosso, Dante de Oliveira, comunicou sua desistência. Antes, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, já desistira de postular a candidatura. Assim, pela primeira vez desde que começou a fulanização em torno da sucessão de 2002, Serra é o único nome tucano no páreo. Se não houver ventanias imprevisíveis, o calendário de Serra prevê o seguinte: por volta de 20 de janeiro, ele deixa o Ministério da Saúde. Em 24 de fevereiro, é aclamado candidato na pré-convenção do partido. E, em 6 de março, protagoniza o programa do PSDB em cadeia nacional de rádio e TV. Serra terá de se mostrar um candidato viável até o fim de junho, quando os partidos farão as escolhas definitivas de candidatos.

Tornar-se, pelo menos por enquanto, a única estrela presidenciável dos tucanos é uma vitória de Serra. Quem a entregou de bandeja ao ministro foi seu rival Tasso Jereissati – mas o fez com uma intenção oculta. Ele quis deixar o ministro sozinho no ringue. Espera que, até o fim de fevereiro, data da pré-convenção do PSDB, Serra continue estacionado abaixo dos 10% nas pesquisas. Nesse cenário, o governador imagina que o partido pode convocá-lo a disputar a indicação ou optar por um terceiro nome, como o do presidente da Câmara, o deputado mineiro Aécio Neves. Na visão de Tasso, Serra não subirá nas pesquisas nos próximos dois meses e, devido à sua característica pessoal de evitar ao máximo as manobras de risco, acabará ficando inseguro em lançar sua candidatura presidencial, especialmente se a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, do PFL, continuar com bom desempenho nas pesquisas. Essa é a aposta de Tasso, mas é uma aposta de quem está acuado.

Na verdade, a manobra do governador do Ceará é arriscadíssima. Não está escrito em nenhum lugar que um candidato, seja quem for, deve estar bem nas pesquisas lá por fevereiro. Quem tem o hábito de acompanhar os processos eleitorais sabe que a etapa realmente decisiva de uma campanha são os três meses anteriores ao pleito. Assim, Serra poderá patinar nas pesquisas até fevereiro e, ainda assim, ser o nome escolhido na pré-convenção – nem que seja só para testar seu desempenho nos meses seguintes. O próprio ministro fez esse raciocínio quando disse, na semana passada, que o candidato tucano só crescerá "depois da Copa do Mundo", cuja partida final está prevista para 30 de junho. Além disso, deve-se levar em conta que qualquer candidato governista tem razoável potencial de crescimento. Afinal, na última pesquisa do instituto Sensus, o governo Fernando Henrique recebeu avaliação positiva de 23% do eleitorado. É natural supor que esses pontos, ou boa parte deles, sejam transferidos para o candidato que receber o apoio explícito do presidente.

A preocupação dos tucanos, agora, é manter a unidade do partido. O temor é que Tasso, magoado com sua derrota interna, acabe arrastando asa para a candidatura da pefelista Roseana Sarney, levando junto parte do PSDB. O governador cearense tem afinidades com o PFL e está irritadíssimo com o que se passa atrás das cortinas no PSDB. Ao anunciar seu recuo, disse que não estava querendo lidar com "intrigas e futricas". No jantar com o presidente Fernando Henrique, na quarta-feira, ele foi explícito: reclamou que Serra "plantava notícias" maldosas na imprensa. Uma delas teria sido a história de que Tasso vetou a indicação de Roberto Vieira da Costa, um aliado de Serra, para ocupar a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto. "Nunca quis ser e nunca indiquei ministro nenhum. Não ia ser agora que eu iria me meter nisso", desabafou o governador. A outra foi uma reportagem dizendo que o Porto de Pecém, no Ceará, foi construído em águas sem profundidade suficiente para abrigá-lo. Seja como for, o certo é que, entre os tucanos, pelo menos o pote de mágoas está profundo.

 
 



 

   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS