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Agora, é com
Serra
Com o
recuo de Tasso, o
ministro da Saúde é o único
tucano presidenciável no páreo
Em sua corrida
para ser o próximo inquilino do Palácio do Planalto, o ministro
da Saúde, José Serra, teve uma semana de triunfo. Na segunda-feira,
seu mais forte adversário, o governador cearense, Tasso Jereissati,
anunciou que estava suspendendo a tentativa de ser o candidato presidencial
do PSDB. Dois dias depois, durante um jantar no Palácio da Alvorada,
o governador de Mato Grosso, Dante de Oliveira, comunicou sua desistência.
Antes, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, já
desistira de postular a candidatura. Assim, pela primeira vez desde que
começou a fulanização em torno da sucessão
de 2002, Serra é o único nome tucano no páreo. Se
não houver ventanias imprevisíveis, o calendário
de Serra prevê o seguinte: por volta de 20 de janeiro, ele deixa
o Ministério da Saúde. Em 24 de fevereiro, é aclamado
candidato na pré-convenção do partido. E, em 6 de
março, protagoniza o programa do PSDB em cadeia nacional de rádio
e TV. Serra terá de se mostrar um candidato viável até
o fim de junho, quando os partidos farão as escolhas definitivas
de candidatos.
Tornar-se,
pelo menos por enquanto, a única estrela presidenciável
dos tucanos é uma vitória de Serra. Quem a entregou de bandeja
ao ministro foi seu rival Tasso Jereissati mas o fez com uma intenção
oculta. Ele quis deixar o ministro sozinho no ringue. Espera que, até
o fim de fevereiro, data da pré-convenção do PSDB,
Serra continue estacionado abaixo dos 10% nas pesquisas. Nesse cenário,
o governador imagina que o partido pode convocá-lo a disputar a
indicação ou optar por um terceiro nome, como o do presidente
da Câmara, o deputado mineiro Aécio Neves. Na visão
de Tasso, Serra não subirá nas pesquisas nos próximos
dois meses e, devido à sua característica pessoal de evitar
ao máximo as manobras de risco, acabará ficando inseguro
em lançar sua candidatura presidencial, especialmente se a governadora
do Maranhão, Roseana Sarney, do PFL, continuar com bom desempenho
nas pesquisas. Essa é a aposta de Tasso, mas é uma aposta
de quem está acuado.
Na verdade,
a manobra do governador do Ceará é arriscadíssima.
Não está escrito em nenhum lugar que um candidato, seja
quem for, deve estar bem nas pesquisas lá por fevereiro. Quem tem
o hábito de acompanhar os processos eleitorais sabe que a etapa
realmente decisiva de uma campanha são os três meses anteriores
ao pleito. Assim, Serra poderá patinar nas pesquisas até
fevereiro e, ainda assim, ser o nome escolhido na pré-convenção
nem que seja só para testar seu desempenho nos meses seguintes.
O próprio ministro fez esse raciocínio quando disse, na
semana passada, que o candidato tucano só crescerá "depois
da Copa do Mundo", cuja partida final está prevista para 30 de
junho. Além disso, deve-se levar em conta que qualquer candidato
governista tem razoável potencial de crescimento. Afinal, na última
pesquisa do instituto Sensus, o governo Fernando Henrique recebeu avaliação
positiva de 23% do eleitorado. É natural supor que esses pontos,
ou boa parte deles, sejam transferidos para o candidato que receber o
apoio explícito do presidente.
A preocupação
dos tucanos, agora, é manter a unidade do partido. O temor é
que Tasso, magoado com sua derrota interna, acabe arrastando asa para
a candidatura da pefelista Roseana Sarney, levando junto parte do PSDB.
O governador cearense tem afinidades com o PFL e está irritadíssimo
com o que se passa atrás das cortinas no PSDB. Ao anunciar seu
recuo, disse que não estava querendo lidar com "intrigas e futricas".
No jantar com o presidente Fernando Henrique, na quarta-feira, ele foi
explícito: reclamou que Serra "plantava notícias" maldosas
na imprensa. Uma delas teria sido a história de que Tasso vetou
a indicação de Roberto Vieira da Costa, um aliado de Serra,
para ocupar a Secretaria de Comunicação do Palácio
do Planalto. "Nunca quis ser e nunca indiquei ministro nenhum. Não
ia ser agora que eu iria me meter nisso", desabafou o governador. A outra
foi uma reportagem dizendo que o Porto de Pecém, no Ceará,
foi construído em águas sem profundidade suficiente para
abrigá-lo. Seja como for, o certo é que, entre os tucanos,
pelo menos o pote de mágoas está profundo.
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