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Edição 2088

26 de novembro de 2008
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A CRUZADA DOS MUSEUS

Novo Museu de Arte Islâmica, no Catar, quer
ser para os muçulmanos a referência que o
Museu do Vaticano é para a cultura universal


Duda Teixeira

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Nesta reportagem
Quadro: Comparação entre o Museu do Vaticano e Museu de Arte Islâmica

O emir do Catar quer transformar seu emirado – cujo minúsculo território é abençoado com 15% das reservas mundiais de gás natural – em um oásis de modernidade no Golfo Pérsico. Entre os passos dados em direção a esse objetivo estão o canal mundial de notícias Al Jazira e filiais de seis universidades americanas. Nesta semana, ele dá um novo passo rumo ao futuro, com a inauguração do Museu de Arte Islâmica em sua capital, Doha. A construção do prédio, instalado numa ilha artificial, custou 300 milhões de dólares. Outros 2 bilhões de dólares foram gastos na aquisição de peças para compor o acervo do Museu de Arte Islâmica e de outras quatro instituições. O emir sonha que seu museu venha a ser para o mundo muçulmano uma referência similar àquela que o Museu do Vaticano representa para a arte mundial. Os dois museus consagram conceitos diferentes. A abrangência da coleção do Vaticano ultrapassa os limites da fé cristã. Seu acervo inclui peças da Antiguidade clássica, livros medievais e muitas das pinturas decisivas da cultura universal. O afresco da criação do mundo pintado por Michelangelo no teto da Capela Sistina é um exemplo.

A arte islâmica é um conceito fluido, que não pode ser definido da mesma maneira como se fala em arte chinesa ou francesa. Nem é um período artístico, como o gótico ou o barroco. O foco do museu do Catar são itens decorativos ou votivos produzidos em territórios governados por muçulmanos entre o surgimento do Islã, no século VII, e o colapso do Império Otomano, no século XX. Muitas peças são lindíssimas, mas não há pinturas como as de Rafael. Para coibir a idolatria, a tradição islâmica proíbe a reprodução da figura humana ou de animais. Apesar de a vertente xiita abrir uma exceção para os retratos de seus mártires, o tabu inibiu o surgimento de grandes artistas muçulmanos. Embora os artesãos tenham produzido maravilhas, como os delicados motivos geométricos das paredes da Mesquita Azul, em Istambul, são raras as obras assinadas pelo autor. Os xeques do petróleo estão agora reproduzindo, de certa maneira, o patrocínio dado por papas e duques aos artistas do Renascimento italiano.



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